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Clubes de um país na liga de outro: Barça seria caso inédito

A direção do Barcelona apoia abertamente a independência da Catalunha, mas é rápida ao afirmar que isso não mudaria a situação do clube em relação ao Campeonato Espanhol. A pirâmide futebolística de Espanha e Catalunha continuariam unificadas, permitindo a Barcelona e Espanyol seguirem em La Liga.

Não é algo novo. Vários clubes disputam campeonatos nacionais de países diferentes do seu, argumento que é usado por barcelonistas e espanyolistas que defendem a independência catalã. No entanto, em nenhum desses casos houve uma separação política entre nações que se mantiveram unidas no futebol.

Na União Soviética, na Tcecoslováquia e na Iugoslávia, as repúblicas se separaram em tudo, criando seus próprios campeonatos esportivos. Mesmo na Bósnia-Herzegovina, que ficou dividida internamente entre muçulmanos e sérvios, não houve quem se mantivesse como iugoslavo. Os clubes de etnia sérvia da Bósnia criaram seu próprio torneio, hoje equivalente à segunda divisão bósnia.

Desse modo, a maior parte dos clubes que atuam em outras ligas o fazem na busca de uma liga profissional, algo inexistente em seus países na época de suas fundações. Há também casos de países que costumam já misturavam times em outros esportes e resolveram fazer o mesmo com o futebol, um exemplo extremo de time que migrou por questão de segurança e um caso de permissividade política no sudeste asiático.

INGLATERRA

Cardiff City, Colwyn Bay, Merthyr Town, Newport County, Swansea e Wrexham
Os seis clubes galeses disputam divisões – profissionais ou semi-profissionais – do futebol inglês. Alguns chegam a ter destaque, como o Cardiff City (que venceu a FA Cup em 1927) e o Swansea (que está na Premier League). Eles jogam na Inglaterra porque, quando foram criados, não havia liga profissional em Gales. Sem espaço em seu país, foram aceitos no vizinho, ainda que seguissem disputando a Copa de Gales (também composta pelos clubes amadores do país) até 1995. Outro intruso no futebol inglês era o Gretna. O clube, sediado quase na fronteira anglo-escocesa, disputava torneios amadores na Inglaterra. Aos poucos, foi crescendo e chegou a disputar a FA Cup. Nos anos 90, teve aceito seu pedido de jogar na liga escocesa.

FRANÇA

Monaco
Mônaco é o segundo menor país do mundo, e o primeiro em densidade demográfica. São apenas 36 mil pessoas se espremendo em 2 km². Com espaço tão escasso, não haveria como surgirem muitos times e estádios, ainda mais para manter um nível de futebol minimamente decente. Assim, se torna compreensível que o Monaco disputasse o futebol como time francês.

SUÍÇA

Vaduz
Caso semelhante ao de Mônaco. A diferença é que, em Liechtenstein, ainda existem clubes amadores, que se juntam ao Vaduz para a disputa da Copa de Liechtenstein.

AUSTRÁLIA

Wellington Phoenix
Único time neozelandês na A-League, o Campeonato Australiano profissional. Pode parecer estranho (até porque a Nova Zelândia possui uma liga própria, amadora), mas é algo recorrente no esporte das duas maiores nações da Oceania. Em um dos esportes mais populares da Austrália, o rúgbi league, a liga nacional tem um time neozelandês (New Zealand Warriors, com Auckland). No rúgbi union, mais popular na Nova Zelândia, o principal campeonato de clubes do hemisfério sul junta cinco times neozelandeses, cinco australianos e cinco sul-africanos. Essas equipes disputam exclusivamente o Super Rugby, ficando de fora de seus campeonatos nacionais.

ESTADOS UNIDOS

Toronto, Impact de Montréal, Vancouver Whitecaps, Edmonton, Puerto Rico Islanders, Antigua Barracuda
As ligas profissionais dos Estados Unidos sempre se organizaram de forma independente de federações de seus esportes. São negócios, que abrem franquias onde pode haver um mercado pouco explorado. A NBA (basquete) tem um time canadense, a MLB (beisebol) tem outro e a NHL (hóquei no gelo) tem sete. Isso sem contar os clubes que fecharam as portas ou se mudaram para território norte-americano. Nesse universo, soou natural que a as ligas de futebol incluíssem clubes de outros países, ainda mais se esses não tiverem suas próprias competições profissionais. A MLS tem três equipes canadenses (Impact, Toronto e Whitecaps), a NASL tem uma canadense (Edmonton) e uma porto-riquenha (Islanders) e a USL Pro tem uma de Antigua e Barbuda (Barracuda). As quatro equipes canadenses ainda disputam o Campeonato Canadense, que nada mais é que um quadrangular que define o representante do Canadá na Concachampions.

IRLANDA

Derry City
O clube de Londonderry disputava o campeonato de seu país, a Irlanda do Norte, até a década de 1970. No entanto, ele é ligado à comunidade católica (tanto que mantém o nome católico da cidade) e se viu em situação desconfortável quando a disputa religiosa voltou a crescer no país. Assim, pediu para disputar a liga irlandesa por questão de segurança.

CINGAPURA

DPMM
O Duli Pengiran Muda Mahkota era uma das forças de Brunei. Em 2005, decidiu competir no futebol malaio para crescer mais. Como o time pertence a Al-Muttadeh Billah, príncipe de Brunei, a federação de seu país não criou empecilhos. O pedido foi aceito pela liga malaia e, em três temporadas, o DPMM conquistou um título da segunda divisão e teve duas participações decentes na Super League. Em 2009, o príncipe resolveu trocar a equipe de campeonato, aproveitando a evolução da S-League. A liga cingapuriana já se diz internacional, tendo equipes de Japão e Malásia (na verdade, são equipes estrangeiras que fazem acordo e mandam seus jogos em clubes de Cingapura). O DPMM entrou como o primeiro integrante realmente estrangeiro da S-League, ainda que tenha ficado de fora até 2012 devido a uma punição da Fifa à federação de Brunei.

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Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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