O atacante Pedro Gusmão tem 22 anos e é vinculado ao Atlético Paranaense, onde atuava pelo time B, mas resolveu se aventurar em uma experiência diferente: jogar na Super League indiana, campeonato criado nesta temporada recheado de estrelas, como David Trezeguet, Alessandro Del Piero e Robert Pires. O torneio tem oito times de oito regiões do país e conta com forte investimento para levar estrelas. Pedro Gusmão foi contratado por empréstimo pelo Kerala Blasters, que tem também o goleiro David James no elenco. Além do goleiro inglês, quem também é companheiro de Pedro Gusmão no clube é Michael Sopra, ex-Newcastle. O brasileiro chegou à Índia depois de passar pelo Fortaleza no primeiro semestre de 2014.

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“Quando recebi a proposta, confesso que fiquei um pouco assustado, porque a Índia é um país completamente diferente do nosso, na culinária, na cultura, na religião e em tudo mais. Mas achei o projeto sensacional. O futebol está em crescimento aqui, e os profissionais querem alavancar de vez o esporte no país. Não tinha como dizer não”, afirmou o jogador. A liga terá outros brasileiros, como o meia Elano, que atua pelo Chennaiyin FC, e André Santos, que jogará pelo Goa, time comandado pelo técnico Zico.

“As condições aqui são impressionantes. Como a competição é curta, todos os jogadores ficam hospedados em um hotel na cidade de Kochi. O hotel é seis estrelas, algo que eu nunca tinha visto nem parecido. Estou muito feliz e sei que fiz a escolha certa. Essa experiência será muito boa para o meu crescimento físico e tático. Estou aprendendo novas funções e experimentando um novo estilo de jogo. Aqui na Índia, apesar de não ser muito falado, tem bons jogadores. Eles têm um estilo diferente, de muita correria, ao contrário do Brasil, onde o futebol é mais cadenciado. Por isso está sendo muito bom para conhecer essa nova cultura e aprender uma nova língua”, contou ainda Pedro.

Em entrevista à Trivela, Pedro Gusmão contou como tem sido a experiência de jogar em uma liga recheada de estrelas e que tem recebido muito dinheiro para incentivar o maior esporte do mundo em um dos países mais populosos do mundo. A liga começou nesta semana e, na segunda-feira, o Kerala Blasters começou perdendo por 1 a 0 para o Northeast United.

TRIVELA: O que é mais difícil para se adaptar na Índia, no estilo de vida? Como tem sido viver em um país tão diferente?

PEDRO GUSMÃO: O mais difícil de adaptar, com certeza, é a alimentação. É muito diferente da nossa no Brasil. A maioria dos pratos tem pimenta e dificilmente comemos carne de boi, até tem, mas com quase nenhuma frequência. Viver na Índia tem sido uma experiência incrível. Estou conhecendo coisas novas, costumes diferentes, aprendendo inglês. Enfim, está sendo bem legal.

Em que língua você se comunica com o técnico e os outros jogadores? Usa tradutor?

Aqui na Índia cada estado possui uma língua local, por tanto eles se comunicam através do inglês, que é a segunda língua de todas as pessoas. Eu estou aprendendo o inglês e me virando como posso. Não temos um tradutor. No começo usava o aplicativo do celular, mas depois de um mês aqui já aprendi bastante coisa. Comunico com eles através do inglês, mesmo não sendo lá essas coisas ainda (risos).

Nesse início na Índia, já deu para sentir alguma diferença no treinamento em relação ao Brasil? O que?

Sim , tem muita diferença. Nossa comissão técnica é formada por dois ingleses (treinador e assistente), e os treinos são muito mais intensos e demorados do que no Brasil.

Em que aspecto você acha que pode aprender no futebol indiano?

Em todos os aspectos. Apesar de não ser um futebol famoso, tem muitos bons jogadores. Devo crescer muito na parte tática, leitura de jogo na marcação. Estou aproveitando o máximo.

Se um jogador brasileiro receber proposta para jogar na Índia e te pedir um conselho se deve ou não aceitar, o que você diria?

Bem, depende. Aqui na Índia existe a I-league, que é o campeonato nacional. E esse ano será o primeira vez que acontece a Indian Super League, que eu vou jogar. A I-league eu não conheço então não posso falar, apesar de que me falaram que é bem menos estruturada. Se o jogador viesse pra jogar a Indian Super League, eu aconselharia a aceitar, pois é um campeonato muito estruturado, com grandes investimentos, que será transmitido por vários países e tem tudo para alavancar de vez o futebol do país.

Se você receber uma proposta para ser vendido para um time indiano, você aceitaria?

Caso eu recebesse alguma proposta, eu iria sentar com minha família e meu representante para vermos o que seria melhor a ser feito. Se fosse bom pra todos, aceitaria sim. Todo jogador pensa em fazer um pé de meia pois a carreira é curta. E, pelo que vejo, o futebol da Índia vai ficar igual outros países, como China, Qatar , Japão, que investem bem.