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Neymar dobrou o número de gols que fez na temporada passada e de quebra despachou o PSG

Antes do jogo, se especulava se era possível um milagre francês. Jornais da França falavam que “a realidade é mais forte que o Paris Saint-Germain”. Não sem razão. A começar que o Paris Saint-Germain precisaria fazer ao menos três gols para se classificar, mesmo jogando no Camp Nou. Depois, porque teria que ser defensivamente seguro para não levar gols, o que, depois da atuação em Paris, parecia difícil, ainda mais com Messi, Suárez e Neymar pela frente. Desta vez, sem surpresas, o Barcelona venceu, e com certa facilidade. Os 2 a 0, construídos ainda no primeiro tempo, terminaram de decidir um confronto que já parecia bem encaminhado. Mais do que isso, foi uma apresentação de grande jogador de Neymar. Marcou mais dois gols, aumentou a sua conta, e é cada vez mais um protagonista do time ao lado de Messi, o grande craque do time catalão. O Barcelona segue no caminho rumo a Berlim, onde será disputada a final. O PSG mais uma vez cai nas quartas de final, como nas duas temporadas anteriores.

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A arrancada de Iniesta no campo de defesa, passando por vários jogadores do time francês, foi espetacular. Digna daqueles anos que o levaram a ser dos melhores jogadores do mundo. O passe para Neymar, que passou por David Luiz sem muita dificuldade, só foi a cereja do bolo. O brasileiro, cara a cara com o goleiro Sirigu, driblou o italiano e mandou a bola para a rede. Eram só 14 minutos e o prelúdio de uma história já conhecida.

Nem antes, nem depois do gol o PSG mostrou força para pressionar, causar desconforto ao Barcelona. A palavra é certa: conforto. O time catalão jogou com a tranquilidade de quem assistir a um filme já sabendo o final. As narrativas, então, ficam nos detalhes, que passam por vezes despercebidos em relação ao enredo principal.

Em um belo lance pela direita, Daniel Alves cortou para o meio e, de pé esquerdo cruzou na cabeça de Neymar. David Luiz bobeou na marcação do atacante, que subiu com muita liberdade para cabecear para as redes – o cabeceio nem é a especialidade do jogador. Os 2 a0 permitiram ao Barcelona manter o ritmo de banho-maria que mantinha desde o começo do jogo. Um amistoso nas quartas de final da Champions League. Os 5 a 1 no placar agregado mostravam uma superioridade impressionante, se pensarmos em como eram vistoso os dois times antes do sorteio. Ainda que o Barcelona fosse favorito, não se imaginava uma classificação tão fácil.

Daniel Alves, que parece ter o tapete estendido para a saída do Barcelona, pode estar perto de virar o jogo. Ele foi muito criticado – muitas vezes com justiça – pelos espaços que concede ao adversário do seu lado. Mas, apesar disso, a temporada dele no Barcelona é ótima. As opções daquele lado não se firmaram. Montoya não conseguiu render como se esperava e Douglas, bem, foi como se esperava e mostrou que não consegue ser o jogador de alto nível que o Barcelona precisa por ali. Adriano pode atuar por aquele lado. Mas Daniel Alves foi a melhor opção e, com o Barcelona sem poder contratar até segunda ordem, pode ser que a renovação do contrato com o brasileiro seja mesmo o melhor a se fazer.

Neymar comemora com Daniel Alves o segundo gol do Barcelona (AP Photo/Manu Fernandez)
Neymar comemora com Daniel Alves o segundo gol do Barcelona (AP Photo/Manu Fernandez)

Já Neymar mostrou porque já é um dos melhores atacantes do mundo. Chegou a 30 gols na temporada, o dobro de gols que marcou na temporada passada, a sua primeira pelo Barcelona. Mais do que o número em si, Neymar é mais perigoso, mais imprevisível e mais decisivo.

Ao PSG, resta lamentar a postura do time. Só melhorou, sensivelmente, quando entrou Lucas no segundo tempo. O atacante tentou dar mais vida ao jogo, partiu para cima dos adversários. Só que parecia aquele seu amigo que chegou atrasado na pelada, quando todo mundo já está cansado e nada mais mudará. Lucas tentou, errou uma finalização que teve chance e o jogo não mudou.

Ibrahimovic, mais uma vez, ficou muito abaixo do que poderia e do que o PSG precisava. Não chamou o jogo, como também ninguém mais chamou. Nem Pastore, nem Cavani, nem nenhum outro jogador. Verratti foi, talvez, quem teve a atuação mais razoável. Mesmo assim, muito pouco perto da enormidade do desafio que o time parisiense tinha pela frente.

O Barcelona espera o sorteio na sexta-feira para saber quem será o seu adversário nas semifinais. Assim como em anos anteriores, o Barcelona chega com a força de favorito, talvez o maior deles. Perguntado ao final do jogo se o Barcelona vivia a sua melhor fase técnica para as semifinais da Champions League, Neymar não titubeou: “Eu acho que sim. Vivemos um grande momento na Champions e na Liga e espero que possamos manter assim”. Segurar o Barcelona é possível, é claro, ams é uma missão dura. O time tem cara de grande favorito, capaz de vencer qualquer time, incluindo aí o Bayern de MUnique do menter Pep Guardiola. Porque o Barcelona de Luis Enrique pode não ser tão genial como era o de Pep, mas é um time que sabe ser agressivo e letal como os jogadores que tem hoje mostram. Neymar e Suárez tornaram o Barcelona mais vertical, mais perigoso em velocidade, mais agressivo. Um perigo contra qualquer time.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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