O Flamengo carece de regularidade, mas suas vitórias recentes costumam dar bons sinais do que o time pode produzir. Dentro de um Maracanã pulsante, a obrigação do resultado era toda dos rubro-negros, encarando um Grêmio que poupava seus titulares para priorizar a Copa do Brasil. Os 3 a 1 no placar ajudam a demarcar o bom resultado do Fla, apesar de um susto ou outro. Sobretudo durante o segundo tempo, ofensivamente o time produziu bastante e criou um punhado de jogadas bem trabalhadas, com trocas de passes em velocidade. Arrascaeta, com gol e assistência, se sobressaiu entre os vários destaques.

A partida no Maracanã marcou a estreia de Filipe Luís diante da torcida. O Flamengo começou indo para cima, mas não era um domínio tão claro. Os dois lados tiveram as suas chances durante o primeiro tempo. As brechas começaram a surgir a partir dos 15 minutos. Se Diego Alves foi exigido por Luciano, Paulo Miranda salvou os tricolores na pequena área pouco depois. Os melhores ataques tricolores vieram em escapadas de Pepê, incluindo outro em que voltou a dar trabalho para Diego Alves. Porém, as tramas ofensivas do Fla não demoraram a funcionar de maneira mais efetiva.

O primeiro gol saiu aos 28 minutos. Willian Arão fazia boa exibição, ao dar o combate e se apresentar à frente. Em uma de suas infiltrações, aproveitou um lançamento primoroso de Arrascaeta e emendou o chute, sem chances a Júlio César. O gol deu leveza aos rubro-negros, que trabalhavam a bola e se postavam no ataque, não finalizavam tanto. Apesar disso, o Grêmio saiu para o intervalo com o empate. Com a ajuda do VAR, o árbitro marcou um pênalti aos tricolores, ao ver o puxão de Pablo Marí em David Braz. Rafael Galhardo converteu a cobrança e recolocou os gremistas no jogo.

O segundo tempo, entretanto, marcou a clara superioridade do Flamengo sobre o Grêmio. Foi um período mais contundente dos cariocas. E o gol logo de início deu calma à equipe de Jorge Jesus. Bruno Henrique fez a jogada pela esquerda e carimbou a trave. No rebote, Arrascaeta não perdoou. A partir de então, os rubro-negros até ensaiaram uma goleada. Era uma partida inspirada de praticamente todos os homens na linha de frente. Gerson oferecia intensidade, Bruno Henrique infernizou Léo Moura, Éverton Ribeiro (que entrou no lugar de Berrío) abria os espaços. As chances de gol surgiam com mais facilidade.

Arrascaeta falhou em uma cabeçada, antes de Gerson carimbar o travessão. Filipe Luís, se não viveu uma noite tão sobressalente assim, ao menos saiu ovacionado ao ser substituído por Renê. O Grêmio era lento demais e não conseguia brecar as trocas de passes dos rubro-negros. Chegou a tentar algo vez ou outra, ameaçando em bola que Diego Alves soltou, mas nem a entrada de Everton ajudou. Não havia dúvidas de que o dono da noite era o Flamengo. Arrascaeta só não fez o terceiro porque Júlio César salvou. O goleiro realizou duas boas defesas contra o uruguaio, depois de tramas envolventes do Fla. Só nos acréscimos é que o resultado se tornou um pouco mais condizente com as diferenças, quando Everton Ribeiro fechou a contagem. Recebeu na direita, avançou e bateu rasteiro, correndo para o abraço.

A torcida no Maracanã teve tempo de gritar olé. E a própria maneira solta como o time atuou na segunda etapa correspondeu à empolgação. Mais de 57 mil estiveram presentes. Ajudaram a fazer a festa, embora parte da torcida também tenha aproveitado a ocasião para cobrar a diretoria. Seis meses após a tragédia no Ninho do Urubu, um grupo de rubro-negros pediu uma solução mais rápida na indenização das famílias que perderam os seus garotos. Um assunto pertinente, sobre algo que precisa ser sempre presente.

O Flamengo volta a reduzir a distância em relação à liderança. Chega aos 27 pontos, cinco atrás do Santos, que perdeu o clássico para o São Paulo. Ocupa a terceira colocação, um ponto abaixo do Palmeiras. Sua progressão, de qualquer maneira, depende de uma sequência consistente que o time ainda não viveu desde a chegada de Jorge Jesus. O Grêmio, por sua vez, volta sua cabeça à Copa do Brasil. Com 17 pontos, é o 13° na Serie A, já acumulando quatro rodadas sem vencer.

 

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