A Espanha vive um escândalo nesta terça-feira. Foram presas 11 pessoas acusadas de formar uma organização criminosa para ganhar benefícios em apostas esportivas, ou seja, manipulação de resultados. Entre os acusados está o ex-jogador do Real Madrid, Raúl Bravo, como suposto chefe. Outro dos nomes envolvidos é o presidente do Huesca, Agustín Lasaosa, por um jogo entre Huesca e Nàstic, na temporada 2017/18, pela segunda divisão.

Uma partida que faz parte das investigações e foi considerada suspeita é Valladolid 0x2 Valencia, jogo que fechou a atual temporada. Isso porque houve aposta de ao menos um jogador da equipe derrotada. Segundo a investigação, os jogadores do Valencia não sabiam de nada e não há indício de qualquer participação do clube também. Entre os presos está Borja Fernández, capitão do Valladolid, que inclusive se aposentou neste jogo, em uma despedida muito aplaudida.

Os presos são: Carlos Aranda, jogador formado na base do Real Madrid e que passou por diversos clubes; Íñigo López Montaña, jogador do Deportivo de La Coruña e ex-jogador do Huesca; Agustín Lasaosa; Juan Carlos Galindo Lanuza, chefe dos serviços médicos do Huesca. A operação foi chamada de Oikos, e é dirigida pela Primeira Instância e Instrução número cinco da capital de Huesca.

Nas primeiras horas da manhã, agentes da polícia estavam na sede do Huesca para levar a cabo a operação. “No clube não há nenhuma preocupação e estamos à disposição do que se solicite por parte do Juizado”, afirmou o advogado do Huesca, Pedro Camarero.

Os investigados são acusados de fazer acordos para manipulação do resultado de três partidas, da primeira, segunda e terceira divisões. Segundo fontes policiais consultadas pelo El País, “o jogo relativo à terceira divisão não deu frutos”, mas os jogadores envolvidos no caso se comprometeram a compensar as perdas com outro resultado manipulado.

As investigações começaram, segundo a polícia, depois do jogo entre Huesca e Nàstic, na rodada 41 da segunda divisão da temporada 2017/18, que acabou 1 a 0 para o Nàstic. Foi quando La Liga, presidida por Javier Tebas, fez a denúncia de suspeita de irregularidade. A suspeita aconteceu porque grandes quantidades de dinheiro foram movimentadas por esse jogo – 14 vezes superior ao normal desta categoria, segundo informado pelo El País. As apostas de maior movimentação financeira eram de um 0 a 0 até o intervalo e vitória do visitante no final, exatamente como aconteceu. Nàstic brigava contra o rebaixamento, enquanto o Huesca já tinha garantido o acesso à primeira divisão. O único gol do jogo foi marcado por Uche no minuto 72 (27 minutos do segundo tempo).

Segundo a polícia, o processo da manipulação de resultados tem várias fases. Normalmente se escolhe o jogo, ou no início ou no fim do campeonato, preferencialmente. As apostas eram combinadas não apenas pelo resultado final, mas misturando outros fatores, como o placar no intervalo e detalhes como o número de escanteios, faltas, cartões, de forma a aumentar notadamente as margens de lucro.

Depois disso, era feita uma aproximação com alguém do elenco dos times, de preferência o capitão, se for possível. Uma vez acertada a manipulação, uma parte do dinheiro é paga antes – em dinheiro vivo – e outra parte depois. Os organizadores eram responsáveis pelo pagamento aos jogadores envolvidos e também a fazer as apostas no que foi acertado.

Todos os detidos são acusados de participação em organização criminosa, corrupção entre particulares e lavagem de dinheiros. A investigação foi conduzida pela Unidade de Crime Especializado e Violento e teve origem em uma lavagem de dinheiro de maior envergadura, segundo fontes da polícia. Na investigação, as autoridades tiveram colaboração de La Liga, Europol e a direção geral de regulamento de jogo.

O Valencia divulgou comunicado dizendo que não sabia de nada sobre os casos que surgiram nesta manhã e que tomará as medidas legais oportunas. O Valladolid também divulgou uma nota refutando todas as acusações. “O Real Valladolid C.F., S.A.D. rejeita qualquer conduta ou comportamento fraudulento, denunciando a corrupção entre os indivíduos, lavagem de dinheiro, as organizações criminosas ou qualquer tipo de comportamento que criar ou pode causar distorção e corrupção de qualquer competição desportiva, demonstrando a necessidade de estes condutas são denunciadas, perseguidas e investigadas pelos tribunais, tendo como última instância a defesa dos direitos de indivíduos e instituições”, diz a nota.

Ao que parece, esse é só o começo. Veremos quais serão as cenas dos próximos capítulos.