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Não importa o que a Uefa diga: Douglas foi, sim, campeão da Champions pelo Barcelona

Houve uma enxurrada de piadas nas redes sociais no momento em que acabou a decisão da Champions League. Não apenas o Barcelona de Messi, Suárez e Neymar havia sido campeão europeu, mas também o do lateral brasileiro Douglas, jogador contestado pela torcida do São Paulo e cuja chegada à Espanha confundiu muita gente. Mas o jornal catalão Sport  apareceu para acabar com a graça. De acordo com o diário, as regras da Uefa estabeleciam que ele não pode ser considerado campeão por não ter entrado em campo em nenhuma partida.

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Essa questão é puramente uma formalismo da entidade. O problema é que ela é cheia de contradições e não dá para considerar apenas esse critério como o definitivo. No guia oficial da decisão, a parte “Jogadores que conquistaram a Uefa Champions League” já foi atualizada e lista os jogadores campeões de 2014/15. Não cita Douglas, nem Cláudio Bravo, Vermaelen e Jordi Masip:

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Matemática à parte, o argumento não faz sentido futebolístico. Ter feito parte do elenco é o argumento que se usa para considerar, por exemplo, que Ronaldo foi campeão mundial em 1994. E não é sem razão. Mesmo o pior jogador do universo faz parte de uma campanha se é inscrito em um torneio e, mais ainda, se é inscrito em uma partida, mesmo que fique no banco.

Bravo foi titular em todo o Campeonato Espanhol e bateu recordes de partidas sem sofrer gols. Não entrou em campo na Champions porque Luis Enrique criou um revezamento do chileno com Ter Stegen, que ficou como titular nas copas. Pela natureza da posição, dificilmente um reserva entra em campo se o titular não está suspenso ou contundido, mas a presença dele não era irrelevante ao Barcelona. Ou seja, a Uefa considera que um jogador importante do elenco barcelonista não é campeão.

O argumento em favor de Bravo mostra como o jogador que está no banco é um membro ativo do elenco, mesmo que não entre em campo. O que acaba abrindo espaço para Douglas. O lateral brasileiro teve participação muito menor que o goleiro chileno, mas foi inscrito na competição e ficou no banco em duas partidas, contra o Ajax, fora de casa, e o Apoel, no Camp Nou.

Fosse apenas essa definição formal da Uefa, vá lá. O problema é que a entidade entra em contradição com ela mesma, pois adota três conceitos diferentes. “Vencedores”, de acordo com essa matéria sobre Iniesta podendo igualar Seedorf, são apenas os que disputaram a final da competição pelo time vencedor. Isso excluiria, por exemplo, Chiellini, caso a Juventus vencesse o Barcelona no último sábado. Exclui Xavi e Messi da campanha de 2005/06, da qual participaram, com quatro e seis jogos, respectivamente, mas ficaram fora da decisão de Paris.

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O segundo conceito é essa lista de “Jogadores que ganharam a Uefa Champions League”, na qual Xavi e Messi aparecem em 2005/06, mesmo sem terem disputado a final. Ou seja, “ganharam”, mas não são “vencedores”. É essa lista que exclui Bravo, Douglas, Vermaelen e Masip.

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O terceiro é chamado “vencedores de medalha”, também explícito na matéria do Iniesta, que exige do jogador ter apenas participado da campanha de sucesso do time na Champions League. Isso é um conceito mais abrangente e subjetivo, mas podemos considerar com certa dose de certeza que jogadores inscritos, e que além de tudo vão para o banco, entram nele.

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Douglas não pode ser desconsiderado como campeão, principalmente porque nem a Uefa sabe exatamente o que isso significa. Ele foi inscrito na competição, sentou no banco de reservas em duas partidas, sofreu com os seus companheiros, comemorou e depois saiu de Berlim com uma medalha de campeão no peito porque “fez parte da campanha vitoriosa de seu time”. Uma medalha que, galhofas à parte, ele fez por merecer.

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Uma foto publicada por Douglas Santos (@douglaspds) em

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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