EspanhaInglaterraLa LigaPortugalPremier League

Cristiano Ronaldo chega aos 30, e listamos 10 razões que já o fazem um dos maiores da história

Cristiano Ronaldo completa 30 anos nesta quinta-feira. A excelência física e técnica apontam que o craque ainda tem muito a fazer dentro de campo, mesmo chegando à idade que geralmente é apontada como ápice de um jogador de futebol. Se quiser parar neste momento, entretanto, o camisa 7 já estaria garantido entre os melhores da história do futebol. Sem querer determinar o degrau, pelo menos em um Top 15 já estaria – e jogando por baixo, porque poderia estar muito além para muita gente, embora também haja quem discorde, e com suas razões.

Para chegar tão alto, Cristiano Ronaldo não precisou brilhar em uma Copa do Mundo, requisito mínimo para muitas lendas. E as chances de conquistar o título com Portugal são praticamente nulas – por mais que ele tenha batido na trave na Eurocopa, com o vice para a Grécia em 2004. Nada que fará falta quando se analisar a sua trajetória por completo. Porque, em três décadas de vida, e 13 anos como profissional, o atacante superou diversos outros nomes eternizados no panteão do futebol. Conquistou os maiores títulos por clubes, quebrou recordes, venceu premiações individuais. Sobretudo, encantou pessoas, o básico para qualquer um ser endeusado. E foram algumas dezenas de milhões que se renderam à classe de Ronaldo, muito por conta dos dez motivos que listamos abaixo:

>>> Universidade canadense cria curso de sociologia para estudar CR7
>>> O filho de Ronaldo tem algo valioso a ensinar sobre a rixa com Messi

– Porque é ídolo incontestável em dois dos maiores clubes do mundo

Ganhar duas vezes a Champions não é tão raro assim. Duas vezes por clubes diferentes, no entanto, poucos jogadores conseguiram.  E duas vezes como maior protagonista, só Cristiano Ronaldo. O título continental, seguido pela Bola de Ouro em 2008 e em 2014, são os maiores símbolo da importância que o camisa 7 chegou em seus dois principais clubes. No Manchester United, estourou para o futebol. Conquistou quase todos os títulos possíveis, incluindo um memorável tricampeonato inglês. Já no Real Madrid, levou o clube à sonhada La Décima. Superou números históricos de craques como Di Stéfano e Raúl. E está pronto para ampliar ainda mais a sua lenda. Ser tão grande em clubes de tanta camisa é um feito para pouquíssimos.

>>> A atuação de gala que definiu a carreira de Cristiano Ronaldo
>>> Algumas das maiores artes de Cristiano Ronaldo viraram uma animação sensacional

– Porque suas marcas na Champions e nas ligas nacionais são fantásticas

Cristiano Ronaldo superou o total de gols de todos os antepassados da Champions antes de chegar aos 30 anos. E, com 73 bolas nas redes, deve brigar tento a tento pelo recorde histórico no torneio. Porém, será difícil alguém tirar tão cedo do português a marca de 17 gols em uma única edição, registrada com apenas 11 partidas. Já outro recorde ao qual ele se encaminha está nos campeonatos nacionais. Considerando o Português, o Espanhol e o Inglês, CR7 soma 292 gols pelas ligas. É o 13º maior artilheiro da história, considerando os seis principais países. Ainda pode sonhar em superar os 404 gols do alemão Uwe Seeler. Difícil só ir além dos 537 tentos de Josef Bican, recordista em toda Europa desde os tempos do Império Austro-Húngaro. E isso sem falar no topo da artilharia da seleção portuguesa, na qual Ronaldo ultrapassou Eusébio.

– Porque consegue ser um jogador do futuro com números de lendas do passado

Definitivamente, Cristiano Ronaldo é um jogador anacrônico. O seu ápice físico sugere o que poderá ser mais comum no desenvolvimento da preparação dos atletas daqui a alguns anos. Em contrapartida, os números do camisa 7 sugerem outros tempos do futebol, em que havia mais espaço para se jogar – até mesmo pela menor exigência física. A média de 1,04 gols por jogo desde que chegou ao Real Madrid (a exceção de Messi) só pode ser encontrada nos livros de história, e com as páginas bem amareladas. Parece até mesmo um jogador do futuro que pegou o DeLorean do Doctor Brown para jogar no presente, e desfrutar da mesma superioridade (física, técnica, tática) que Pelé ou Di Stéfano tinham no passado.

>>> Cristiano Ronaldo se fantasia de morador de rua para surpreender uma criança
>>> Impossível? Cristiano Ronaldo tem tudo para fazer recorde de Messi virar pó em pouco tempo

– Porque é um atacante completo como poucos na história

Bate com a direita e a esquerda, além de ser ótimo cabeceador. Chuta fortíssimo, mas também tem a calma para arrematar colocado, e a técnica para colocar efeito na bola. Possui excelente impulsão e presença de área, assim como velocidade para arrancar pelas pontas. Serve os companheiros com visão de jogo e abre espaço para quem vem de trás. E, se precisar, tira o coelho da cartola, com um calcanhar ou qualquer outro recurso surpreendente. Cristiano Ronaldo possui a virtude de grandes artilheiros, mesmo não sendo o alvo na área. E sua própria trajetória permitiu que utilizasse esse talento para se aproximar do gol cada vez mais. Dos 17 aos 30 anos, atuou como meia, ponta e agora é segundo atacante no 4-4-2 do Real Madrid. Não é de se duvidar que termine a carreira como centroavante, quando seu físico não estiver mais no máximo – algo que aconteceu, por exemplo, na final da Champions, enfrentando problemas de lesão.

