A Escócia foi da esperança à costumeira decepção em 90 minutos, abrindo alas à Eslováquia

Dependendo apenas de si para ir à repescagem, os escoceses tiveram que se contentar com o empate diante da Eslovênia

Três seleções, uma possível vaga na repescagem. Se a Inglaterra já se confirmara na Copa do Mundo com uma rodada de antecedência, o Grupo F guardava grande disputa pela segunda colocação. Escócia, Eslováquia e Eslovênia ainda tinham chances alcançar o posto e brigar por um lugar na Rússia. Todavia, há chances razoáveis de que a frustração se espalhe por todos os lados. Os escoceses, favoritos, lutaram até o último instante, mas morreram na praia com o empate por 2 a 2 na visita aos eslovenos. Já os eslovacos aproveitaram a brecha para vencer Malta por 3 a 0 e assegurar a vice-liderança. Agora, torcem para que não sejam justamente o time com o pior desempenho descartado para a repescagem.

A Escócia foi do sonho ao pesadelo em Ljubljana. Milhares de torcedores viajaram até a capital eslovena e confiavam na classificação à repescagem. Sonho que se reforçou aos 32 do primeiro tempo, quando Leigh Griffiths chutou cruzado e impôs aos eslovenos seu primeiro gol sofrido como mandantes nestas Eliminatórias. No entanto, a equipe da casa também acreditava na classificação. A Eslovênia partiu para cima e conseguiu buscar a virada na etapa complementar. Roman Bezjak saiu do banco de reservas e se aproveitou dos erros defensivos dos escoceses para balançar as redes duas vezes, aos sete minutos e aos 27.

Neste momento, com a vitória da Eslováquia praticamente consumada, só os três pontos interessavam à Escócia. A Tartan Army revigorou suas esperanças aos 43, quando Darren Fletcher lançou e Robert Snodgrass apareceu para vencer Jan Oblak mais uma vez, decretando o empate. Os minutos finais seriam frenéticos. Bostjan Cesar deixou os eslovenos com um a menos, ao receber o segundo amarelo já nos acréscimos. E os escoceses até criaram suas chances para arrancar nova virada, mas sem conseguir estufar as redes. A penúria da Escócia continua. O país, longe do Mundial desde 1998, passará mais quatro anos afastado do principal palco do futebol internacional.

Escócia e Eslovênia morreram abraçadas. A Eslováquia, que fez o jogo mais fácil da rodada, não teve problemas para atropelar Malta em Trnava. Adam Nemec foi o protagonista na vitória por 3 a 0, ao anotar dois gols, enquanto Ondrej Duda fechou a conta. Os eslovacos acumularam 18 pontos, a mesma quantidade que os escoceses, mas com vantagem no saldo de gols. Neste momento, contudo, há o risco de que o time perca a repescagem. Precisa torcer por um empate em Gales x Irlanda ou em Ucrânia x Croácia, que se enfrentam nesta segunda, para se garantir entre os oito melhores segundos colocados. Já a classificada Inglaterra encerrou sua participação batendo a Lituânia por 1 a 0, gol de Harry Kane cobrando pênalti.

Na Escócia, começam a discutir a permanência do técnico Gordon Strachan – que resolveu colocar a culpa na “genética” de seus conterrâneos, pela falta de estatura e força física. Difícil saber para onde correr. Se a geração atual está muito abaixo de outros times bem mais talentosos que os escoceses já formaram, cobra-se um pouco mais de competitividade – como Irlanda do Norte ou Irlanda, em elencos tão limitados quanto, conseguem apresentar. Enquanto isso não acontece, a torcida escocesa segue acostumada com a coleção de decepções. Depois de duas décadas acumulando fracassos em eliminatórias, a espera da fatalidade se torna parte inerente ao ato de torcer. A esperança sempre acaba sucedida pela desesperança.