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Com Tata Martino, Barcelona tem estilo mais sul-americano

O Barcelona ter menos posse de bola que o adversário é uma grande novidade. Contra o Rayo Vallecano, o time teve menos posse de bola que o rival e o técnico Gerardo Martino se justificou em entrevista coletiva. Não pareceu incomodado com o questionamento, mas negou que o time tenha mudado de estilo e trouxe dados para mostrar o seu ponto de vista. As estatísticas, porém, mostram que o Barça, sob o seu comando, se tornou um time com mais pegada e mais incisivo no ataque.

O início do Barcelona, em termos de resultados, é ótimo. Até aqui, foram oito jogos na temporada, com seis vitórias e dois empates. Os empates foram contra o Atlético de Madrid na Supercopa da Espanha, que o time acabou conquistando pelo gol fora de casa. Nas duas últimas vitórias, 4 a 0 para o Ajax e 4 a 0 sobre o Rayo Vallecano, o questionamento veio porque o time não fez boas partidas, ainda que o resultado tenha sido excelente.

“O Barcelona chegou à excelência futebolística e esse tipo de comparação vai acontecer, ainda mais se o treinador, como é o meu caso, não é da casa nem holandês. Mas a mim interessa que como está o grupo e se é sólido”, afirmou o argentino. O início fantástico de temporada que o Barcelona teve na temporada passada com Tito Vilanova, quebrando recordes, também não preocupa Tata Martino. “Na realidade, me interessa como acabará isso, se podemos continuar ganhando, muito melhor, mas o que interessa é conquistar a liga”, declarou o treinador.

Ter ficado com menos posse de bola que o adversário gerou questionamentos sobre a mudança de estilo do Barcelona, que desde 2008 tem sido dominante nesse quesito contra qualquer adversário, em qualquer situação. “No ano passado, [o time] ganhou a liga com 66% de média de posse de bola. Nós temos 65,8%. Se esse 0,2% justifica pensar que venho mudar tudo, eu não poderia contestar”, ironizou o técnico.

Martino ainda falou sobre a importância da posse de bola. “Depende da equipe. Para o Barcelona é um indicativo e para o Newell’s era muito importante. No ano passado, o Rayo foi o segundo time com maior posse de bola, atrás do Barça. Temos que entender como jogamos rivais. Queremos que os volantes se divirtam, que é o que sempre fazem, mas foi uma circunstância que se deu pelas característica do rival. Temos que atentar para o jogo da outra equipe. Em nível de pontos, nos aproximamos da perfeição, mas não estamos perto quanto ao futebol. Está claro que temos que melhorar”, explicou o treinador.

De fato, o Barcelona foi o líder em posse de bola na última temporada com 69%, em média, segundo dados da Opta. O Rayo Vallecano foi o segundo colocado nesse quesito, com 58%. Nesta temporada, o Barcelona lidera novamente o quesito, com 65,5%, seguido pelo Rayo Vallecano novamente, com 63,6%. Segundo os dados da Opta, o Barcelona teve 46% de posse de bola no jogo contra o Rayo Vallecano, que teve 54%. Os dois times tiveram o mesmo número de chutes a gol, 14. O Rayo Vallecano ainda perdeu um pênalti quando o placar estava em 1 a 0 para os blaugranas.

Tendo sempre uma enorme posse de bola, o Barcelona permite poucos chutes a gol do adversário. Em 2012/13, o time cedia em média 9,1 chutes a gol ao adversário por jogo. Nesta temporada, o time concede, em média, 10 chutes a gol por jogo. O número de passes curtos, uma das características mais marcantes do time, também mudou. Na temporada passada, o time fazia, em média, 691 passes curtos por jogo. Nesta temporada, a média é de 561.

Em compensação, o Barcelona faz mais desarmes nesta temporada (21,8 contra 19,4 na temporada passada) e finaliza mais vezes a gol (18 contra 13,4 na temporada passada).  O time também usa menos a bola longa (61 x 55 na temporada passada).

A mudança de estilo não é drástica, mas é perceptível. O Barcelona de Tata Martino é mais sul-americano no seu estilo de jogo. A escola argentina é uma escola de posse de bola também, porém mais direta em termos ofensivos. Ainda são poucos jogos, é verdade, mas é uma mudança sutil que Martino coloca no Barcelona.

Considerando os problemas que o Barça teve na temporada passada, especialmente em jogos grandes e de Liga dos Campeões, é uma tentativa válida. Ainda deve levar algum tempo até o time se adaptar às novidades, mas deve continuar tendo mais posse de bola que o adversário em boa parte dos jogos. Precisa acertar a defesa para não tomar tanto sufoco, mas também deve causar mais problemas ao adversário chutando mais vezes a gol.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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