La Liga

Contra o “ex-futuro clube”, Kepa teve uma atuação gigantesca no Bernabéu

Kepa Arrizabalaga esteve entre os principais assuntos do Real Madrid em janeiro. O camisa 1 era alvo da diretoria merengue, em sua interminável sanha por um novo goleiro. Em certo momento, o negócio até pareceu próximo de acontecer. Os madridistas pagariam €20 milhões pela rescisão do contrato do prodígio, que até passou por exames médicos. Entretanto, para prestigiar Keylor Navas e evitar a saída de Kiko Casillas no meio da temporada, Zinedine Zidane preferiu rechaçar o jovem basco. Resultado: Kepa renovou seu vínculo com o Athletic Bilbao, que quadruplicou a multa. Já nesta quarta-feira, o arqueiro se reencontrou com o “ex-futuro clube”. Pela primeira vez em sua carreira, pisou no gramado do Santiago Bernabéu. E teve uma atuação gigantesca para garantir o empate por 1 a 1, importante aos leones principalmente pelo simbolismo.

Desta vez, o Real Madrid contou com força máxima para o duelo de La Liga, sem poupar seus protagonistas. E, embora a iniciativa fosse dos merengues, com direito a uma bola de Cristiano Ronaldo no travessão logo nos primeiros minutos, o Athletic Bilbao começou bem a noite no Bernabéu. Conseguiu se segurar e, escapando ao ataque, abriu o placar logo aos 14 minutos. Belíssima enfiada de Iñigo Córdoba para Iñaki Williams, que deu um toque por cobertura na saída de Keylor Navas.

O Real Madrid se postava no campo de ataque, mas encontrava dificuldades para criar chances contra um adversário bem organizado – bem diferente de outras jornadas do Athletic nesta temporada, aliás. Os merengues confiavam especialmente na vitalidade de Marco Asensio e Lucas Vázquez pelos lados do campo. Porém, quando achavam o espaço para finalizar, viam Kepa se engrandecer. A cada momento em que era exigido, o goleiro cumpria a sua missão. Parecia disposto a mostrar serviço no Bernabéu, com ao menos quatro defesas difíceis. Superava as ameaças constantes de Cristiano Ronaldo e, quando Asensio fez fila pela direita, pouco antes do intervalo, o arqueiro operou um verdadeiro milagre para evitar o empate.

O Athletic também tinha as suas limitações ofensivas, dependendo quase que exclusivamente das arrancadas de Williams. Mas quando o Real Madrid diminuiu o ritmo na volta para o segundo tempo, quase os bascos ampliaram, em bola que sobrou para Raúl García e o meio-campista estalou o travessão. A partir de então, os merengues aumentaram suas cargas rumo ao ataque, com as entradas de Isco e Gareth Bale. Kepa seguia monumental. Somente aos 42 é que os madridistas conseguiram vencer o arqueiro. O chute de Luka Modric ia para fora, mas Cristiano Ronaldo deu um leve desvio com o calcanhar para determinar o empate. O resultado saiu justo para a insistência dos anfitriões, mas não ao esforço do goleiro.

Com o resultado, o Real Madrid permanece na terceira colocação do Campeonato Espanhol, com 68 pontos. Até abriu vantagem em relação ao Valencia, derrotado pouco antes pelo Getafe. Já o Athletic Bilbao segue em frente em sua decepcionante campanha no Espanhol. É apenas o 13°, com 40 pontos – longe da zona de classificação da Liga Europa, mas ao menos sem sofrer riscos de rebaixamento. Das poucas coisas positivas que podem ser tiradas, Kepa é uma delas. Faz por merecer a adoração e a confiança, mesmo que quase tenha fraquejado pelo Bernabéu.

Ao todo, o goleiro de 23 anos realizou nove defesas contra o Real Madrid, seu recorde pessoal. Em um clube que costuma idolatrar seus goleiros, como o Athletic, está no rumo certo. E sabe que pode mais. A atuação contra os merengues serve para valorizar sua candidatura à Copa de 2018. Com David De Gea intocável como titular e Pepe Reina oferecendo sua experiência na reserva, sobra a terceira vaga na seleção espanhola. Ainda que hajam outros candidatos, nenhum deles exibe a forma e o moral de Kepa. Além da serenidade sob as traves e da grande agilidade, sua gana em Madri proporcionou uma belíssima exibição. Para mostrar que, mesmo sem seguir ao Real, é um goleiraço.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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