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O adeus de um ídolo: Após 10 anos como guardião do Athletic, Iraizoz se despede de San Mamés

Durante uma década ele permaneceu lá, guardião dos sonhos e dos anseios em San Mamés. Gorka Iraizoz se transformou em um dos maiores símbolos da meta do Athletic Bilbao. Adorado pelos torcedores e respeitado pelos adversários, construiu uma trajetória inquebrantável pelos leones. E que depois de tantas alegrias, de tantas partidas, chega a um fim nesta temporada. Aos 36 anos, o goleiro não terá o seu contrato renovado com os bascos. Neste final de semana, despediu-se daqueles que tanto o aplaudiram. Pela última vez, recebeu a ovação em San Mamés Barria, arremessado pelos ares por seus companheiros.

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Com passagem pelo segundo quadro do Athletic no início da carreira, Iraizoz desembarcou em 2007. Não tinha tanto cartaz assim, após ser reserva do Espanyol. Entretanto, logo se colocou como um gigante no resguardo dos leones. Em sua primeira temporada, desbancou o outrora intocável Daniel Aranzubia. Já a partir do segundo ano, o clube fez a sua decisão: Aranzubia foi negociado com Deportivo de La Coruña, enquanto Iraizoz afirmou sua condição como novo dono da meta alvirrubra. Assim permaneceu até os últimos meses, se ausentando em pouquíssimas partidas do time. Colecionou grandes defesas e cada vez mais fãs.

Iraizoz tinha como uma de suas principais características crescer em jogos grandes. Assim, frustrou muitas vezes Barcelona e Real Madrid. Faltaram títulos maiores que referendassem sua história. Mas não grandes campanhas, em especial a rumo à decisão da Liga Europa 2011/12, deixando tantos adversários de peso pelo caminho. Ajudou os leones a superarem adversários de peso, como Manchester United, Schalke 04 e Sporting. Sucumbiu apenas para o Atlético de Madrid na final em Bucareste, em atuação avassaladora de Radamel Falcao García. Ao menos deu sua contribuição na última taça erguida em três décadas, a festejada Supercopa da Espanha de 2015, que levou milhares de pessoas às ruas de Bilbao para celebrar o triunfo sobre o Barcelona. E não foi a falta de jogos pela seleção espanhola que o impediu de contar com sua própria nação.

Nesta temporada, Iraizoz perdeu a posição para o jovem Kepa Arrizabalaga, 13 anos mais jovem. Um processo natural. Faltou apenas um pouco mais de consideração do técnico Ernesto Valverde na última partida do veterano em San Mamés Barria. Teve que assistir do banco de reservas ao empate por 1 a 1 com o Leganés. Já os companheiros não se acanharam em homenagear aquele que, enquanto permaneceu em campo, foi seu capitão. Jogado para o alto, o paredão ouvia a torcida cantando o seu nome. Honra digna a um verdadeiro ídolo.

Durante parte da homenagem em San Mamés Barria, Iraizoz também carregou no colo sua filha, Martina. A menina protagonizou uma bonita passagem na véspera do jogo, conforme contado em carta escrita pela esposa do goleiro: “Ontem, Martina perguntava: ‘Essa é a sua última partida em San Mamés? Já não vai mais jogar lá?’. Você a colocou em seus joelhos, tentando explicar com grande delicadeza e não podendo evitar que as lágrimas caíssem. Realmente, você deixa a casa em que viveu por 10 anos e isso não é fácil. Como bem dizes, deixa essa família que é o Athletic. Embora saibamos que vamos nos distanciar, a família sempre está por perto, e eles sempre estarão”.

Nesta quarta, Iraizoz receberá um novo tributo, em evento que contará com as presenças de José Ángel Iribar e Carmelo Cedrún. Juntos, os três arqueiros que mais vestiram a camisa do Athletic. Somando 392 jogos, Iraizoz também aparece entre os 20 que mais entraram em campo pelo clube – um clube, vale ressaltar, ainda hoje de muitos jogadores duradouros. Já no final de semana, a última oportunidade acontece na visita ao Atlético de Madrid pela rodada final de La Liga. Uma tarde que já guardará a despedida dos colchoneros no Vicente Calderón, mas também poderá oferecer os aplausos ao goleiro que tanto se identificou com os leones.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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