11 de junho de 2020. Há exatamente trinta anos, a Holanda estreava em mais uma Copa do Mundo. E era possível dizer: junto do tradicional quarteto Itália-Alemanha-Argentina-Brasil, a Oranje era considerada grande favorita ao título. Provavelmente, nunca mais teve tanto favoritismo antes de um grande torneio – talvez, somente na Euro 2000 em que foi um dos países-sedes. Os motivos sobravam. A Laranja vinha de seu único título, a Euro 1988, com uma campanha digna de conto de fadas (começo mediano, crescimento gradual, êxtase na vitória da semifinal sobre a Alemanha, apoteose na final).

E a qualidade daquela geração de jogadores que enfim dera um troféu à Laranja era inegável. Coroada pelo trio Rijkaard-Gullit-Van Basten, três dos principais nomes de um Milan que fazia história então, como bicampeão europeu. Sem contar Ronald Koeman, então um dos principais zagueiros do mundo, no Barcelona. Vários nomes experientes e firmes, como Hans van Breukelen e Jan Wouters. E uma nova geração que despontava, simbolizada em nomes como Aron Winter, Bryan Roy e os irmãos Witschge, Richard e Rob.

Porém, veio a decepção na Itália: quatro jogos, três empates, uma derrota nas oitavas de final. Um time sem vontade, desmotivado, apático. E até hoje, 30 anos depois, torcedores holandeses (talvez no mundo todo) se perguntam: como uma das grandes gerações de jogadores que o país legou ao futebol, campeã europeia, pôde ser tão decepcionante? O título de um documentário com aquela campanha como assunto sintetiza: “1990, como pôde dar tão errado?”. A resposta é mais fácil do que parece: além do parco nível de jogo mostrado em campos italianos, a unidade mostrada pelo elenco na Euro 1988 fora quebrada num espaço de dois anos, por traições e guerra de vaidades. São exatamente essa quebra de unidade, e as vaidades que destruíram o sonho do título mundial, os assuntos principais deste texto.

Confira o texto completo no Espreme a Laranja, projeto de Felipe dos Santos Souza sobre futebol holandês