Espanha

Lopetegui: “Eu não entro em ideologias, o comportamento de Piqué na seleção é extraordinário”

Gerard Piqué continua no foco da preparação da seleção espanhola rumo aos seus últimos compromissos nas Eliminatórias da Copa. O posicionamento do zagueiro sobre a independência da Catalunha não agradou a todos e ele vem sendo alvo de seguidos protestos, como ocorreu nesta segunda-feira, durante um treinamento da Roja aberto ao público. Depois do incidente, Julen Lopetegui falou sobre o jogador. Deu diferentes entrevistas respaldando o defensor e pedindo para que o foco permaneça no futebol, sem duvidar do comprometimento de seu comandado com a equipe nacional.

“Piqué não é um problema para nós. Ele é um jogador excelente e melhora o time. Então, obviamente ele vai permanecer conosco – ele sempre deu seu máximo e está relaxado, está bem. Talvez ele seja julgado por sua visão política, mas indubitavelmente está comprometido conosco e nunca nos desapontou”, declarou Lopetegui, em entrevista à Cadena Ser. “Gerard é o jogador e eu sou o técnico, então temos que conversar sobre futebol e nosso desejo de chegar à Copa do Mundo. O futebol une”.

Ao programa ‘El Partidazo’, da Rádio COPE, Lopetegui complementou sua visão: “Eu nem entro e nem saio em ideologias, o comportamento que Gerard tem com a seleção é extraordinário. Eu queria saber como ele estava, o vi com gana e motivado. Está bem, se não fosse assim, não estaria comigo. Espero que a situação se acalme, porque estamos jogando pela vaga na Copa, e todos devemos fazer a nossa parte. Conversei com ele e expliquei que temos a obrigação em gerar um bom ambiente para a partida. Todos na seleção precisam jogar água no fogo, não gasolina”.

Além disso, o treinador não demonstrou arrependimento pela sessão de treinos aberta nesta segunda. A atividade durou apenas 30 minutos, com torcedores vaiando e protestando contra Piqué. “Seria um erro fechar o treinamento. As pessoas têm o direito de se manifestarem, ainda que a razão se perca com os insultos”, se posicionou. Já nesta terça, em seu twitter, o treinador ressaltou que o time precisa “do apoio de Alicante e de sua grande torcida para dar um passo-chave rumo à Copa”.

Ao longo das últimas horas, alguns jogadores e ex-jogadores da Espanha se posicionaram em defesa de Piqué. Além disso, o tenista Rafael Nadal foi outro que condenou os “radicalismos” contra o zagueiro, depois de manifestar sua “desilusão com as ações das forças de segurança espanhola durante a eleição na Catalunha”. Entretanto, segundo a imprensa local, o clima nos bastidores é conturbado. O AS relata a insatisfação do capitão Sergio Ramos com as declarações de seu companheiro de zaga.

No último domingo, questionado sobre o conflito entre seu posicionamento político e a presença na seleção, Piqué foi enfático: “Creio que posso seguir defendendo a seleção, porque há muita gente na Espanha que condena o que se passou hoje e crê na democracia. Mas se o técnico ou a federação acham que eu atrapalho, não tenho problemas em deixar a seleção. Não é uma questão patriótica ir à seleção. Quem vai não é o mais patriota. É preciso ir e dar o máximo, como eu. Existiram jogadores naturalizados. Basta ir e jogar o melhor possível para ganhar”.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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