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Os 14 momentos mais inesquecíveis da lenda de Thierry Henry

Poucos jogadores conseguem completar 20 anos de carreira, mas Thierry Henry nunca foi apenas mais um na multidão. Dos primeiros chutes pelo Monaco, em 1994, aos últimos pelo New York Red Bull no mês passado, o francês deu todos os motivos para ser considerado especial. Colecionou títulos, recordes, artilharias e prêmios individuais. Marcou golaços inesquecíveis e despertou a paixão de várias torcidas. Honrou a camisa 14 dos seus clubes, a 12 do seu país e anunciou a sua aposentadoria nesta terça-feira como um dos melhores jogadores da história do Arsenal, do futebol inglês, da França e da sua geração.

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Henry disputou sua última partida no final de novembro. Foi o jogo de volta das semifinais da Major League Soccer, contra o New England Revolution. Seu contrato estava chegando ao fim e ele havia avisado que não o renovaria. Havia a expectativa que retornasse ao Arsenal para arredondar o seu legado, ou até mesmo começar a aprender o ofício de treinador com Wenger, mas a experiência do craque, por enquanto, será emprestada a uma emissora de televisão. Será o novo comentarista da Sky Sports.

“Quantos retornos você pode fazer? Uma hora, vira um filme ruim. Todos gostamos do primeiro Rocky, mas não tenho muita certeza sobre o último”, afirmou, em sua entrevista de apresentação à Sky. Sim, Henry ainda se aposentou citando Rocky, como se já não fosse uma lenda grande o bastante.

Em 20 anos, Henry passou por tudo: polêmicas, racismo, decepções, alegrias, glórias, títulos e puro êxtase. Foram 411 gols em 917 jogos, uma média impressionante de quase uma bola na rede a cada duas partidas durante duas décadas. Não poderíamos citar todos os seus grandes momentos, mas selecionamos os 14 mais inesquecíveis para homenagear a carreira de um jogador único.

Os primeiros gols

A primeira temporada profissional de Henry foi pelo Monaco, em 1994/95, mas ele demorou para balançar as redes. Foi apenas no final da campanha, em 29 de abril de 1995, na goleada por 6 a 0 contra o Lens. E já começou com dois gols, o primeiro deles muito bonito, quase sem ângulo. Seria campeão na edição seguinte do Campeonato Francês e ajudaria o clube a chegar à semifinal da Liga dos Campeões de 1997/98 antes de alçar voos mais altos.

O título mundial

Henry talvez tenha sido mais importante na Eurocopa de 2000, mas o grande título que conquistou pela seleção francesa foi a Copa do Mundo de 1998, em casa. Marcou três vezes naquela campanha e foi o artilheiro da campeã. Dois desses gols saíram na goleada por 4 a 0 contra a Arábia Saudita.

O primeiro gol pelo Arsenal

Foi contra o Southampton, pelo Campeonato Inglês, em setembro de 1999. Decisivo. Henry dominou na entrada da área e bateu com curva, bem ao seu estilo. Garantiu a vitória por 1 a 0 do Arsenal.

AQUELE golaço contra o Manchester United

Esse dispensa palavras.

AQUELA comemoração contra o Tottenham

No clássico de maior rivalidade para o Arsenal, Henry foi perfeito. Não porque tenha acertado tudo que tentou ou marcado todos os gols daquele 3 a 0 contra o Tottenham, em 2002. Mas porque arrancou do próprio campo de defesa, passou por todos os adversários, fez o gol e parou apenas na hora da comemoração, quando deslizou de joelhos à frente da torcida do Tottenham, em Highbury, para encará-los. Raça, provocação e brilhantismo, tudo ao mesmo tempo. Tanto que essa celebração foi imortalizada com uma estátua no Emirates, inaugurada em 2011.

A temporada dos invictos

A melhor temporada de Henry impulsionou a melhor do Arsenal, primeiro campeão invicto da Inglaterra em um século. Foram 39 gols, a Chuteira de Ouro do continente europeu, artilharia do Campeonato Inglês, melhor jogador do país e o segundo do mundo, atrás apenas de Ronaldinho Gaúcho. O grande momento técnico da sua carreira.

