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Fúria do Brasil destrói Espanha com o Maracanã em ebulição

Se uma música pudesse representar o que a Espanha viveu na noite de domingo no Maracanã, talvez a mais adequada fosse Under Pressure, do Queen. O time espanhol se viu acuado, tomou um gol antes de começar a respirar, sentiu um ambiente hostil, vaias quando pegava na bola e um Brasil jogando um futebol extremamente forte, agressivo, eficiente. Pelo que fez em campo, o Brasil poderia ter saído com um placar ainda maior do que os 3 a 0. A Espanha foi nocauteada no Maracanã. O árbitro nem abriu contagem, porque ela ficou desacordada.

Pressure pushing down on me

O ambiente do Maracanã era algo como poucas vezes se via. Um barulho ensurdecedor, capaz de intimidar qualquer adversário. A torcida cantava alto, gritou o hino nacional brasileiro, como aconteceu em todos os outros jogos da Copa das Confederações. Como disse Fabio Seixas no Twitter, está virando uma espécie de haka brasileiro.

Pressing down on you no man ask for

O início de jogo foi absolutamente impressionante. O Brasil sufocou a saída de bola espanhola. Melhor do que isso foi o gol que saiu antes dos dois minutos, quando Fred aproveitou uma bola que pipocou na área. Mas não foi só o gol. O Brasil massacrou em atitude. Jogou com uma eficiência, mas não foi por acaso. A pressão na saída de bola era trabalhada há muito tempo. A execução, sem dúvida, foi a melhor já feita em campo desde que Felipão começou esse novo trabalho na seleção.

Under pressure – that burns a building down

A Espanha pouco conseguia fazer no ataque. Quase não chegava. Mas chegou em uma escapada em contra-ataque. Mata inverteu para Pedro, livre, que chutou. A bola ia na direção do gol. Ia entrar. Mas David Luiz apareceu do nada, em um carrinho. Um toco que lembrou o de LeBron James em Tiago Splitter, nas finais da NBA.

Sair perdendo só por 1 a 0 no intervalo seria ótimo para a Espanha, dado o volume de jogo que o Brasil apresentou. Só que não foi o que aconteceu. Já no final da primeira etapa, Neymar fuzilou Casillas e colocou o 2 a 0 no placar. E tomar um gol tão perto do intervalo é sempre um balde de água fria. Mas o balde de água fria maior veio no início do segundo tempo. Porque possivelmente os espanhóis ainda tinham esperanças de reverter o resultado. Só que o terceiro gol do Brasil, de Fred, veio logo a dois minutos. E aí, haja ânimo para continuar a luta.

Ainda houve um pênalti para a Espanha, que poderia ter animado um pouco mais o jogo. Sergio Ramos desperdiçou. Chutou fora a bola e as esperanças quase inexistentes àquela altura. O Brasil dominava, tocava, tinha a torcida gritando olé. Não dava mais. A Espanha estava morta.

Splits a family in two

O Brasil teve chances seguidas para marcar mais gols. Perdeu várias delas, perdendo a chance de criar uma goleada. E em um dos lances, Neymar partiu no mano a mano com Piqué. O zagueiro do Barcelona, futuro companheiro do craque brasileiro, fez a falta quando o atacante brasileiro partia para dentro da área. Tomou o vermelho. Os companheiros de time, que ainda não jogaram juntos. Já foram personagens opostos em um jogo tão decisivo.

Puts people on streets

As manifestações continuaram no Rio de Janeiro, como foi também em todos os outros dias de jogos no país. O Brasil se tornou, nesse mês de junho, o país das manifestações, muito mais do que o país da Copa das Confederações. As forças da polícia continuaram agindo com incompetência, despreparo ou, pior. As mudanças começaram a vir. O Brasil é um país muito ligado ao futebol, mas o mês ficará muito mais marcado na história do país pelas pessoas nas ruas – e não era para comemorar o título ou uma vitória do Brasil.

