Nem sempre o embate entre um candidatíssimo ao título e um dos últimos colocados do campeonato dá jogo. No Maracanã, o Flamengo x CSA que fechou o domingo no Brasileirão não só deu jogo, como valeu o ingresso dos mais de 65 mil pagantes nas arquibancadas, recorde de público da competição. Os rubro-negros saíram satisfeitos com a vitória por 1 a 0, que assegura a vantagem de dez pontos na liderança, mesmo que a dose de sofrimento tenha superado as expectativas. O CSA também sente orgulho pela forma como manteve sua valentia nos 90 minutos, e até poderia ter sorte melhor, não fosse outra baita atuação de Diego Alves. A quem não torcia por um time ou outro, agradou a partida aberta e com um punhado de chances de gol, que merecia um placar mais elástico.

Não foi o Flamengo fulminante de outras jornadas. O time pôde relaxar após os 5 a 0 sobre o Grêmio. No entanto, os rubro-negros entraram em campo resolutos a conquistar a vitória. Criaram as principais chances nos primeiros minutos e abriram o placar aos oito, com contribuição de seus dois jogadores mais habilidosos. Everton Ribeiro é quem abre os caminhos aos rubro-negros com suas fintas, e assim o fez antes de entregar a De Arrascaeta. Então, o uruguaio deu um corte seco na marcação, no chão, antes de bater para dentro. Um gol com a dose de talento que se imagina do time.

Quem esperava uma goleada do Flamengo, porém, se enganou. O time mantinha a posse de bola, mas via o CSA fazer jogo ao se segurar na defesa. Quando criavam, os rubro-negros eram um tanto quanto preciosistas na hora de concluir. Gabigol e Bruno Henrique não estava muito afinados desta vez, com algumas de chances perdidas. Além do mais, o goleiro João Carlos cumpriu bem seu trabalho após o gol sofrido. Aos 22, por duas vezes seguidas ele frustrou o artilheiro do Brasileirão.

Diego Alves, do outro lado, virou protagonista de vez nos dez minutos anteriores ao intervalo. O CSA passou a pintar no ataque com mais frequência e lembrou como o goleiro também é essencial à larga vantagem construída pelos rubro-negros no topo da tabela. Aos 35, Apodi invadiu a área e chutou bonito, para uma excelente defesa de Diego no canto. Cinco minutos depois, o milagre seria maior. Dawhan invadiu a área e cortou a marcação, antes de mandar a bomba. No reflexo, o arqueiro conseguiu desviar o tiro, que ainda bateu na trave.

Não que o Flamengo só tomasse sustos neste final do primeiro tempo. Pelo contrário, o CSA aproveitava as brechas em meio ao bombardeio dos rubro-negros. A equipe não tinha qualquer pudor para arrematar, mas desta vez pecava pela imprecisão. Os cariocas tiveram uma sequência de finalizações que lamberam a trave, sobretudo com seus atacantes. Faltava acertar a meta, como fizeram os alagoanos. Mesmo com chances mais esparsas, os azulinos foram mais contundentes. Com um pouco mais de eficiência dos anfitriões ou um pouco menos de inspiração dos goleiros, a etapa inicial deveria terminar com um placar mais recheado.

O segundo tempo viu o Flamengo ainda criar bons lances, mas cada vez menos intenso e menos preciso. O cansaço da maratona recente parecia bater na equipe. Gabigol, em especial, até se irritou pelas vezes em que João Carlos espalmou seus chutes. O CSA tentava suas escapadas em velocidade, para pegar as costas da zaga e também não tinha muito sucesso. Voltou a se encaixar, de novo, na reta final.

Depois de Apodi bagunçar em lance parado por impedimento, Warley exigiu a terceira grande defesa de Diego Alves na noite, aos 34. O azulino mandou o tiro cruzado e o goleiro voou para salvar. Nada estava garantido ao Fla. Mas quando a maré é boa, até Lei do Ex não funciona. Alecsandro tinha tudo para anotar de cabeça aos 40 e Diego Alves permaneceu estático, mas a bola seguiu para fora. Por fim, a última chance seria de Gabigol, que pela quarta vez esbarrou em uma defesa de João Carlos. Era para ficar mesmo o 1 a 0 pouco condizente ao que se viu.

Ao Flamengo, o que importa são mais três pontos na conta. A equipe chega aos 67 e continua dez à frente do Palmeiras, após a vitória dos alviverdes sobre o Avaí. Numa tabela que se promete mais difícil aos rubro-negros na reta final, manter a gordura é essencial. Fica o debate sobre as rotações entre os titulares, num momento em que Jorge Jesus também precisa pensar em sua preparação à final da Libertadores. Já o CSA permanece na zona de rebaixamento, mas com esperanças de sair diante de algumas boas apresentações recentes. A corrida contra o Z-4 não dá folga e os azulinos estão no 18° lugar, com 26 pontos, a quatro de respirar fora da zona da confusão. Reconhecem a superioridade do Fla, mas sem se curvar a isso.

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