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Conheça a história da foto mais famosa do clássico Barcelona x Real Madrid: o gol de Evaristo

Evaristo de Macedo é um dos artilheiros com maior história no futebol brasileiro. Ele foi o precursor de um caminho que muitas décadas depois seria seguido por Ronaldo Nazário, o fenômeno: ser ídolo e artilheiro no Barcelona e no Real Madrid. Cheio de recordes e títulos na carreira, Evaristo tem o seu momento mais marcante pelo Barcelona em um jogo de Copa dos Campeões, em uma época que o rival branco era completamente dominante. Foi como protagonista da primeira eliminação do então pentacampeão europeu que Evaristo escreveu um dos mais belos capítulos da história do clássico.

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A chegada de Evaristo de Macedo ao Barcelona aconteceu em 1957, em uma época que as transferências para a Europa eram muito mais raras que atualmente. Se hoje ir para o exterior jogar em um clube como Barcelona ou Real Madrid é ficar ainda mais perto da Seleção Brasileira, naquela época era o contrário. Evaristo era parte da Seleção até 1957, mas ao se transferir, acabou esquecido, como era comum acontecer. Mas o atacante, conhecido pela sua habilidade, marcou época jogando tanto pelo Barcelona quanto pelo Real Madrid, anos depois.

Até hoje Evaristo carrega um recorde: é o brasileiro com mais gols na história do Barcelona, que já teve tantos nomes importantes, como Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho, além de Neymar, o mais recente da linha de craques brasileiros a defender o clube blaugrana. Foram 178 gols em 226 jogos com a camisa azul e grená do Barcelona.

Evaristo foi o primeiro a marcar três gols em um só jogo no Camp Nou, que foi inaugurado no dia 27 de setembro de 1957. Foi no dia 9de março de 1958 que Evaristo conseguiu escrever o seu nome na história do estádio com três gols marcados contra o Valladolid, em uma vitória por 7 a 1. A prática de três gols no estádio se tornaria comum no time da Catalunha, especialmente por Lionel Messi nos dias atuais. Foi de Evaristo também a marca de ser o primeiro a marcar três gols no Real Madrid no Camp Nou. No dia 26 de outubro de 1958, Evaristo foi o protagonista de um 4 a 0 sobre o Real Madrid no estádio.

No Barcelona, Evaristo enfileirou títulos. Foi campeão da Copa das Feiras em 1957/58 e 1958-60, a Copa do Rei em 1958/59 e o Campeonato Espanhol em 1959 e 1960. Mesmo assim, aquele era o período de ouro do rival Real Madrid, que conquistou os cinco primeiros títulos da Copa dos Campeões da Europa (1955/56 até 1959/60). Por isso, mesmo sendo bicampeão espanhol e tendo em seu elenco jogadores do mais alto nível, o Barcelona era visto como um clube menor e mais fraco que o Real Madrid.

A temporada de 1960/61 deu uma oportunidade única ao time blaugrana: eliminar o todo poderoso pentacampeão e rival local. O Real Madrid jogava a Copa dos Campeões como detentor do título. Já o Barcelona era o representante espanhol, campeão da liga nas duas temporadas anteriores. Aliás, na temporada 1959/60, o Barcelona foi adversário do Real Madrid na semifinal da Copa dos Campeões, no primeiro confronto entre ambos na Europa. O Real Madrid mostrou a sua força ao vencer o rival catalão, então comandado pelo argentino Helenio Herrera. Os merengues venceram os dois jogos pelo mesmo placar, 3 a 1, varrendo o time da competição e caminhando rumo ao seu quinto título – que seria vencido em cima do Eintracht Frankfurt, em Glasgow.

