O Valenciennes é uma das principais surpresas desse início de temporada na Ligue 1. Apontado como um time intermediário, ocupa a quinta colocação na tabela com 15 pontos, possui o melhor ataque, com 19 gols marcados, e uma das melhores defesas, com apenas nove sofridos. Mais do que isso, derrubou a invencibilidade do então líder Olympique de Marseille com uma goleada por 4 a 1 e na última rodada enfiou 6 a 1 no também invicto Lorient.

Um dos destaques do time tem sido o zagueiro brasileiro Gil, ex-Cruzeiro. Alto, eficiente no jogo aéreo e seguro com a bola nos pés, ele já foi eleito em duas oportunidades o melhor zagueiro da rodada da Ligue 1 e já marcou um gol em nove partidas na competição. As boas atuações renderam uma especulação do Corinthians, e o zagueiro, em entrevista à Trivela, deixa clara a vontade de voltar ao Brasil, mas vê esse retorno como uma possibilidade remota no momento. Confira a entrevista:

Como você analisa o atual momento do Valenciennes e o seu atual momento dentro do clube?

Agora estamos bem, temos o melhor ataque do campeonato, treinamos muitas finalizações por semanas e trabalhamos muito para melhorar. Individualmente, passei por muitas situações difíceis no ano passado, mas agora me sinto muito melhor e consigo me focar no meu trabalho.

Quais foram essas situações difíceis?

No ano passado, não havia um intérprete disponível por aqui, e isso gerou uma série de problemas para mim e para a minha família. A adaptação foi muito difícil, eu não tinha cabeça para treinar e acabei não rendendo. Mas agora as coisas já se ajeitaram um pouco mais.

Como é o comportamento da torcida do Valenciennes? É mais calmo, mais fanático?

A cidade é muito pequena (N.R: pouco mais de 40 mil habitantes), mas o estádio está sempre cheio. O clube inaugurou um estádio novo em 2010, e a torcida é sempre fanática, barulhenta e exigente com o time.

Nesta sexta-feira, o site Globoesporte.com falou sobre um interesse do Corinthians em seu futebol. Houve realmente uma proposta? Existe alguma negociação aberta?

Li a notícia de hoje (N.R: nesta sexta-feira) e fiquei muito surpreso, não estou sabendo de nada. Estou focado em meu trabalho aqui na França, mas é sempre melhor quando estamos no nosso país, perto dos nossos amigos e da nossa família. Tenho vontade de voltar ao Brasil, mas meu contrato com o Valenciennes é até 2015 e acho difícil o presidente do clube me liberar agora.

Além do Corinthians, outro clube do Brasil chegou a te procurar?

Houve uma sondagem do Internacional também, mas não foi adiante.

Você disputa a Ligue 1 num momento diferente do campeonato, em que o PSG, pelo investimento que fez, atrai a atenção de toda a Europa. É possível notar esse impacto dentro do campeonato?

Sim, com certeza. A chegada de nomes como Ibrahimovic, Thiago Silva e Lavezzi ao PSG atraiu as atenções de uma parte maior da imprensa para ele e trouxe glamour ao campeonato. Os outros times também estão contratando bastante, e creio que o nível da competição melhorou.

O Valenciennes se destaca tanto ofensivamente quanto defensivamente nos números na Ligue 1. Você acredita que há algum destaque individual, como o Le Tallec, ou o sucesso se deve ao desempenho coletivo do time?

Acho que o time é coletivamente muito bom. Temos o Gael Danic, excelente meia, o Vincent Aboubakar, atacante camaronês também de muita qualidade, além do Le Tallec e de outros grandes jogadores. Já vencemos dois times invictos, o que nos deixou muito feliz, mas ainda somos apontados como uma equipe de meio de tabela. Precisamos trabalhar muito dentro de campo para continuar surpreendendo