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Ultras barrados e ingressos a € 1: como o Deportivo quer combater a violência nos estádios

A morte de um torcedor espanhol no final de semana desencadeou uma reflexão profunda no país sobre os ultras. A batalha entre radicais de Atlético de Madrid e Deportivo de La Coruña possuía motivações políticas que iam muito além do futebol, mas o problema é dos clubes e das autoridades do país. E as medidas estão sendo tomadas para coibir a violência. Enquanto Barcelona e Real Madrid combatem a questão há algum tempo, com os blaugranas banidos do Camp Nou desde 2005 e Florentino Pérez os dispersando do Bernabéu, outros dirigentes também começam a agir neste sentido. E a medida do Depor se torna simbólica no momento.

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Assim como o Atleti, o clube toma as iniciativas para proibir dos estádios os ultras envolvidos no confronto. E os galegos fecharão nesta quarta-feira o setor do Estádio Riazor ocupado pelos ultras, em partida contra o Málaga pela Copa do Rei. Segundo o presidente Tino Fernández, “um movimento para que mude para sempre o futebol espanhol”. O setor seguirá vazio na rodada de La Liga, no fim de semana.

Para contar com o estádio lotado e dar uma resposta à ausência dos ultras, o Deportivo também colocará os ingressos para o jogo a € 1. “Queremos que todos os cidadãos que desejem mostrar sua repulsa pela violência no futebol possam encher o Riazor e demonstrar qual é o verdadeiro amor desta torcida única”, complementou o dirigente. Membros do Riazor Blues, o grupo envolvido no episódio do final de semana, estão impedidos de entrar também em outros setores do estádio.

Obviamente, a questão está longe de ser simples. O Brasil mesmo é um exemplo, onde a política de combate às organizadas sofre várias reviravoltas e, sem que nenhuma solução real seja tomada, as mortes continuam a acontecer. Mais importante que expulsar os ultras do estádio é combater a violência de maneira efetiva. Se na realidade espanhola o melhor caminho for este, que se vá em frente. O que não se pode é deixar de agir. Mas também não perder de vista a importância das arquibancadas cheias e do apoio que vem da torcida – e nada além que extrapole isso.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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