Assim que o sorteio da Copa Libertadores aconteceu, o São Paulo sabia que sua estreia não seria tão fácil. E o desafio não se dava tanto pela qualidade do Binacional, por mais que os celestes viessem do inédito título peruano. Mais complicado seria encarar o ar rarefeito de Juliaca, uma cidade cuja altitude supera a de La Paz. Durante o primeiro tempo, os tricolores até fizeram um bom jogo e construíram a vitória parcial. Contudo, pagaram pelos desleixos e também pelo cansaço que pesou na segunda etapa. O Binacional aproveitou os seus espaços e, de virada, arrancou o triunfo por 2 a 1 – na primeira derrota de um brasileiro nesta fase de grupos da Libertadores. Os são-paulinos poderiam ter voltado com um resultado bem menos amargo.

O São Paulo começou a partida tentando antecipar o seu serviço e abrir vantagem sobre o Binacional. Foram algumas boas chegadas dos tricolores durante os primeiros minutos, apostando principalmente no jogo aéreo, mas sem aproveitar as oportunidades. Os peruanos, por sua vez, também deixaram sua estratégia bem clara. A equipe da casa buscava abafar a saída de bola são-paulina e acelerar suas jogadas pelos lados, sem muito receio de arriscar os chutes de média distância. Nenhum dos times, porém, se mostrava tão calibrado nas finalizações. Quando Reimond Manco acertou a meta de Tiago Volpi, não dificultou tanto a defesa do goleiro.

Em suas investidas no ataque, o São Paulo não precisava adiantar todo o seu time para incomodar a defesa do Binacional. E a participação dos atacantes a partir de bolas mais longas deu resultado aos 20 minutos, com o gol dos tricolores. Através de um lançamento de Volpi, Pablo e Daniel Alves se combinaram pela direita. A defesa peruana recuou e chamou os adversários, até que Pato recebesse dentro da área. Então, o atacante exibiu muita calma na conclusão, ao dominar e bater no canto do goleiro.

O Binacional seguia arriscando chutes, acionando principalmente o lado direito de seu ataque. Marco Rodríguez e Ángel Pérez assustaram, em tiros que passaram muito próximos da meta de Tiago Volpi. De qualquer maneira, o São Paulo tinha mais qualidade técnica e desperdiçou ótimas chances de ampliar antes de intervalo. Sabendo o momento de acelerar, os tricolores até descolavam os seus espaços, mas pecavam na hora de concluir. Aos 23 minutos, Antony recebeu sozinho dentro da área e bateu mal, facilitando a defesa de Raúl Fernández. Já depois dos 32, Pablo erraria o alvo em dois tiros seguidos, sem a necessária tranquilidade dentro da área. As falhas teriam seu preço aos são-paulinos.

Na volta ao segundo tempo, afinal, o Binacional conseguiu escapar com mais facilidade. E o gol de empate logo aos quatro minutos recolocou os celestes no jogo. A partir de um lançamento em profundidade de Johan Arango, Marco Rodríguez se desvencilhou da marcação. Ganhou na corrida dos zagueiros e, pelo lado esquerdo da área, chutou rasteiro. Mandou a bola por baixo das pernas de Tiago Volpi, que não reagiu a tempo. Neste momento, o São Paulo demorou a recobrar seus sentidos e já não encaixava sua ligações ao ataque.

O Binacional conseguia permanecer um pouco mais no campo ofensivo. Enquanto isso, o São Paulo não demonstrava o mesmo vigor físico visto durante o primeiro tempo e parecia um tanto quanto perdido. As jogadas não fluíam tão bem aos tricolores, que corriam mais apuros, e um toque de mão bobo de Daniel Alves dentro do campo exemplificava como a equipe se desencontrou. Assim, as alterações seriam necessárias. Liziero no lugar de Pablo foi a primeira aposta dos são-paulinos, antes que Toró substituísse Alexandre Pato. Era a busca por um novo fôlego para tentar o gol da vitória.

Todavia, num jogo que parecia pronto a ser decidido por qualquer lance bem encaixado, a vitória terminou pendendo ao Binacional. O gol da virada saiu aos 32 minutos, num grande lance de Arango, que dava trabalho aos tricolores. O camisa 7 avançou com liberdade pela intermediária e, sem contestação, mandou o chute de fora da área. A bola cruzada morreu no canto da meta de Tiago Volpi, que não alcançou.

Errando muitos passes, o São Paulo dependia de algum espasmo para tentar o empate. Eles só vieram depois dos 40 minutos, sem exigir tanto do goleiro Fernández. O camisa 1 pegaria em dois tempos um tiro rasteiro de Antony, antes de frustrar de vez os são-paulinos com uma bela ponte para brecar o chute de Hernanes – outro a sair do banco. Tiago Volpi voltaria a trabalhar do outro lado, antes que a última chance tricolor se resumisse a uma bomba de Daniel Alves para fora. Era pouco. Ao apito final, os peruanos puderam comemorar o histórico resultado em sua estreia na Libertadores.

As falhas do São Paulo em Juliaca são um tanto quanto claras. Faltou mais eficiência enquanto o time seguia inteiro, com um punhado de chances perdidas durante o primeiro tempo. Além do mais, os tricolores também tiveram dificuldades para proteger a vantagem e não se defenderam com muita solidez. O tamanho do prejuízo é óbvio. E, em um grupo que não oferece margens a manobras, os são-paulinos precisarão compensar o revés logo na segunda rodada. O encontro com a LDU Quito no Morumbi, durante a próxima quarta, ganha ares de decisão.

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