Uma das movimentações de mercado mais faladas nesta janela de janeiro foi a ida de Christian Eriksen para a Internazionale. O jogador estava no seu último ano de contrato no Tottenham e desde a final da Champions League – quando os Spurs perderam para o Liverpool por 2 a 0 -, o dinamarquês tinha deixado claro que queria um novo desafio. Uma indicação que não renovaria com o clube inglês. Só que não houve negociação na janela de verão europeu (julho/agosto) e ele ficou. Até este último mês de janeiro, quando, enfim, acertou a sua saída do Tottenham.

Suas palavras na chegada ao clube italiano são fortes, de quem quer ser protagonista no novo time. E também falou sobre seus últimos meses de Tottenham, quando foi envolvido em muitas especulações. O jogador comentou sobre esse período, sua permanência e todo esse clima de despedida que ele viveu por quase seis meses.

“Se você está em fim de contrato, é ovelha negra”

“Na Inglaterra, quando seu contrato está no fim, é como se você tivesse que sair agora. Você já era. No fim, eu joguei uns 30 jogos como se fossem jogos de despedida. Foi algo como ‘este pode ser seu último jogo’. Isso continuou acontecendo”, disse Eriksen em entrevista à BBC.

“Na minha cabeça, eu estava pronto para tentar algo novo, mas eu sentia que se nada viesse, eu estava pronto para lutar pelo meu lugar. Eu não era um jogador diferente nesse sentido. Mas eu ficava entrando e saindo do time. Contudo, mesmo se eu tivesse um contrato de quatro anos, esta temporada seria difícil depois da final da Champions League”, contou o dinamarquês.

“Mas é isso. Se você está em fim de contrato, você é a ovelha negra. É claro, eu dei a entrevista [dizendo que queria um novo desafio]. Eu fui muito honesto. Eu senti que tinha que ser honesto. Eu não queria esconder, como muitos jogadores fazem. Todo mundo é diferente. Eu fui honesto. Eu queria dizer isso em alto e bom som”, continuou o meia.

“Eu recebi a culpa por muita coisa, por ser um bad boy. Eu li que era uma má pessoa no vestiário, que desde que eu disse que eu queria sair, não era bom eu estar ali. Para ser honesto, nos últimos anos, se alguma coisa aparecesse, qualquer jogador pensaria em sair, mas eu fui o cara que disse isso publicamente”, seguiu o dinamarquês.

O Tottenham saiu de uma temporada que foi excelente para uma que o time entrou em parafuso. “A final da Champions League foi um momento especial. Na história do Tottenham, foi a primeira vez. Estar lá foi tão bom e bonito. Mas você perde e no dia seguinte, é o fim do mundo. É assim que acontece”, declarou o jogador.

“Depois disso, foi difícil. As pessoas ainda estavam tristes pela final da Champions League quando a temporada começou. Depois que você sofre com alguns resultados ruins, então você entra em uma espiral que não está acostumado e foi difícil voltar”, disse. “Mas se você olha para a Premier League, só um time está realmente voando. Todos os outros estão tentando encontrar o seu espaço, não apenas o Tottenham. Algumas temporadas são assim”.

“A história dos últimos cinco anos é o Tottenham estando onde não esteve por um longo período. Não era momento de acabar, mas, de alguma forma, aconteceu acontecendo o que não espetávamos e não queríamos”.

Sobre a sua saída do Tottenham, ele disse que só uma pessoa que decidia sobre sua transferência. “No fim, você é controlado pelo Tottenham. Você é controlado por [presidente Daniel] Levy. Ele diz sim ou não. Você tenta ser o mais profissional possível e não forçar nada no caminho”, desabafou o jogador.

A BBC ainda perguntou sobre uma potencial transferência para o Manchester United, que foi muito especulada. “Por alguns anos [foi falado], mas nunca foi realmente provável. Nós falamos com eles, é claro, e nós ouvimos o que era possível e o que não era possível. Mas, no fim, para mim, pessoalmente, eu queria um novo desafio. Ficar na Premier League seria uma solução fácil”, declarou.

“É claro, ficar no Tottenham também seria uma solução, mas, para mim, se tratava de querer tentar um novo desafio em um novo país. Uma vez que a Inter veio , não foi realmente uma escolha difícil”, continuou o meia.

“Tudo é muito mais organizado na Inter”

“A Juventus tem vencido por um longo tempo, nós queremos mudar as coisas”, afirmou o meia à Gazzetta dello Sport. “É por isso que eu estou aqui. A consistência de vencer é um fator e a Juventus tem isso. Há também a Lazio lá em cima conosco”.

Eriksen comentou sobre o técnico da Inter, Antonio Conte, que o levou para a Itália. E a forma como o treinador conversou com ele foi exatamente como o esperado. “Eu só falei com Conte uma vez antes de chegar a Milão e ele foi muito direto comigo. Ele me disse como ele me vê e o que ele quer de mim no campo, com e sem a bola”, contou o jogador.

“Tudo é muito mais organizado. E sim, suas sessões de treinamento são muito duras, mas eu estou pronto. Eu quero jogar onde eu possa ter a bola. Não importa onde, mas eu preciso estar no meio do campo para criar algo indo para o ataque. Conte joga com três jogadores no meio-campo, então é um pouco diferente, mas o mais importante é ter a responsabilidade de criar”.

“Eu não sinto o peso da responsabilidade”, disse o dinamarquês. “Durante meus últimos anos no Tottenham e com a Dinamarca, eu sempre chamei a responsabilidade. Estou acostumado a isso. Nada muda na Inter. Eu quero ser o jogador que faz a diferença, que faz gols, que cria. Eu preciso de tempo, é óbvio, mas no futebol, você não pode esperar muito para se tornar decisivo. Eu amo tudo sobre futebol, exceto perder”.

O próximo adversário da Inter na Serie A é contra o Milan, no Derby dela Madonnina. “Eu vi alguns jogos pela TV, mas agora eu estou jogando e será completamente diferente. Eu espero uma atmosfera diferente de Londres. Aqui, o estádio todo irá cantar, terá muito barulho, será bonito”, contou Eriksen.

O principal nome do Milan é Zlatan Ibrahimovic, que chegou em janeiro, assim como Eriksen. “Somos muito diferentes. Ele está mais acostumado com esse tipo de jogos, eu estou fazendo minha estreia”, afirmou o dinamarquês, se referindo à experiência do adversário na Itália, inclusive defendendo a Inter, não só o Milan, onde faz sua segunda passagem, além de ter jogado pela Juventus antes.

“Eu viajei de Odense a Milanello [aos 15 anos] por dois dias. Eu fiz testes para o time Primavera [de juniores]. Quando eu voltei, eu fiquei avaliando ‘eu vou ou não vou’? A Itália parecia muito longe de casa, eu era muito ligado à minha família. Mas eles [Milan] nunca me responderam”, contou o jogador.

“O que mais me assusta no Milan? Meu amigo, Kjaer. Eu falei muito com ele. Não, nada me assusta. Nós estamos em uma posição melhor, mas tudo pode acontecer em um dérbi. Não importa quem eles escolham para jogar por eles”, continuou o dinamarquês, sobre o companheiro de seleção.

NA TV
Campeonato Italiano: Internazionale x Milan
Domingo, 9 de janeiro, 16h45 – DAZN (Clique aqui, assine e ganhe 30 dias grátis)