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Morre Ramallets, o primeiro goleiro a se consagrar no Maracanã

O Maracanã serviu para consagrar diversos craques. É impossível não associar os principais nomes da história da seleção brasileira ao gigante carioca. Assim como todos os grandes clubes do país, mesmo os de fora do Rio de Janeiro, contam com ao menos um ídolo que fez fama no templo do futebol. No entanto, poucos podem se gabar de levar o nome do estádio no apelido. Talvez o mais célebre tenha sido Antoni Ramallets, o “Gato do Maracanã”, histórico goleiro espanhol que faleceu nesta terça-feira, aos 89 anos.

Ramallets se tornou um gigante do futebol durante a Copa do Mundo de 1950. Considerado terceira opção da Espanha, o catalão se tornou titular durante a competição e foi fundamental para que a Fúria se classificasse à fase final. A elasticidade e os reflexos renderam o apelido de gato, enquanto manteve sua meta invicta no Maracanã contra Chile e Inglaterra. O estádio, contudo, também foi duro com Ramallets. Foi lá que serviu de touro para a seleção brasileira, na goleada por 6 a 1 que acabou com a torcida cantando a marchinha “Touradas em Madri”.

Mais do que uma lenda da seleção, Ramallets também é considerado um dos maiores goleiros da história do Barcelona. O camisa 1 chegou ao clube em 1947, contratado junto ao Valladolid, e defendeu os blaugranas por 14 anos. Seis vezes campeão de La Liga, ainda hoje é o recordista do Troféu Zamora, sendo por cinco vezes o goleiro com menor média de gols sofridos na competição. Também faturou cinco Copas do Generalíssimo e duas Copas de Feiras.

A maior infelicidade de Ramallets, assim como de todos os torcedores do Barcelona na época, era vivida na Copa dos Campeões. O goleiro viu o pentacampeonato do Real Madrid, mas ao menos ajudou a encerrar a hegemonia merengue em 1960/61, quando os culés eliminaram os arquirrivais. Porém, o título continental foi negado aos catalães novamente, desta vez na decisão contra o Benfica.

O Barcelona dominou a final disputada em Berna, mas acabou derrotado por 3 a 2. Os blaugranas acertaram a trave quatro vezes, enquanto Ramallets teve um gol contra atribuído a si, após espalmar uma bola rumo ao poste. Reza a lenda que, depois desse jogo, a Fifa determinou a substituição das traves quadradas por arredondadas, tanto pela falha do camisa 1 quanto pela falta de pontaria dos atacantes. Fato concreto é que foi ali que o Gato do Maracanã viu sua carreira chegar ao ponto final.

Ramallets disputou 473 partidas pelo Barcelona, número superado apenas por Andoni Zubizarreta e Victor Valdés entre os goleiros do clube. Já pela seleção espanhola, o catalão soma 35 aparições, tendo a Copa de 1950 no currículo. Fica para a história com um dos maiores que já passaram pelas metas da Espanha e, sobretudo, como o primeiro goleiro a ser ovacionado pelo Maracanã.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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