Espanha

Michu confirma o adeus com uma sensível carta: “Obrigado, futebol, meu eterno amigo”

Aos 31 anos, Michu precisou dizer o basta que nenhum futebolista profissional gosta – ainda mais quando se vê obrigado, diante da falta de alternativas para recuperar sua saúde. Por conta de problemas crônicos no tornozelo direito, o atacante aposentou-se de maneira um tanto quanto precoce. Fenômeno em seus tempos de Rayo Vallecano e Swansea, o veterano arrastou sua luta contra as lesões nos últimos anos. Passou pelas divisões semiprofissionais da Espanha, até viver a última temporada no Real Oviedo, clube que o lançou ao futebol. Contudo, as dificuldades o levaram a pendurar as chuteiras, após disputar 27 partidas na última edição da segundona espanhola.

VEJA TAMBÉM: Atordoado por lesões, Michu, ex-Swansea, se aposenta aos 31 anos no seu clube de coração, Oviedo

O anúncio de Michu já tinha sido antecipado pela imprensa local. No entanto, o atacante deu ainda mais sensibilidade ao momento através de suas redes sociais. Publicou uma carta, em que não só relembra a sua trajetória nos gramados, como também faz um amplo agradecimento ao futebol por tudo o que experimentou. Relato tocante que mostra o grande caráter, acima do jogador que chegou à seleção espanhola. Merece toda a sorte nos novos rumos de sua vida.

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Querido futebol,

O estado atual do meu tornozelo direito, de acordo com os médicos, faz com que eu me veja na obrigação de dizer-te adeus como futebolista profissional.

Porém, ainda que esteja me despedindo com muita dor, sei que sempre estaremos unidos. De coração, agradeço por todos os momentos mágicos que você me presenteou durante esse tempo. Eu me sinto um privilegiado por cumprir o sonho de tantos meninos, que começamos a flertar contigo desde pequenos. O sonho de chegar a ser profissional neste esporte.

Além disso, as pessoas me deram um carinho impagável, graças a você, que nunca poderei retribuir. De verdade, eu não fiz nada para merecer tanto. Você me levou a Vigo para jogar no Celta, a Madri para jogar no Rayo Vallecano, a Gales para jogar no Swansea, à Itália para jogar no Napoli e a Felguera para jogar no Langreo. Inclusive, conseguiste que eu representasse o meu país vestindo a camisa da seleção espanhola, compartilhando o vestiário com companheiros campeões do mundo.

Graças a você, conheço países e cidades maravilhosas, mas sobretudo fico com a gente que colocou no meu caminho, a qual levo no coração para toda a vida.

Eu gostaria de fazer uma menção especial ao Real Oviedo, porque tudo o que eu pude fazer no campo, este clube me ensinou. Lembrança particular para todos os oviedistas do mundo, sem eles não poderia ser feliz durante toda esta viagem. Cada palavra de alento e de ânimo me fizeram seguir adiante, quando qualquer um teria jogado a toalha.

Antes de terminar, queria dizer-te que me considero um tipo honrado graças à educação que recebi de minha família, e que sempre tentei dar tudo o que tinha dentro de mim, em cada clube ao qual me levaste. Mas, se em determinado momento eu causei o desgosto por minhas atuações a algum de seus aficionados, que te amam com loucura como eu, eu os peço desculpas de coração.

Obrigado, eterno amigo.
Sempre estarei em dívida contigo!!!

Sempre teu,
Miguel Pérez Cuesta, “Michu”.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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