A Liga Europa terminou de definir os seus 16 classificados às oitavas de final. E uma surpresa se percebe diante das bandeiras dos países. França, Alemanha, Espanha e Itália possuem dois sobreviventes cada. Mas não são as nações com mais representantes. A Rússia está um passo à frente, com três times sonhando com a taça. Número significativo, que ajuda a refletir o interesse da região na competição secundária da Uefa. Ao lado do Dynamo Kiev, completam o “bloco soviético”, que ainda conta com o Viktoria Plzen como quinto concorrente do leste.

Russos e ucranianos tiveram os seus momentos expressivos na Copa da Uefa. Conquistaram três títulos entre 2005 e 2009 – com CSKA Moscou, Zenit e Shakhtar Donetsk. A Liga Europa elevou o sarrafo da concorrência pela taça, com o domínio ibérico e os sucessos recentes dos ingleses. Mesmo assim, em um torneio que concede mais espaços à variedade, os ex-soviéticos costumam despontar nos mata-matas, e ainda mais desta vez. Há uma certa ajuda das bolinhas no sorteio, é verdade, mas não se nega o sucesso. No atual formato da competição, é a terceira vez que o Campeonato Russo tem três representantes nas oitavas, a primeira desde 2013. Ainda assim, nunca havia sido isoladamente o país com mais sobreviventes.

A Rússia já chegou com mais representantes aos 16-avos de final, igualada a Itália e Espanha. Ajudou a competência parcial na Champions, com dois repescados pela terceira colocação em suas chaves. Dentre os quatro, apenas o Spartak Moscou ficou pelo caminho, eliminado pelo Athletic Bilbao. O CSKA Moscou enfrentou o rival mais frágil, o Estrela Vermelha, e avançou em uma eliminatória intrincada. O Lokomotiv provou o bom momento de quem lidera a liga nacional e, depois de uma virada sensacional contra o Nice na Allianz Riviera, terminou de derrubar os franceses em Moscou. Já o Zenit completou a trinca ao reverter a derrota na ida contra o Celtic, com uma vitória contundente em São Petersburgo. Completa o conjunto da Cortina de Ferro o Dynamo Kiev, superando o AEK Atenas, e o Viktoria Plzen, que deixou pelo caminho o Partizan Belgrado.

Dentre os cinco, o Zenit parece o mais preparado a ir longe na competição. Possui um treinador rodado como Roberto Mancini e um elenco cheio de bons jogadores, especialmente a legião argentina contratada a rodo no início da temporada. O Lokomotiv Moscou também não deve ser descartado, mesmo que no papel não impressione tanto. O desempenho acima das expectativas o referenda, apesar da exigência de um calendário que também contempla a liderança no Campeonato Russo, com a busca da quebra de um jejum que perdura há 14 anos. Os demais dependem de um sorteio mais afável para avançar, a princípio.

Às vésperas da Copa do Mundo de 2018, aliás, a Liga Europa pode servir de cartaz ao futebol russo. A seleção possui as suas deficiências e o fato de o elenco se limitar à liga local indica alguns dos problemas. Além do mais, o protagonismo atual destes clubes depende em boa parte de estrangeiros. Independentemente disso, não deixa de ser uma boa notícia o nível competitivo que abarca alguns dos melhores jogadores russos. Quem sabe, para chegarem em um ritmo mais elevado que o costume ao Mundial.

Abaixo, a lista dos 16 classificados na Liga Europa

Sporting-POR
Athletic Bilbao-ESP
Atlético de Madrid-ESP
Olympique de Marseille-FRA
Lyon-FRA
Lazio-ITA
Milan-ITA
Arsenal-ING
RB Leipzig-ALE
Borussia Dortmund-ALE
Red Bull Salzburg-AUT
Viktoria Plzen-TCH
Dynamo Kiev-UCR
Zenit-RUS
CSKA Moscou-RUS
Lokomotiv Moscou-RUS