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Don Andrés Iniesta, aplaudido por torcedores rivais e ponto chave da medula do Barcelona

Uma das dúvidas de Luis Enrique para o clássico com o Real Madrid era a escalação do meio-campista Ivan Rakitic, que se recuperava de lesão. Foi possível escalar o croata, que teve boa atuação. Sergio Busquets também foi bem, mostrando mais uma vez a qualidade que o torna um dos melhores do mundo na sua posição. Mas o melhor entre os meio-campista do Barcelona foi mesmo Andrés Iniesta. A classe do camisa 8, novo capitão do time nesta temporada, após a saída de Xavi Hernández, mostrou o que sabe fazer melhor: um jogo de inteligência e elegância, com um golaço para coroar.

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Não por acaso, Iniesta foi aplaudido em campo quando foi substituído, no segundo tempo. Uma situação bastante diferente do que se viu com Gerard Piqué, vaiado intensamente todas as vezes que tocava na bola. Bom, ao menos no primeiro tempo. Mas o que torna a relação dos torcedores tão diferente com Piqué e Iniesta? Não é difícil entender.

Piqué, 28 anos, nasceu em Barcelona. É catalão e, mais do que isso: ele deixa clara a sua posição favorável à independência da Catalunha. É um ativista da causa e isso fica evidente nas suas entrevistas e atitudes, como levar a bandeira da Catalunha para comemorar o título da Champions League, ao final da temporada passada. Além disso, o zagueiro gosta de provocar o Real Madrid e agradeceu ao cantor Kevin Roldán, que esteve na festa de 30 anos de Cristiano Ronaldo dias antes da derrota por 4 a 0 no clássico com o Atlético de Madrid.

O zagueiro já foi vaiado em setembro, atuando pela seleção espanhola, nos jogos contra Eslováquia e Luxemburgo, em Oviedo e Logrono. Em Alicante, onde a Espanha enfrentou a Inglaterra, no dia 13 de novembro. A Federação Espanhola chegou a desistir de um jogo da seleção no estádio Santiago Bernabéu por causa do zagueiro.

Muito diferente de Iniesta. A atuação de gala ajudou, mas o prestígio do jogador também. Aos 31 anos, é um dos jogadores mais reconhecidos do mundo e, claro, da Espanha. Nascido em Fuentealbilla, na província de Albacete, é fruto da base do Barcelona sem ser catalão. Defende a seleção da Espanha como um dos seus melhores jogadores. Fez o gol do título mundial em 2010. Tudo isso contribui para os aplausos, que têm também um fator importante de protesto. Afinal, aplaudir o adversário, como a torcida merengue já tinha feito em 2005 com Ronaldinho, é também uma forma de protesto contra o próprio time.

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Mesmo com o rival sem conseguir encantar, como é sempre uma exigência da torcida do Real Madrid, o elenco vasto de talentos e a base consolidada do time merengue sugeriam um jogo melhor. O que se viu em campo foi a imposição de um time sobre o outro, com uma diferença clara de estilo. Este, aliás, foi o plano do Barcelona. Ao final do jogo, Iniesta comentou exatamente isso.

“Nos interessava sermos nós mesmos e fizemos isso”, declarou o camisa 8 do Barcelona. “Fizemos uma partida completa e na hora de tomar a bola e buscar superioridade. Fomos muito efetivos”, analisou o meio-campista. “Queríamos ganhar com a maior diferença de gols e quanto mais distância, melhor”, explicou ainda o ambicioso Iniesta. “Estou muito agradecido às pessoas pelos aplausos”, concluiu, falando sobre o momento que foi substituído.

Iniesta foi o quarto jogador que mais tocou na bola na partida com 78 toques, atrás de Jordi Alba (89), Toni Kroos (82) e Dani Alves (79). Como se vê, o Barcelona usou muito seus laterais para a saída de bola, mas logo ela chegava aos pés de Iniesta, que armava o jogo para o time. Em número de passes, isso também fica muito claro: o camisa 8 passou a bola 69 vezes, menos apenas que Alba (79) e Kroos (71). Se considerarmos só os passes certos, Iniesta fez 66 corretos, menos apenas que Jordi Alba, com 69, mas com índice de acerto maior: 96%.

Isso mesmo: Iniesta ficou entre os que mais tocou na bola, entre os que mais passaram e, mesmo assim, teve acerto de passes de 96%. É muito alto. É o mesmo índice de Piqué, que faz passes mais simples e curtos, e que Ivan Rakitic, companheiro de meio-campo de Iniesta. Kroos teve 95% de aproveitamento, mas quase sempre tocou só de lado. Não teve a profundidade. Os números de Iniesta vão além: ele foi o que mais driblou na partida, quatro vezes. Mais do que Neymar, com três.

Neymar pode ter sido o melhor da partida, Suárez foi o artilheiro e Sergi Roberto ter chamado a atenção por ter tido ótima atuação no clássico sendo uma surpresa. Iniesta, porém, mostrou a sua classe habitual em um jogo que o Barcelona deu um banho de estilo sobre um rival que persegue exatamente isso como objetivo: ter um estilo de jogo ofensivo, atraente, encantador. Viu tudo isso pelo lado do time de Don Andrés.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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