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Messi, 30 anos: mágico, decisivo, discreto, artilheiro, recordista e gênio

Lionel Andrés Messi chega neste sábado, dia 24, aos 30 anos de idade. O argentino já ganhou um lugar entre os maiores da história com suas atuações, gols e com o encanto que causa. Quebrou tantos recordes que é difícil listar todos. E os seus 30 anos não indicam sinal de que o jogador deixará de render nos próximos anos. Ao longo da sua carreira, Messi pareceu ganhar mais e mais qualidades, pareceu adicionar recursos ao seu repertório e chega aos 30 anos como um dos jogadores mais completos do futebol.

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Messi subiu para o time principal do Barcelona em 2004, quando subiu para o time profissional. Tinha 17 anos, três meses e 22 dias. Há 13 anos e parece ainda que faz pouco tempo. Desde então, Messi criou uma era. Que talvez só não seja lembrada como era Messi porque é impossível não colocar também Cristiano Ronaldo. Os dois marcam a história deste tempo. São os dois maiores craques da geração, e por muito.

No início da carreira, Messi se destacava pela habilidade e velocidade pelas pontas. Jogou muito pelo lado direito, formando um ataque marcante ao lado de Ronaldinho e Samuel Eto’o. Ronaldinho foi o seu mentor, de certa forma, mas Messi tem o seu próprio estilo. Menos mágico que Ronaldinho, mas tão letal quanto Ronaldo. Tão decisivo e discreto quanto Rivaldo. É, porém, mais longevo que todos eles.

Um craque que há 10 anos joga no mais alto nível do futebol mundial. Estabeleceu uma era adicionando mais e mais recursos. De ponta rápido e hábil, tornou-se um artilheiro como poucos na história, uma visão de jogo que lhe permite ser preciso também nas assistências. Passou a ser cobrador de faltas com o tempo. Falso nove, camisa 10, criador, finalizador, passador. É um jogador que parece ter um repertório que só cresce à medida que o tempo passa.

Messi, segundo outras pessoas
Lionel Messi, da Argentina (Photo by Amilcar Orfali/LatinContent/Getty Images)
Lionel Messi, da Argentina (Photo by Amilcar Orfali/LatinContent/Getty Images)

Definir Messi é muito difícil em poucas palavras. Seria necessário ter a genialidade dele em campo traduzida em palavras. Alguns tentaram e criaram frases ótimas sobre o craque argentino que veste a 10 do Barcelona e da albiceleste.

Jorge Sampaoli, técnico da seleção argentina diz que “Comparar Messi com os outros é como comparar um bom policial com o Batman”. Já Pep Guardiola, seu técnico no Barcelona e atualmente no Manchester City, diz que “Não se pode entrar na cabeça de Messi, é um superdotado”. Koke, do Atlético de Madrid, define de um jeito curioso: “Cristiano Ronaldo é um atleta, Messi é um deus”.

Até mesmo alguns jogadores conhecidos por sua forma bastante, digamos, confiante de ser elogiam Messi. Zlatan Ibrahimovic, que foi seu companheiro no Barcelona na temporada 2009/10, disse: “Não há ninguém melhor que Messi. A Bola de Ouro deveria ter o nome dele”. Alex Ferguson, ex-treinador do Manchester United, foi além: “No mesmo nível de Pelé e Maradona está Messi, na galeria dos melhores de todos os tempos”.

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Figo também tem uma frase forte sobre Messi: “Para mim, ver Messi jogar é um prazer. É como ter um orgasmo. É um prazer incrível”. Uau. Um dos mestres dos treinadores atuais, Marcelo Bielsa, atual treinador do Lille, também falou sobre o jogador. “Messi é incomparável. Desde que o vi, é assombroso tudo que faz”.

Duas frases mostram como o que faz Messi em campo é incrível. “Messi é um jogador de Playstation. As coisas que são impossíveis ele faz serem possíveis”, disse Arsène Wenger, uma das vítimas do craque nos duelos com o Arsenal na Champions League. “Faz coisas que não via nem Oliver e Benji fazerem, é um extraterrestre”, descreveu Luis Enrique, agora seu ex-treinador, fazendo referência ao Supercampeões, com o personagem craque Oliver Tsubasa e seus movimentos inacreditáveis e golaços que pareciam impossíveis.

Apesar de viver em Barcelona desde os 13 anos, Messi mantém um sotaque argentino marcante. Não é por acaso. Morar em Barcelona é um detalhe geográfico, porque ele mora em uma pequena Rosario, com amigos e a sua família perto dele. Inclusive com algumas coisas argentinas que ele não abre mão: o doce de leite e o mate são prazeres que Messi importa para ter sempre à mão. Tinha como um dos seus pratos favoritos o bife à milanesa, mas superou por causa da vida de atleta.

Torcedor do Newell’s Old Boys, foi no clube de Rosario que ele começou a sua carreira ainda criança. Mudou para Barcelona aos 13 anos e é jogador do Barcelona desde então, com o clube catalão pagando o seu tratamento por um problema hormonal de crescimento. Quando surgiu a possibilidade de nacionalização espanhola, a Argentina tratou de buscar o craque para que ele jogasse nas categorias menores. Foi campeão mundial sub-20 em 2005 como craque do torneio, além de artilheiro com seis gols. Em 2008, ganhou a medalha de ouro com a Argentina em Pequim.

Na seleção principal, Messi ainda não conseguiu o tão sonhado título. Foi vice-campeão da Copa América três vezes, em 2007, 2015 e 2016. Foi vice também na Copa do Mundo de 2014. Ainda que sem títulos, Messi é o maior artilheiro da história da seleção argentina, com 58 gols marcados – até agora, porque a marca deve aumentar significativamente.

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No Barcelona, a sua história é absolutamente gloriosa. Conquistou oito vezes o título do Campeonato Espanhol, cinco vezes a Copa do Rei, quatro vezes a Champions League e três vezes o Mundial de Clubes. Individualmente, é o maior artilheiro da história do clube com 507 gols – até agora, mais uma vez é bom dizer. Ganhou a Bola de Ouro cinco vezes, o recordista do prêmio.

Uma constatação é que já vimos a maior parte da carreira de Messi. Dificilmente veremos mais 13 anos de Messi, seria altamente improvável. É bem possível que estejamos vendo os últimos cinco, seis, sete, talvez oito anos de Messi jogando futebol. Por um lado, a sensação é que fará falta. Por outro, há muito ainda o que ver de Messi. Inclusive algo que é sempre interessante de ver: como os gênios se adaptam ao passar do tempo, às mudanças físicas. Alguns mudam de característica, outros até de posição. Com tantos recursos que adicionou ao seu repertório, é de se imaginar que Messi tenha muito o que oferecer ainda. O melhor que podemos fazer é desfrutar. Desfrutar deste gênio enquanto ele joga. Porque mais da metade da carreira do craque já foi. E o tempo, implacável, eventualmente levará Messi dos campos para deixá-lo definitivamente na história.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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