This is our last dance
This is ourselves

A Seleção Brasileira de Felipão se transformou em um time temido. O técnico pode ser questionado por vários motivos, mas tem o mérito de conseguir fazer de um grupo ainda cru em uma equipe organizada, difícil de ser batida. A Itália e a Espanha foram jogos que mostraram que o Brasil, se consegue encaixar um bom jogo, pode encarar adversários grandes. Algo que, antes da entrada de Felipão, ainda se duvidava. Agora, não mais.

O Brasil encarou a Copa das Confederações como sua última dança. Era a chance de, antes da Copa do Mundo, tornar-se a equipe temida que a sua camisa sempre foi. E conseguiu. O Brasil foi o que o Brasil está acostumado a ser. Ainda cheio de defeitos, ainda com muito o que corrigir, muito o que melhorar. Mas foi o Brasil que é quase sempre favorito, com talentos individuais, mas que conseguiu se tornar uma equipe. O Brasil foi ele mesmo. Essa é a maior vitória possível para esse time, que precisava tanto de experiência. Ninguém irá subestimar os anfitriões em 2014.

Formações inciais

Brasil x Espanha

Destaque do jogo

A marcação pressão do Brasil foi sufocante. A Espanha teve imensas dificuldades para sair jogando, o que, claro, foi um ponto a favor do Brasil. A seleção vinha

Momento-chave

Aos dez minutos do segundo tempo, a Espanha teve um pênalti a seu favor. Era a chance de diminuir o placar e tentar voltar ao jogo. Só que Sergio Ramos chutou cruzado e para fora. Praticamente selou o destino do jogo.

Os gols

2’/1T: GOL DO BRASIL!
Depois de jogada trabalhada pela direita, Oscar tocou para Hulk, que cruzou para a área. Fred não conseguiu cabecear, Neymar não dominou, a bola bateu na mão de Arbeloa e Fred, caído no chão, empurrou a bola para dentro.

44’/1T: GOL DO BRASIL!
Neymar trabalha a jogada pelo lado esquerdo, tocou para Oscar, que segurou a bola, esperou Neymar sair do impedimento e devolveu para o astro brasileiro. Neymar dominou e soltou uma bomba de canhota, no ângulo de Casillas.

2’/2T: GOL DO BRASIL!
Início do segundo tempo, Marcelo faz a jogada por dentro, toca para Hulk, que abre na esquerda onde está Fred. O atacante tocou colocado, de chapa, no canto, para marcar mais um.

Curiosidade

O Brasil não perde um jogo no Maracanã desde 1998, quando foi derrotado pela Argentina por 1 a0, gol de Claudio López. Em partidas oficiais, o Brasil não perde desde o fatídico jogo contra o Uruguai na Copa do Mundo de 1950.

Ficha técnica

BRASIL 3X0 ESPANHA

Brasil escudo Brasil
Júlio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo e Paulinho (Hernanes, 42’/2T); Hulk (Jadson, 28’/2T), Oscar e Neymar; Fred (Jô, 35’/2T). Técnico: Luiz Felipe Scolari
Espanha_escudo Espanha
Iker Casillas; Álvaro Arbeloa (César Azpilicueta, intervalo), Gerrard Piqué, Sergio Ramos e Jordi Alba; Sergio Busquets, Xavi e Iniesta; Pedro, Fernando Torres (David Villa, 14’/2T) e Juan Mata (Jesus Navas, 7’/2T). Técnico: Vicente del Bosque
Local: Estádio Maracanã (Rio de Janeiro-BRA)
Árbitro: Bjorn Kuipers (HOL)
Gols: Fred, 2’/1T, 2’/2T, Neymar, 44’/1T (Brasil)
Cartões amarelos: Álvaro Arbeloa, Sergio Ramos (Espanha)
Cartões vermelhos: Sergio Ramos, 23’/2T (Espanha)

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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