A campanha contra o racismo

Para motivar José Antonio Reyes, Luis Aragonés chamou Henry de “negro de merda” durante um treinamento da seleção espanhola. Foi multado em R$ 8 mil. O jogador ficou possesso e, em parceria com a Nike, lançou uma campanha internacional contra o racismo: Stand Up, Speak Up, algo como “Levante-se e se imponha”. Os brasileiros Adriano, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos aderiram, entre outras estrelas, à contribuição do craque para um mundo livre de preconceitos.

A despedida de Highbury

Não havia campo de futebol no mundo no qual Henry sentia-se mais à vontade do que em Highbury. Era o quintal da sua casa, como disse um dia. Fez mais de 100 gols pela liga inglesa naqueles metros quadrados. Chorou ao se despedir, em 2006, quando o Arsenal mudou-se para o outro lado da rua, para o moderno Emirates. Não foi a única coisa que fez naquele jogo histórico contra o Wigan. Tinha que fazer pelo menos mais um gol e comemorá-lo trotando com os braços abertos. Mas um não foi o bastante. Fez três.

O maior artilheiro da história do Arsenal

Apenas seis anos depois de assinar pelo Arsenal, Henry tornou-se o maior artilheiro da história do clube. Marcou duas vezes na vitória por 2 a 0 sobre o Sparta Praga, pela Liga dos Campeões, e passou o recorde de 185 gols de Ian Wright. Depois aumentou a liderança e encerrou a carreira com 228 gols pelo time do norte de Londres. Um dos tentos históricos foi a mais pura demonstração de técnica e classe.

 O golaço no Bernabéu

Henry esteve muito próximo de dar ao Arsenal o título mais desejado pela torcida, mas perdeu do Barcelona na final da Liga dos Campeões de 2005/06. Ainda assim, foi uma campanha memorável. Bateu dois times de enorme tradição europeia, Real Madrid e Juventus, a começar pelos espanhóis, nas oitavas de final, quando marcou o único gol da eliminatória. Foi uma arrancada impressionante, desde o meio-campo, aliando a força com a habilidade como poucos.

O gol contra o Brasil

Ao final daquela temporada, a Alemanha sediou a Copa do Mundo. Henry jogou quase sempre sozinho à frente da linha de armadores francesa e mais uma vez marcou três gols. Um deles causou a eliminação brasileira, naquela partida memorável de Zinedine Zidane, que cobrou a falta completada pelo camisa 12 da seleção na segunda trave.

O único título europeu

No Barcelona, Henry foi deslocado à ponta esquerda, onde começou a sua carreira, e não brilhou como nos anos de Arsenal, mas já estabelecemos que há algo de especial no francês. Porque na sua segunda temporada, a de 2008/09, sob o comando de Pep Guardiola, venceu absolutamente tudo que poderia. Marcou 26 vezes e, junto com Samuel Eto’o e Lionel Messi, completou um trio de 100 gols. Foi aquele período perfeito dos catalães, com os títulos da Espanha, da Copa do Rei, da Liga dos Campeões, da Supercopa Espanhola, da Supercopa Europeia e do Mundial de Clubes. Foi também o único título europeu de Henry por clubes.

O retorno triunfante

A torcida do Arsenal pode se considerar uma privilegiada. Não apenas pelos tantos lances geniais que presenciou de Henry, mas porque nem sempre o apaixonado tem a possibilidade de amar de novo depois que o namoro termina. No começo de 2011, assinou um contrato de dois meses com os Gunners para cobrir as ausências dos jogadores cedidos à Copa Africana de Nações, aproveitando a pausa da Major League Soccer. Reestreou contra o Leeds, na terceira rodada da FA Cup, e não só marcou, como foi decisivo na vitória por 1 a 0, retomando as noites mais mágicas com a camisa do Arsenal. Desta vez com a 12.

O 400º gol

Henry defendeu o New York Red Bulls por quatro anos, mas não conseguiu conquistar a Major League Soccer. Venceu a Conferência Leste duas vezes e levou o Supporters Shield por ter sido o melhor time da temporada regular de 2013. Fez 51 gols, mas um deles foi especial. Foi o seu 400º como jogador profissional. Uma marca para poucos, mas Henry nunca foi apenas mais um na multidão.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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