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O fim de um recorde fabuloso: os oito anos invictos do Real Madrid no Bernabéu

Vencer o Real Madrid no Estádio Santiago Bernabéu não é das tarefas mais fáceis. Nesta temporada, por exemplo, o único a conseguir a proeza foi o Atlético de Madrid. Porém, durante quase uma década, bater os merengues em casa era tarefa impossível. Ao longo de oito anos, ninguém conseguiu arrancar uma mísera vitória do clube em Chamartín pelo Campeonato Espanhol. A maior invencibilidade da história das ligas nacionais europeias dentro de casa. Encerrada há exatos 50 anos, quando o Atleti derrotou os rivais em território inimigo.

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Eram tempos nos quais o Real Madrid contava com o esquadrão mais vencedor de sua história, estrelado por Di Stéfano, Kopa e Gento. E a marca impressionante começou justamente depois da queda em um dérbi. Em 3 de fevereiro de 1957, o Atlético bateu os vizinhos por 2 a 0  no Bernabéu, com direito a um gol do ídolo Joaquín Peiró. Nada que tirasse os blancos da rota do título. Afinal, a sequência impressionante começou duas semanas depois, vencendo o Deportivo. E, logo de cara, também um triunfo sobre o Barcelona de Laszlo Kubala e Luis Suárez, decidido por um gol solitário de Joseíto.

O Real Madrid não venceu o Espanhol em todos esses anos. Apesar do bicampeonato em 1958, viu o Barcelona também erguer a taça por dois anos logo nas temporadas seguintes. No entanto, a honra dos merengues em casa se seguia mesmo diante do timaço blaugrana treinado por Helenio Herrera, que naquela época havia se reforçado com Evaristo, Kocsis e Czibor. Nada que fizesse tremer os pentacampeões europeus, que ganharam também Puskás, Rial e Santamaría.

A partir de 1961, o Real emendou sua maior sequência de conquistas em La Liga. Foram cinco troféus seguidos ao time treinado pelo lendário Miguel Múñoz. Em 1964, duas das maiores vitórias nos clássicos em casa: 5 a 1 sobre o Atlético de Madrid e 4 a 0 sobre o Barcelona, com tripleta de Puskás. Entretanto, os astros merengues seguiam para o final de suas carreiras naquela época. E o sinal do fim da hegemonia veio justamente após o 121º triunfo consecutivo no Bernabéu, uma goleada por 6 a 1 sobre o Betis.

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Di Stéfano já havia se transferido para o Espanyol naquela época, enquanto Puskás não entrou em campo na partida histórica. Em 7 de março de 1965, o Atlético de Madrid botou um ponto final na soberania dos blancos. Os colchoneros contavam com um elenco bastante talentoso, protagonizado por Luis Aragonés, José Ufarte e Adelardo – e treinado pelo brasileiro Otto Bumbel, que trabalhou no Cruzeiro e no Grêmio, mas fez carreira na Península Ibérica. Em uma atuação muito dura dos visitantes, gol que quebrou a escrita saiu aos 29 do segundo tempo, anotado pelo português Jorge Mendonça em um chute cruzado. E poderia até ter sido mais, não fosse a chance que Cardona desperdiçou debaixo da trave.

Ao longo das 121 partidas de invencibilidade, o Real Madrid conquistou impressionantes 112 vitórias. E o único time a ter a honra de arrancar mais de um empate no Bernabéu foi o Sevilla, que saiu do estádio com pontos preciosos em 1960 e 1964. Já nas outras competições, em 54 partidas, os merengues sofreram apenas quatro derrotas dentro de casa no intervalo – duas para o Barcelona na Copa do Rei, uma para o Atlético de Madrid no mesmo torneio e uma para a Juventus na Champions.

Em 1965/66, o Real Madrid voltaria a perder um jogo dentro de casa no Espanhol, desta vez para o Barcelona. E a campanha longe de casa esteve longe de ser satisfatória, deixando o hexa escapar justamente para o Atlético de Madrid, campeão com um ponto de vantagem. Naquela temporada, ao menos, o consolo foi a reconquista da Champions, batendo o Partizan na final. E, independente de qualquer tropeço, a história na liga nacional estava feita. Até hoje, quem mais se aproximou do recorde merengue foi o Steaua Bucareste, que não perdeu nenhum de seus 112 jogos em casa entre 1989 e 1996. Ainda um pouco distantes da marca monstruosa de Di Stéfano, Puskás e companhia.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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