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Briga de torcidas de Atlético de Madrid e Depor que terminou em morte tem pano de fundo político

O Atlético de Madrid bateu o Deportivo La Coruña por 2 a 0, neste domingo, e segue perto do líder Real Madrid em La Liga, mas, infelizmente, a grande história do jogo foi de lamentação. Antes do confronto, uma briga generalizada tomou as ruas nos arredores do Vicente Calderón e teve como saldo um torcedor do Depor morto. Mais do que a expressão da violência, há um caráter político na confusão, que envolveu até mesmo ultras de outras equipes.

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Francisco Javier Romero Taboada, de 43 anos, foi resgatado do Rio Manzanares por bombeiros e levado ao Hospital Clínico San Carlos, com traumatismo craniano e hipotermia. Apesar das tentativas dos médicos de reanimá-lo, o torcedor do Deportivo, que tinha dois filhos, não resistiu e faleceu horas após dar entrada no hospital. Em nota oficial, o Atlético de Madrid lamentou a morte de Taboada, de maneira protocolar como é de costume em casos como esse. Assim como aqui no Brasil, a questão das torcidas organizadas é um problema estrutural, com ligação íntima entre esses grupos e algumas equipes. Lá, no entanto, há também o componente político, evidente na briga de Madri.

Além da Frente Atlético e da Riazor Blues, ultras de Atlético de Madrid e Deportivo La Coruña, nesta ordem, estiveram envolvidas na confusão os Bukaneros, do Rayo Vallecano, e os Alkor Hooligans, do Alcorcón. Entre esses quatro grupos, uma distinção clara: enquanto os torcedores organizados colchoneros são conhecidos por sua ligação a grupos neonazistas, de extrema direita, o restante é caracterizado pela ligação com a extrema esquerda.

Segundo o jornal El Correo, testemunhas afirmaram que a confusão se iniciou em um bar, onde torcedores do Atlético de Madrid, com distintivos neonazistas em seus peitos, esperavam os ônibus da torcida do Depor. A briga, que no início tinha cerca de 60 pessoas, ganhou tamanho com a chegada de mais torcedores, chegando a cerca de 200 pessoas. A primeira nota oficial da Delegação do Governo de Madri dava conta de que a briga vinha sendo combinada através de redes sociais e do Whatsapp.

Além da morte de Francisco Taboada, a imprensa espanhola noticiou que outras 11 pessoas ficaram feridas, três delas por golpes de armas brancas, três com feridas no crânio, uma com trauma facial, três com ferimentos leves e um policial teve um dedo fraturado.

Segundo o jornal AS, 21 torcedores foram detidos e 90 já foram identificados, mas a polícia segue a investigação para encontrar o responsável pelo assassinato do deportivista de 43 anos atirado ao rio.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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