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Bale é o novo galáctico: mais um troco do gigantismo do Real

Das especulações ao anuncio oficial, está feito. Gareth Bale é o novo reforço do Real Madrid e, mais do que isso, a contratação mais cara de todos os tempos. O Tottenham fez jogo duro, mas era quase impossível recusar a proposta exagerada por seu craque rebelado, diante da perspectiva de montar um time inteiro com tanto dinheiro. O galês surge como mais um galáctico no Santiago Bernabéu, trazido por € 100 milhões – segundo fontes da BBC e do Guardian. Se o valor for confirmado, pela quinta vez consecutiva, Florentino Pérez quebra o recorde de maior transferência da história.

Durante sua primeira passagem pela presidência do Real Madrid, o cartola tinha o claro objetivo de montar um dos melhores times da história. Conseguiu, ao conquistar uma vez a Liga dos Campeões – foram três em cinco anos, contando as levadas sob as ordens de Lorenzo Sanz – e colocar lado a lado craques do nível de Zidane, Ronaldo, Raúl e Figo. Em seu retorno, Florentino continuava com os planos de colocar os merengues no topo e, não à toa, contratou em 2009 os melhores do mundo de 2008 e 2007, Cristiano Ronaldo e Kaká. A rivalidade, porém, também foi parte fundamental para estes impulsos.

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Afinal, a montagem da segunda geração dos galácticos aconteceu justamente depois da melhor temporada da história do Barcelona. E, ano após ano, as ações dos madridistas no mercado aconteciam tanto para fortalecer o elenco quanto para responder ao sucesso dos blaugranas. O Real Madrid até conseguiu quebrar a sequência de títulos dos catalães – sem coincidência, tendo sua atuação mais moderada no mercado seguinte. Porém, o clube ainda sente a necessidade de se afirmar acima dos rivais por um período mais longo e, sobretudo, reconquistar o décimo título na Champions, maior obsessão no Bernabéu.

Bale desembarca em Madri totalmente inserido nesse contexto. O galês é uma adição e tanto para o elenco de Carlo Ancelotti, sem dúvidas. Duas vezes melhor jogador da Premier League, não restam dúvidas de que o camisa 11 possui um poder de decisão como poucos jogadores no mundo, preparado para atuar em alto nível. Deverá tirar a sobrecarga em cima de Cristiano Ronaldo, que carregou o time nas costas várias vezes no último ano. Mais importante, se coloca como sucessor do português, diante das dificuldades na renovação de seu contrato.

Entretanto, Bale também serve de resposta ao Barcelona. Confirmar a transferência do craque já tinha se tornado uma questão de vaidade. Depois de perder a disputa com os blaugranas por Neymar, os merengues precisavam de um troco à altura: um jogador igualmente jovem, com tanto potencial quanto, alta capacidade de encantar a torcida e até mais preparado para os desafios que se colocam, graças à experiência. O alto valor pago por Bale é essencial nessa comparação. Afinal, o galês custou € 43 milhões a mais que o brasileiro, número que simboliza a vontade merengue em superar os blaugranas e perpetuar isso.

Com o negócio, Florentino totaliza € 611,5 milhões torrados em contratações desde que voltou à presidência, mais do que qualquer clube do mundo nos últimos cinco anos. Foram 26 transferências com algum custo, média de € 23,5 milhões gastos em cada reforço. No fim das contas, o prejuízo do Real Madrid no período totaliza € 407,9 milhões, um rombo sanado graças ao poderio econômico dos merengues. Porque, na filosofia de Florentino Pérez, tão marcante quanto conquistar títulos é gastar fortunas com contratações galácticas.

O legado de Florentino, parte II

Confira as movimentações do Real Madrid no mercado de transferências na segunda passagem de Florentino Pérez pela presidência – e o significado de muitas delas, em resposta ao Barcelona:

Florentino Pérez continuará como presidente do Real Madrid (AP Photo/Paul White)

Temporada 2009/10

A maior revolução no mercado de transferências aconteceu no retorno de Florentino Pérez à presidência. E a intenção era clara: causar impacto tanto pela volta do dirigente quanto para responder ao Barcelona, que acabara de conquistar a Tríplice Coroa. Cristiano Ronaldo e Kaká chegaram quebrando por duas vezes o recorde de jogador mais caro da história, enquanto Xabi Alonso e Benzema eram os outros reforços de peso. Em compensação, muitos medalhões foram enxotados, como Robben, Sneijder e Cannavaro, por um preço bastante módico a quem quisesse aproveitar o saldão. A montagem da segunda geração dos galácticos é, ainda hoje, o recorde histórico de gastos de um clube em uma temporada.

