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Por que o ódio a Cristiano Ronaldo é tão grande?

Se você fosse um jogador de futebol de sucesso, rico, desejado por várias mulheres e vencedor dos títulos mais importantes na carreira de um atleta, como se comportaria? Pois bem, cada um de nós deve ter uma forma diferente de lidar com a fama e o reconhecimento. No caso de Cristiano Ronaldo, a incessante presença nas listas de melhor do mundo, as caretas, a vaidade e o jeito temperamental causam ódio em muita gente por aí. E não, não estamos exagerando.

Onde quer que vá, o português é hostilizado e torcedores cruéis tendem a lembrar que Cristiano está longe do que Messi representa como atleta. Não que eles estejam errados, mas há uma necessidade de ofender Ronaldo que por vezes é difícil entender. O que me levou a pensar um pouco e analisar esse comportamento.

Os brasileiros sabem bem como isso é. Neymar saiu daqui adorado pela torcida do Santos e por muita gente que reconhece o bom futebol apresentado pelo menino em seus anos na Vila Belmiro. Para todo o resto, ele deveria levar pancadas pela sua habilidade e marra. O episódio em que ele atirou uma garrafa em direção ao banco de Dorival Jr. em 2010 contribuiu muito para que a fama de Neymar fosse a de um moleque teimoso e mimado. Se jogar em qualquer dividida agravou ainda mais essa situação. Anos depois, amadurecido, Neymar continua sendo odiado pela maioria. Geralmente por quem sofria quando ele estava com a bola nos pés.

Cristiano Ronaldo não é diferente disso. Já foi chorão, chamado de pipoqueiro, obra de marketing e quase sempre joga “sozinho” pela seleção portuguesa, como na tarde de ontem contra a Irlanda do Norte. Os irlandeses gritavam que era “apenas um jogador mais barato que Bale”. Evidente que o futebol também é piada, gritos de guerra para ridicularizar o adversário, mas paremos para pensar: algumas figuras bem sucedidas estão mais propensas a serem odiadas. O que não acontece com Messi, que não suscita ódio em ninguém – ou, ao menos, em grau muito menor do que o seu rival português. O argentino tem seu jeitão calado, de poucas palavras. É a sabedoria de quem não abre a boca pra falar besteiras.

LebBron James, na NBA, causou reação parecida com a que sofre o português ao fazer da sua transferência do Cleveland Cavaliers para o Miami Heat uma novela, com transmissão de TV e tudo. E chegar ao time da Flórida dizendo que ganharia “cinco, seis, sete” títulos. Não é incomum que grandes atletas, especialmente em esportes coletivos, causem muita aversão quando não têm o perfil de Messi. O próprio Maradona, muito mais expansivo, polêmico e falastrão, causou reações de ódio também.

Em certo ponto, fica compreensível entender que o sucesso de Ronaldo unido ao seu temperamento (deixo claro que ninguém aqui sabe como ele se comporta no dia-a-dia) tenha sido um combustível para essa onda de vaias. A maioria massacrante de pessoas que dizem acompanhar futebol crava que ele some nos jogos decisivos. Esse costuma ser o principal argumento de quem detesta Cristiano.

Contra a Irlanda do Norte, ele fez uma atuação majestosa com três gols e ao invés de comentar a zoação dos torcedores, preferiu dedicar a façanha ao seu falecido pai. Aos 28 anos, Ronaldo parece estar mais preocupado em jogar do que entrar em polêmicas ou reclamar de tudo, como fazia quando mais jovem. É o passo natural para quem envelhece e entende que respeito não se exige, se conquista.

Priorizando o seu lado profissional, o português focou em não ser exatamente o melhor do mundo, e sim o melhor que ele consegue. Talvez esse seja um elemento a colaborar para que os olhares não sejam tão críticos no futuro.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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