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Casemiro foi o símbolo da aplicação merengue e ressaltou sua importância com uma partidaça

A camisa 14 esteve em alta no Camp Nou neste sábado. Afinal, tanto blaugranas quanto merengues prestaram suas homenagens Johan Cruyff. Já em campo, justamente um jogador com o 14 às costas desequilibrou o clássico. Casemiro se destacou individualmente porque o seu empenho serviu para que o coletivo do Real Madrid funcionasse tão bem. À frente da linha defensiva, ocupou diferentes áreas do campo para anular as armas do Barcelona.  Deixou o campo sob elogios, de quem fez a diferença para a vitória por 2 a 1 dentro do Camp Nou.

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Durante o primeiro turno do Campeonato Espanhol, Casemiro fez falta na goleada do Barça por 4 a 0 no Santiago Bernabéu. Titular com Rafa Benítez, o volante acabou preterido para que o treinador escalasse todas as estrelas ofensivas do elenco. E a priorização das individualidades custou caro demais – tanto ao Real Madrid quanto ao próprio treinador. Lição assimilada, Zidane fez justamente o contrário no reencontro com os rivais. Casemiro permaneceu no 11 inicial, estreando no clássico. Não sentiu o peso.

Em diferentes momentos de sua passagem pelo Real Madrid, Casemiro já tinha se sobressaído justamente quando a responsabilidade lhe caía aos ombros. Foi assim, por exemplo, na Champions 2013/14, quando sua entrada foi essencial para evitar que o Borussia Dortmund conseguisse reverter a desvantagem no jogo de volta, diante de enorme pressão dentro do Signal Iduna Park. E, mais tarimbado desde então, o brasileiro não teve problemas para desempenhar o seu trabalho com muito esforço e concentração no Camp Nou lotado.

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Casemiro acumulou nove desarmes na partida, mais do que qualquer outro em campo e do que toda a defesa do Barcelona. Além disso, foram três finalizações dos adversários bloqueadas, incluindo um lance vital com Luis Suárez dentro da área. Aproveitando a compactação das linhas formadas por seus companheiros, deslocou-se de ponta a ponta na entrada da área, dificultando e muito o trabalho de Messi com a bola dominada. E a saída eficiente do camisa 14 também acabou sendo importante, especialmente para ajudar a acelerar as ações ofensivas dos merengues, o que determinou a virada a partir dos contra-ataques.

Em seus tempos no São Paulo, Casemiro teve problemas de disciplina. Página virada. A aplicação do meio-campista desde que chegou à Europa tem sido exemplar. Hoje, se há ressalvas ao camisa 14, elas acontecem mais por preconceito do que por fatos contra a sua índole. O volante desempenha um papel primordial no Real Madrid, ajudando a solucionar uma das maiores carências nas últimas temporadas: a proteção à linha defensiva. Mais do que isso, possui ótima visão para as bolas longas, o que se encaixa no DNA do futebol merengue, de ataques rápidos e verticais.

Natural que, em um clube tão midiático, a falta de nome tenha relegado Casemiro algumas vezes à reserva. De qualquer forma, em campo, poucos se fazem tão insubstituíveis na atual equipe do Real Madrid. Zidane soube valorizar isso. A dedicação de Casemiro era o exemplo aos outros astros do que deveriam fazer sem a bola. Assim, os merengues triunfaram, com Casemiro merecidamente entre os destaques.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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