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Diante dos limites, Athletic faz um ótimo negócio com Beñat

Por sua tradição, o Athletic Bilbao tem um mercado de transferências bastante restrito. A partir da década de 1910, os leones instituíram as regras de contarem apenas com jogadores locais – primeiramente, apenas os nascidos em Biscaia, abrangendo posteriormente os originários de outras regiões do País Basco e os descendentes de basco. Não à toa, o grosso do investimento feito pelo clube vai para as categorias de base.

Quando surge um jogador dentro das condições impostas, no entanto, o Athletic não costuma titubear para trazê-lo. Foi assim, por exemplo, quando a diretoria desembolsou € 7,5 milhões para contratar Ander Herrera, que acabara de estourar com o Zaragoza. Ou quando tirou Javi Martínez ainda da base do Osasuna, por € 6 milhões, causando uma celeuma entre os clubes. O jogo duro para manter o próprio Martínez e Fernando Llorente na última temporada, apesar das boas propostas do exterior, também demonstram isso.

Dentro desses limites, o Athletic fez uma das melhores movimentações possíveis para a próxima temporada. Os leones pagaram € 8 milhões ao Betis para contar com Beñat Etxebarria. Formado em San Mamés, mas pouco aproveitado, o meio-campista deixou o clube de graça em 2009. Analisando apenas a conta bancária, os bascos terão prejuízo, o que inexpressivo diante da possibilidade de adicionar uma nova estrela ao elenco.

Beñat teve um desempenho excelente nas últimas três temporadas com o Betis. Excelente na organização do meio de campo, o camisa 10 prima pela qualidade nos passes e pela precisão nas cobranças de falta. Como reconhecimento pelas atuações, passou a ser convocado até mesmo para a seleção espanhola, somando quatro partidas pela Fúria. No Athletic, deverá formar dupla talentosa com Ander Herrera, na equipe agora dirigida por Ernesto Valverde.

Ainda que não tenha o dinheiro de Real Madrid e Barcelona, o Athletic Bilbao está longe de ter dificuldades financeiras como outros clubes espanhóis. No caso, o problema é saber a melhor maneira de investir – quase sempre, apostando na formação de pratas da casa. E, já que organizadores de jogo como Xavi e Iniesta estão fora de seus planos por pura ideologia, nada mais justo que gastar um pouco mais com um bom nome como Beñat.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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