La Liga

Tantas vezes questionados, Stegen e Navas merecem ser exaltados pelas atuações gigantes

Soa um pouco inconcebível dizer isso, em uma partida de cinco gols. No entanto, se o Real Madrid 2×3 Barcelona foi um jogo tão grandioso, os goleiros têm responsabilidade direta nisso. Protagonistas inegáveis em uma noite de futebol na mais pura essência dentro do Estádio Santiago Bernabéu. Pela apoteose a dez segundos do fim, Lionel Messi deixou o campo como grande personagem. Não fosse isso, não seria exagero dizer que Marc-André ter Stegen e Keylor Navas terminaram como os melhores em campo. Os dois, juntos. Porque seria injusto premiar o alemão sem exaltar do costarriquenho, e vice-versa. Você pode ter a preferência por um ou outro. Fato é quem ambos se agigantaram neste domingo. O placar seria muito mais elástico sem eles.

Tanto Stegen quanto Navas passaram por momentos de provação nos seus clubes. O merengue, ainda passa, realmente oscilando na atual temporada, diante de novas notícias sobre a contratação de um goleiro “de grife”. Entretanto, o que ambos jogaram neste clássico passa por cima das desconfianças. Até existiram alguns sustos. Pouquíssimo, diante de tantas intervenções milagrosas. Os jogadores de Barça e Real precisaram ser perfeitos para superar os arqueiros. Só assim, em cinco bolas nas redes indefensáveis.

Ter Stegen trabalhou mais. Foram 14 chutes contra a sua meta, e ele pegou 12. Demonstrou segurança em vários momentos, agarrando os arremates merengues sem dar rebote. Posicionamento excelente. Elasticidade, para voar em diversas bolas que pareciam ter endereço. E no momento mais espetacular, fez o “X”, como um legítimo goleiro de handebol para barrar Benzema. Técnica de treinamento que só ressalta a forma do alemão, cada vez mais firme sob as traves blaugranas.

Durante seu início no Barcelona, Stegen sofreu com a temeridade. Claudio Bravo, de fato, passava por um bom momento. Mas ninguém no clube duvidava que o prodígio seria o futuro. Depois, passou a ser exaltado principalmente com o jogo pelos pés. Ambidestro, costuma ser elogiado por quem acompanha os treinos como um “goleiro com capacidade técnica de meio-campista”. Mas se ele veste luvas e a 1, é por uma competência imensa em sua verdadeira vocação. Às vésperas de completar 25 anos, vive o seu melhor momento desde que chegou ao Camp Nou. Cresceu em partidas nas quais o Barça estava pressionado. Contribuiu demais no clássico, especialmente no começo de ambos os tempos.

Mas enquanto o blaugrana fechava o gol de um lado, Navas também parecia intransponível do outro. Não pegou tantas bolas, mas fez até mais defesas difíceis. A saída estabanada nos acréscimos do primeiro tempo, com Messi desperdiçando excelente chance, poderia indicar a falta de estabilidade camisa 1. Não foi o que se viu na segunda etapa. O Real Madrid só permaneceu vivíssimo no confronto, com um a menos, por causa do costarriquenho. Fechando o ângulo com enorme competência, retardou o segundo gol, e também evitou o terceiro o quanto pôde até que James Rodríguez empatasse.

Inegavelmente, Navas tem uma contribuição considerável na conquista da Champions em 2016. Sofre com os erros na atual temporada, enquanto discute-se a contratação de David de Gea e Thibaut Courtois. Mas, em sua posição, confiança costuma ser fundamental. E o moral do costarriquenho cresce diante do que fez no Bernabéu, apesar da derrota. Seu profissionalismo nos treinos é bastante exaltado, pela maneira como se empenha em cada bola. Algo que, agora, pode se refletir mais nos jogos. Como um goleiro que se aproveita bastante da explosão, a concentração é necessária para elevar seu nível. Como se viu neste domingo.

Em dois clubes nos quais os atacantes são colocados em um pedestal e os arqueiros sofrem questionamentos em cada tropeço, destacar o trabalho de Stegen e Navas é fundamental. Dois goleiraços, que muitas vezes não recebem a consideração merecida. A história do clássico memorável deste domingo não pode ser contada sem citar os dois paredões.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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