O Liverpool abriu o placar. Um belo gol de Philippe Coutinho. Cria outras oportunidades para ampliar e matar o jogo, mas não tem um bom finalizador em campo. Desperdiça até pênalti. Perde chances. Algumas delas incríveis, geralmente no pé de Sterling, promissor, mas muito pé torto. A defesa falha, e dependendo de quantas vezes, a vitória parcial vira empate ou derrota. Pontos importantes saem voando pela janela junto com a vaga na próxima Champions League.

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Esse foi o roteiro de grande parte da temporada do Liverpool e também da partida deste sábado contra o Queens Park Rangers até Gerrard aparecer em cobrança de escanteio para salvar a vitória por 2 a 1. Coutinho havia aberto o placar, como fez várias vezes em partidas importantes do começo do ano, quando ainda havia a sensação de que esse time poderia chegar a algum lugar. Mas faltam muitos dentes para esse inofensivo ataque ameaçar alguém. Sterling teve uma chance incrível para fazer 2 a 0 e perdeu. Em erro defensivo, Fer empatou. Gerrard fez 2 a 1 de cabeça no finalzinho, mas nas últimas duas rodadas, contra West Brom e Hull, não houve salvação.

O erro de Sterling simboliza bem o principal problema do Liverpool. Com Sturridge machucado boa parte da temporada, e mesmo com o investimento de € 150 milhões, ninguém no elenco sabe fazer gols. Tanto que o artilheiro do time na Premier League, com sete gols, é esse aí que não conseguiu completar direito o cruzamento de Henderson a três metros das traves, sem marcação. Na sequência, aparecem Gerrard, com os mesmos sete, e Henderson, com seis, dois meias.

O ataque inteiro do Liverpool, contando Sterling, Sturridge, Balotelli, Lallana, Borini, Rickie Lambert e Coutinho têm 25 gols na Premier League. Para darmos um desconto, podemos acrescentar Markovic à conta, contratado como ponta, mas usado na ala na maior parte da temporada, e chegamos a 27. Como comparação, Agüero, apesar das suas lesões, fez 21. Suárez, apesar de começar a temporada suspenso, fez 16 no Espanhol. No último inglês, o uruguaio, sozinho, fez 31. Sturridge fez 21.

O ataque do Liverpool sofreu um baque impressionante de uma hora para a outra. De 101 gols para 49, a três rodadas do fim. Caiu pela metade. A defesa melhorou um pouco e até agora sofreu 12 gols a menos. Mas não foi o suficiente para compensar. Se é fato que a temporada passada foi um ponto fora da curva, a quantidade de dinheiro que Rodgers teve para investir deveria ter diminuído mais a distância entre a ilusão do vice-campeonato e cruel realidade de ficar mais uma vez fora da Champions League.

Nem tudo pode ser colocado nas costas de Rodgers, que não tem autonomia plena no mercado, mas pelo menos uma delas é sua culpa. Apostou em Balotelli para suprir essa falta de gols e já é bem seguro dizer que não funcionou. O italiano marcou UMA vez no Campeonato Inglês. Foi titular contra West Brom e Hull City, duas partidas nas quais o Liverpool jogou fora os cinco pontos que mais podem fazer a diferença na corrida por vaga na Champions League. Dois tropeços seguidos contra adversários da parte inferior da tabela no momento em que deveria arrancar.

Está na hora do Liverpool ter mais ambição nas transferências. Contratar jovens com potencial é importante para o futuro do clube, mas o Liverpool não pode ficar anos esperando eles se desenvolverem e aprenderem a chutar a gol. O técnico sabe disso e já afirmou que vai atrás de grandes nomes na próxima janela. Também tem que ir atrás de grandes artilheiros.