O Ludogorets vem atraindo olhares na Champions League, e até encrencou a vida do Real Madrid na semana passada, mas acabou se tornando personagem secundário de uma história para lá de desagradável. O time foi derrotado por 3 a 2 pelo Levski Sofia em uma partida do Campeonato Búlgaro realizada em 27 de setembro. Apesar do encontro cheio de gols, o que mais chamou a atenção no duelo veio das arquibancadas. Um grupo de torcedores do Levski erguia uma faixa racista com os dizerem “Say yes to racism”, em paródia à campanha “Say no to racism”, lema da Uefa em seu combate à discriminação racial. O discurso de ódio embrulha o estômago, mas infelizmente não é surpresa. O lamentável mesmo é constatar a resposta devagar, quase parada, da Federação Búlgara e da própria Uefa.

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A faixa não era “apenas” uma incitação ao racismo. Com a paródia ao símbolo da Uefa, atacava também a entidade como instituição. Foi um retrato de como os setores fascistas dessas torcidas enxergam a entidade e suas punições brandas a comportamentos discriminatórios. Tratar como incidentes isolados, causados por uma minoria, aplicando multas irrisórias aos clubes e meros fechamentos de setores dos estádios não passa a mensagem de que esses discursos de ódio são de fato abominados e proibidos. Pensamentos racistas e xenofóbicos, especialmente no leste europeu, não são uma anomalia, mas, sim, algo que está ganhando espaço no continente, e a forma como as entidades de futebol têm respondido a isso é quase de conivência.

Quer ver como a resposta tem sido fraquíssima? Quando Metodi Shumanov, do jornal inglês Guardian, entrou em contato com a Uefa para saber como eles estavam procedendo em relação ao incidente, o porta-voz da entidade que o atendeu afirmou que sequer sabia do ocorrido. Na Bulgária, o Levski e a Federação Búlgara não se manifestaram publicamente. O único a fazê-lo foi um grupo de torcedores do clube, que afirmaram se tratar de “um comportamento idiota de uns poucos garotos mascarados que não querem fazer parte da nossa organização”.

De acordo com o Guardian, a Federação Búlgara já está investigando o caso e a provável punição pode variar de uma multa de € 19 mil a duas partidas com os portões fechados, o que significaria que o clássico contra o CSKA Sofia, maior do país, seria disputado pela primeira vez na história sem torcedores nas arquibancadas. Muito pouco para o tamanho do problema que eles têm em mãos.

Embora a mensagem pública da Uefa como instituição seja de combate ao racismo e a outras formas de preconceito, a postura diante de casos assim praticamente contradiz a entidade. Não há solução mágica para isso, é claro, mas o mínimo que a Uefa poderia fazer, do leque de opções que lhe é alcançável, seria a aplicação de punições que fizessem de fato o torcedor médio dessas equipes rechaçar qualquer manifestação semelhante logo que a visse a seu lado, na arquibancada. Até mesmo disso parecemos estar distantes.