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O Betis colocou 48 mil no estádio e pintou Sevilha de verde na volta à primeira divisão

Parecia final de Libertadores. O ônibus do Betis teve a recepção de centenas de torcedores ensandecidos na chegada ao Estádio Benito Villamarín. Já nas arquibancadas, 48 mil alviverdes empurravam o time. Na verdade, o duelo pelo Alcorcón era apenas mais um pela segunda divisão do Campeonato Espanhol. Com um final especial: a vitória dos beticos por 3 a 0 assegurou o retorno do tradicional clube à elite de La Liga, apenas uma temporada depois do rebaixamento. Valeu o apoio da grande torcida na Andaluzia.

Por tradição, o Betis é um clube que merece permanecer na primeira divisão. Entretanto, nem sempre o peso da camisa se reflete dentro de campo. Tanto que o alviverde é o maior “ioiô” da história do Espanhol: este é o 12º acesso conquistado pela equipe, mais do que qualquer outro. Algo explicado nos últimos anos principalmente pela crise financeira: desde 2010 a administração está sob tutela judicial, reduzindo as dívidas de € 90 milhões para € 20 milhões. A melhora da situação se combina com a grande campanha feita na segundona.

Além do acesso, o Betis também garantiu o título neste domingo, com duas rodadas de antecedência. Sucesso explicado pelo retorno do técnico Pepe Mel em dezembro, conquistando 51 de 66 pontos possíveis desde então, e pela dupla de ataque formada por Rubén Castro e Jorge Molina. Juntos, ambos marcaram 51 dos 73 gols do time na competição. É o melhor dueto da segundona espanhola desde 1957. Mais do que isso, veteranos que estão há mais de cinco temporadas no Benito Villamarín e sabem bastante o valor da camisa. Simbolicamente, eles dividiram entre si os três gols neste domingo, contra o Alcorcón.

Também impressiona durante a campanha o peso da torcida do Betis. A média de público chega à casa dos 30 mil presentes por jogo, 12 mil a mais do que a segunda maior na segundona, do Sporting de Gijón. O número segue próximo da temporada anterior, quando os alviverdes estavam na elite. E, em 2014/15, seria a sétima maior de La Liga, apenas algumas centenas atrás do Sevilla.

Os arquirrivais, aliás, parabenizaram o Betis em sua conta do twitter, esperando o clássico andaluz para a próxima temporada. O retorno como um todo faz bem ao futebol de Sevilha, que nutre sua grande rivalidade na primeira divisão. E, como era de se esperar, a cidade continuou pintada de verde ao anoitecer. Em especial, a histórica Ponte de Triana, iluminada por sinalizadores verdes colocados pelos beticos. Uma noite que não deverá terminar tão cedo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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