Aquela temporada 1960/61 era, então, a oportunidade de uma revanche. E desta vez, o Barcelona, de Evaristo de Macedo, não perderia a chance. Sob o comando do técnico iugoslavo Ljubisa Brocic, o time que tinha em seu elenco um ataque também estelar, conseguiu a sua primeira vantagem ao quebrar a sequência de vitórias do rival Real Madrid no Santiago Bernabéu. Até ali, o time branco tinha vencido todos os 15 jogos de Copa dos Campeões que disputou em seu estádio. Naquele dia, 9 de novembro de 1960, o Barcelona arrancou um empate. Depois de sair atrás no placar, graças a um gol de Mateos, logo a um minuto de jogo, o Barcelona chegou ao empate, em uma cobrança de falta de Luis Suárez. Aos 33, Gento colocou o Real Madrid novamente na frente. O gol de empate veio de forma dramática, no final do jogo. Evaristo lançou Kocsis, que entrou na área e foi derrubado. Luis Suárez cobrou com categoria para marcar, aos 43 minutos, e igualar o marcador. Pela primeira vez em uma Copa dos Campeões, o Real Madrid não vencia seu adversário em casa. Mas ainda era preciso jogar a partida de volta.

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O coração bate forte, amigos!

Uma foto publicada por Evaristo de Macedo (@evaristodemacedo) a

E no segundo jogo, Evaristo chegou a abrir o placar, mas o gol foi anulado por impedimento. O Real Madrid também teve um gol anulado, mas por mão na bola de Del Sol, em um passe de Canário. O Barcelona finalmente abriu o placar aos 33 minutos, quando Verges chutou, o goleiro Vicente defendeu, mas a bola bateu no defensor Pachin e entrou. Outros dois gols do Real Madrid ainda foram anulados, de Pachin, que foi jogar no ataque depois de se machucar (e naquela época não eram permitidas substituições) e Di Stefano, ambos por impedimento.

Foi então que veio o gol mais importante da carreira de Evaristo de Macedo no Barcelona. Em um escanteio, o atacante deu um belo peixinho, aos 36 minutos do segundo tempo, e marcou, colocando os blaugranas com 2 a 0 no placar. Canário ainda descontaria, aos 42 minutos, mas era tarde. O Barcelona impunha uma derrota significativa ao rival, graças ao gol de Evaristo de Macedo. O time finalmente vencia o rival também em competições internacionais. “Eu lembro daquele gol muito bem. Eu tenho uma foto em casa”, contou Evaristo ao site do Barcelona.

Depois de desentendimentos no Barcelona, Evaristo acabaria assinando pelo Real Madrid na temporada 1962/63. Nos merengues, porém, ele teve problemas sérios com lesões e conseguiu jogar pouco. Foram 19 jogos e seis gols marcados, antes de deixar a Espanha e voltar ao Flamengo, onde também marcou época como artilheiro – foram 103 gols pelo rubro-negro em 191 jogos. Tendo vivido os dois lados, Evaristo comentou a sua impressão sobre o clássico.

“É uma rivalidade política, quanto a isso nunca tive dúvida. É o jogo entre o ‘Estado da Catalunha’ e o ‘Estado de Castela’, algo que transcende a esfera esportiva. Os catalães são muito ressentidos pela perda de liberdade que eles tiveram no franquismo, a Guerra Civil… por isso sempre era um clima que ia além das outras rivalidades esportivas que vivenciei”, disse Evaristo em entrevista ao Estadao, em 2012.

Neste domingo, teremos El Clasico número 230. Até aqui, nos 229 jogos anteriores, foram 89 vitórias do Barcelona, 92 do Real Madrid e 48 empates. Assim como Evaristo, nos anos 1950 e 1960, Neymar tenta repetir o grande desempenho ao lado de outros grandes jogadores de ataque. Neymar tem 41 gols pelo Barcelona até aqui. Tem muito tempo para chegar perto dos números de Evaristo no clube, mas precisará manter o desempenho excelente de uma temporada como esta, em que já marcou 26 gols. No seu primeiro clássico com o Real Madrid, o brasileiro marcou. Neste domingo, tentará buscar novamente uma bola na rede.

Os gols do confronto entre Barcelona e Real Madrid na Copa dos Campeões de 1960/61, com gol épico de Evaristo de Macedo de peixinho:

Evaristo, ídolo eterno do Barcelona, esteve no centro de treinamento do time e conversou com Messi. Ele mesmo postou no seu Instagram o encontro:

Grande jogador! Simples e objetivo. O que importa é o gol!

Um vídeo publicado por Evaristo de Macedo (@evaristodemacedo) a

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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