Principais contratações: Cristiano Ronaldo, Kaká, Xabi Alonso, Karim Benzema, Álvaro Arbeloa, Esteban Granero
Gastos: € 257,4 milhões
Principais vendas: Arjen Robben, Wesley Sneijder, Fabio Cannavaro, Ruud van Nistelrooy, Álvaro Negredo, Klaas-Jan Huntelaar, Javi García, Javier Saviola, Gabriel Heinze
Ganhos: € 87,5 milhões
Saldo do mercado: Déficit de € 168,9 milhões

Temporada 2010/11

O título de La Liga ainda não veio no primeiro ano do segundo mandato de Florentino. A solução? Mais gastos. Destaques na Copa do Mundo, Özil e Khedira chegaram a peso de ouro, assim como Di María. A maior resposta ao bicampeonato do Barcelona, no entanto, viria no banco de reservas. Manuel Pellegrini foi demitido, mais pelo fracasso na Liga dos Campeões do que pelo desempenho em La Liga, onde brigou ponto a ponto com os blaugranas. Em compensação, José Mourinho chegou como o cara que barrou os rivais na LC, dono da Tríplice Coroa com a Inter. Não à toa, o português se tornou o técnico mais bem pago do mundo.

Principais contratações: Mesut Özil, Ángel Di María, Sami Khedira, Ricardo Carvalho, Emmanuel Adebayor
Gastos: € 93 milhões
Principais vendas: Raúl, Guti, Rafael van der Vaart,Christoph Metzelder, Mahamadou Diarra
Ganhos: € 10 milhões
Saldo do mercado: Déficit de € 83 milhões

Temporada 2011/12

A segunda temporada de José Mourinho no Real Madrid foi mais de afirmação do que de grandes gastos. Afinal, o Real Madrid havia desbancado o Barcelona na decisão da Copa do Rei e disputado cabeça a cabeça La Liga, apesar de ter sido atropelado pelos rivais nas semifinais da Liga dos Campeões. Florentino Pérez colocou a mão nos bolsos para trazer jovens promissores, como Varane e Sahin, além do homem de confiança do treinador para a lateral esquerda, Fábio Coentrão.

Principais contratações: Fábio Coentrão, Nuri Sahin, Raphaël Varane, José Callejón
Gastos: € 55 milhões
Principais vendas: Jerzy Dudek, Emmanuel Adebayor, Fernando Gago, Ezequiel Garay
Ganhos: € 8 milhões
Saldo do mercado: Déficit de € 47 milhões

Temporada 2012/13

Enfim, o Real Madrid havia rompido a hegemonia do Barcelona em La Liga. Coincidência ou não, foi no mercado seguinte que os merengues menos gastaram com Florentino – no menor investimento do clube desde 1998/99. Mais do que isso, os merengues não apresentaram déficit no mercado, algo que também não acontecia havia 13 temporadas. Modric foi um reforço pontual para o meio-campo, assim como Michael Essien, enquanto Diego López veio por necessidade na janela de meio de temporada. Além, os blancos fizeram um bom dinheiro no mercado, vendendo vários nomes encostados por Mourinho.

Principais contratações: Luka Modric, Diego López, Michael Essien
Gastos: € 33,5 milhões
Principais vendas: Esteban Granero, Nuri Sahin, Lass Diarra, Sergio Canales
Ganhos: € 33,5 milhões
Saldo do mercado: nulo

Temporada 2013/14

Crise no elenco, terceira eliminação seguida nas semifinais da Champions, supremacia do Barcelona em La Liga, quebra do tabu contra o Atlético de Madrid na final da Copa do Rei. Como se não bastassem as decepções da temporada anterior, o Real Madrid perdeu a queda de braço por Neymar. Florentino realizou o segundo maior investimento da história do clube, mas também dando um sinal. A intenção não é apenas comprar craques, mas tambpem aqueles que se tornarão os melhores do mundo dentro de alguns anos. Dentro deste projeto, Gareth Bale e Isco chegam para se afirmar como protagonistas da terceira geração de galácticos.

Principais contratações: Gareth Bale, Isco, Asier Illarramendi, Dani Carvajal, Casemiro
Gastos: € 173,4 milhões
Principais vendas: Gonzalo Higuaín, Raúl Albiol, José Callejón, Ricardo Carvalho, Michael Essien
Ganhos: € 64,5 milhões
Saldo do mercado: Déficit de € 109,9 milhões

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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