Neymar acumula em suas últimas partidas pelo PSG gols, assistências e grandes atuações. É principalmente com esses elementos que terá alguma chance de reconquistar o coração dos ultras parisienses e da imprensa francesa. Os detalhes ajudam também, e o brasileiro tem trabalhado nisso, como na entrevista concedida à revista France Football, da qual é capa da edição da semana. Em conversa com a publicação francesa, não descartou permanecer em Paris por um bom tempo: “Por que sair daqui?”.

Não dá para saber se o que pesou foi a nova dinâmica de poder com o clube parisiense por meio de Leonardo, diretor de futebol do PSG, uma reestruturação completa na equipe de relações públicas do jogador ou intervenção própria de Neymar, mas o camisa 10 da seleção brasileira é uma outra pessoa ao falar sobre sua quase saída da França e ao comentar o seu momento na equipe.

“Todos sabem o que aconteceu na última janela de transferências. Todo mundo sabia o que eu queria, o que o clube queria, todo mundo. Falei bastante no ano passado. Hoje, sou jogador do PSG e, se estou em campo, me doo 100%. Darei de tudo em campo para que o PSG possa triunfar”, afirmou, enfatizando no tom de voz que, passado o incômodo, virou completamente suas atenções para os objetivos dos parisienses.

“Nunca quis chatear ninguém, mas sempre soube, dentro de mim, que se não sou feliz em um lugar, tenho que mudar. É preciso buscar um lugar em que você estará melhor”, explicou, apontando para o momento que vivia em Paris e acenando à vontade que tinha de retornar a Barcelona.

Ao ser sincero sobre sua vontade pessoal, Neymar tem a expectativa de ser entendido a nível pessoal, mas sabe que é algo difícil de se esperar. “É sempre muito complicado entender uma pessoa completamente. Eu respeito todos aqui e, bom, tenho minha maneira de jogar e de viver, mas sempre sabendo o que tenho que fazer: ser profissional e, quando estiver em campo, dar 100%.”

Perguntado se o PSG o entendeu, Neymar ri e torce: “Espero que sim”.

Depois de deixar claro que não estava feliz em Paris, o jogador diz que hoje é, sim, feliz na capital francesa. “Quando jogo futebol, estou feliz. O futebol é o que está na minha mente a cada instante da minha vida. Jogar futebol me faz feliz”, conta, apontando o impacto mental das lesões sofridas no PSG que o tiraram de dois mata-matas seguidos de Liga dos Campeões.

Inevitavelmente, a France Football tocou no assunto de uma possível saída futura, depois da tentativa frustrada da última janela. A resposta de Neymar foi direta: “E por que sair daqui? Tenho dois anos de contrato. Temos que nos concentrar nesta temporada para fazer bem as coisas e ganhar o máximo possível de títulos. Nesta temporada, o objetivo é a Champions League. E minha prioridade é o PSG”.

Por causa de lesões e da suspensão de dois jogos na competição europeia, demorou um pouco para que Neymar começasse partidas como titular ao lado de Mbappé nesta temporada, com a primeira ocasião vindo nove dias atrás. Desde então, têm combinado muito bem, refinando uma parceria forte e trocando gols e assistências entre si. Entrosamento que, segundo o brasileiro, só é possível pela relação dos dois fora de campo.

“Somos muito amigos. Ajudamos um ao outro dentro de campo para seguirmos ganhando e marcando gols. É um garoto pelo qual tenho um carinho muito especial. (…) Não há competição entre nós dois. Queremos nos ajudar mutuamente. Quando um marca, o outro vem sempre comemorar junto. Nossa relação é de amizade, de companheirismo. E precisa ser assim no futebol, ou as coisas não dão certo.”

Nos quatro jogos em que começaram juntos pelo PSG na temporada, Neymar deu quatro assistências para gols de Mbappé, com o francês retribuindo em uma oportunidade para o brasileiro. Com o PSG enfim demonstrando crescimento coletivo em 2019/20 e com o novo esquema que Tuchel adicionou a seu leque, estes números devem se multiplicar sem grande dificuldade.