– Porque raros boleiros são tão atletas quanto ele

Cristiano Ronaldo possui a malícia dos grandes craques. O boleiro nato. Mas não pode atribuir o seu nível atual apenas ao talento natural. Há muito suor por trás de seu sucesso. E o profissionalismo que todos os companheiros costumam exaltar é o que realmente o levou tão longe. O atacante costuma ser um dos primeiros a chegar no treino e um dos últimos a sair. Mais do que afinar a técnica, também evoluiu a parte física. O menino magricelo do Sporting se transformou em um touro em Madri. Se corre mais rápido que os outros e pula mais alto que todo mundo, deve um pouco à genética e à suplementação, claro, mas também ao seu esforço na preparação.

>>> Conhece Tony Vairelles? Ele quase fez um jovem Cristiano Ronaldo ir para o Lyon
>>> Cristiano Ronaldo nos Invincibles do Arsenal? Segundo Jorge Mendes, quase aconteceu

– Porque ele faz mágica com a bola

Você pode nem se lembrar, mas por algum tempo Cristiano Ronaldo teve a fama de “firuleiro”. O meia esquerda do Manchester United abusava dos dribles nas jogadas de linha de fundo, mas não era tão efetivo no ataque quanto se transformou tempos depois. Tanto que chegou a ter uma briga pesada com Ruud van Nistelrooy em um treino, saindo no braço com o holandês após ser acusado de prender demais a bola. O camisa 7 se transformou bastante desde então e tornou-se bem mais objetivo. Diminuiu as jogadas de efeito, mas não as esqueceu. E possuí uma enorme quantidade de fintas, passes e domínios para deixar muita gente impressionada.

– Porque sabe engrandecer ainda mais sua imagem fora de campo

O futebol se joga dentro de campo. Mas também se constrói a imagem de um ídolo fora dele. E Cristiano Ronaldo se tornou um símbolo como poucos no esporte. O craque que vende milhares de camisas também é garoto propaganda que gera milhões de euros através de seu rosto. Quando quebrou o recorde de contratação mais cara da história, o Real Madrid também sabia que estava fazendo uma baita jogada de marketing – e que, por tudo o que renderia ao time, estaria longe de ser só marketing. Além do mais, a própria forma como CR7 se moldou nos últimos anos contribuiu para isso. Se antes era criticado por vaidade e egocentrismo, o craque tratou de deixar o seu lado humano mais exposto. Conseguiu ganhar mais fãs, sem perder a marra que lhe é tão característica – e que ressalta a sua personalidade.

>>> Cristiano Ronaldo, por se tornar cada vez mais humano, reforça sua imagem como imortal
>>> A analogia do técnico do Elche é ótima: “Cristiano Ronaldo é como Michael Jordan”

– Porque protagoniza a rivalidade em mais alto nível que já existiu

Não dá para negar: Cristiano Ronaldo só é tão grande por causa de Messi, e vice-versa. Dois craques espetaculares, que extrapolaram seus próprios limites do quando começaram a duelar, por títulos e premiações – em uma rivalidade transformada em inimizade mais por quem vê de fora. O sucesso de um impulsionou a ambição do outro. O Barcelona mais vitorioso em uma temporada gerou o embrião do Real Madrid de La Décima. Um ciclo que, mais do que vicioso, é virtuoso para os dois. O desejo de voltar a ser o melhor do mundo e superar outra vez o argentino levou o português novamente ao topo. Sorte a nossa de podermos ver, semana a semana, Ronaldo e Messi indo além. O duelo de maior categoria na história do futebol. E que, na história do esporte, só pode ser comparado a lendários do nível de Magic x Bird, Senna x Prost, Federer x Nadal ou Ali x Foreman.

– Porque as dezenas de prêmios individuais ressaltam sua grandeza

Semanas antes de completar 30 anos, Cristiano Ronaldo conquistou sua terceira Bola de Ouro. Não tão precoce quanto Messi, Cruyff ou Van Basten quando receberam o troféu pela terceira vez, mas à frente de Zidane no Prêmio da Fifa. E já colocando sua intenção de ao menos igualar o argentino como maior vencedor do prêmio. As três Bolas de Ouro, contudo, representam menos de 10% do total de suas condecorações individuais. Que incluem também três Chuteiras de Ouro, três artilharias da Champions e três eleições como melhor de sua liga nacional, entre tantos outros. Desde 2007, o camisa 7 é indicado consecutivamente para a seleção do ano na Europa. Representa muito a sua dominância.

>>> Se quiserem beatificar Cristiano Ronaldo, este garoto que estava em coma é o primeiro milagre
>>> Mesmo roubado e expulso do estádio, esse menino ganhou o dia graças a Cristiano Ronaldo

– Porque é até difícil escolher o melhor jogo de sua carreira

Talvez a parte mais difícil deste especial foi separar um grande jogo de Cristiano Ronaldo. Porque a escolha de sua atuação mais exuberante pode se tornar uma lista. Talvez nenhuma seja mais marcante que os 3 a 2 sobre a Suécia na repescagem da Copa do Mundo de 2014, que lhe valeu demais para a conquista da Bola de Ouro de 2013. Mas como esquecer o Sporting x Manchester United que o levou a Old Trafford? Ou a atuação exuberante contra o Aston Villa na Premier League 2007/08? Ou o jogo em que pediu calma ao Camp Nou, após decidir o clássico e deixar a taça do Espanhol nas mãos do Real Madrid?



Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo