Especiais

A cena da Copa de 1978 que faz parte do clássico cult Trainspotting, que completa 20 anos

No dia 23 de fevereiro de 1996, no Reino Unido, foi lançado um filme que se tornou um clássico cult: Trainspotting. O filme lançou o ator Ewan McGregor, ator que se tornaria mundialmente conhecido. Também foi o filme que tornou o diretor Danny Boyle conhecido. E, para nós, apaixonados por futebol, tem uma cena incrível, que mistura o orgasmo do protagonista com a sensação de ver a Escócia vencer um jogo de Copa do Mundo.

LEIA TAMBÉM: Ronaldo tinha tanta facilidade em dar canetas que conseguiram achar 256 delas para um vídeo

O filme, que tem o roteiro escrito por John Hedge, foi indicado ao Oscar na categoria roteiro adaptado. Também foi indicado no British Acade Film Awards em 1996 também por roteiro adaptado, melhor filme e melhor filme britânico. Venceu na categoria de roteiro adaptado. O filme tem também uma trilha sonora marcante, que fez sucesso na época e se tornou uma marca dos filmes de Danny Boyle.

O filme conta a história de viciados em heroína na Edimburgo dos anos 1980. A cidade vivia uma situação econômica ruim e o filme retrata a situação de pobreza da cidade, o vídeo em heroína do grupo de jovens e a forma como tentam lidar com a juventude e a vida. O protagonista, Mark Renton (Ewan McGregor) é quem conduz a história, que mostra a vida também dos seus amigos e como enxergam a vida em uma situação difícil e o vício em heroína como uma das melhores partes da vida.

O filme tem duas referências importantes de futebol. Uma delas mostra Renton pedindo emprestada uma fita que mostra uma coleção de gols. Esta fita tem um papel importante na narrativa, mas vou deixar para que o filme explique, se você não tiver visto.

O mais importante é que em uma cena, Rent conhece Diana, uma personagem importante na sua vida na trama. No momento que os dois fazem sexo, a cena se intercala com gols marcantes para os escoceses: a vitória sobre a Holanda, na última rodada da fase de grupos. Os escoceses, que tinham no elenco Kenny Galglish, venceram por 3 a 2.

Os gols do próprio Dalglish e os dois de Archie Gemmill são mostrados, em um ritmo frenético do sexo dos personagens, até o auge: o orgasmo. Aquela vitória não foi suficiente, porque os escoceses precisavam de mais dois gols de diferença para se classificarem. Não deu. Mas aquela vitória no estádio de Mendoza se tornou um dos grandes momentos da seleção escocesa.

A cena é uma das mais belas do filme e tem o futebol como um mote importante. Aliás, o futebol também é citado em um outro momento, quando o protagonista explica a relação com a droga. Em uma fala longa, ele conta porque a sensação de estar chapado é melhor do que a vida comum. O ato de torcer é uma das questões citadas.

“(…) Você tem que se preocupar com contas, com comida, sobre algum time de futebol que nunca vence, sobre relacionamentos humanos e todo tipo de coisa que não importa quando você tem um hábito sincero e verdadeiro de viciado”.

Considerando que os personagens são de Edimburgo, eles seriam torcedores do Hearts ou do Hibernian, provavelmente. E, assim sendo, realmente teriam muito pouco o que comemorar. Os dois times não viviam momentos grandiosos naqueles anos 1980. O Hearts ainda conseguiu ser vice-campeão escocês em 1985/86 e em 1987/88. Além disso, só foi campeão da segundona, em 1979/80 e, depois, vice-campeão da mesma segundona em 1982/83. O Hibernian não estava melhor: foi campeão da segundona em 1980/81 e não mais do que isso.

Atualização, 24/02/2016, 09h55: nosso leitores, atentos e sagazes como sempre, nos alertaram aqui nos comentários e nas redes sociais, que durante o filme aparecem alguns sinais que Rent é torcedor do Hibernian por flâmulas que aparecem no seu quarto. Além disso, o autor, Irvine Welsh, é torcedor dos Hibs, assim como o personagem.

O futebol é parte das nossas vidas, seja como for. Seja pela paixão, seja pelo sofrimento. Mas é sempre parte de nós. Até em um filme cult que se passa na Escócia.

Cena de abertura do filme:

A cena que Renton conhece Diana (em italiano e censurado):

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo