Lyon e Barcelona não recebiam tantos holofotes, em uma noite de Liverpool x Bayern de Munique pela Liga dos Campeões. Ainda assim, havia a promessa de um bom jogo no Estádio Groupama. Enquanto os Gones possuem uma predisposição imensa para surpreender os grandes, a qualidade técnica dos blaugranas não se nega. Porém, o gol ficou em falta na França. As chances até surgiram, mas não tanto quanto se esperava. Entre um Lyon que viveu de momentos (ainda que perigosíssimos) e um Barça desencontrado na hora de concluir as jogadas, o empate por 0 a 0 se tornou compreensível. Os méritos recaem principalmente sobre os goleiros. Marc-André ter Stegen fez suas defesas excepcionais nos primeiros minutos e Anthony Lopes segurou as pontas em boa parte do tempo restante para garantir sua meta invicta.

Antes que a bola rolasse, o grande problema do Lyon seria lidar com a ausência de Nabil Fékir. Suspenso, o capitão perdeu este primeiro jogo. Bruno Génésio formou sua equipe no 4-4-2, com Memphis Depay e Moussa Dembélé na linha de frente. Enquanto isso, o Barcelona vinha com o time praticamente completo. A principal ausência era a de Arthur, que segue se recuperando de lesão. Sergi Roberto entrou no meio, enquanto a lateral direita era ocupada por Nélson Semedo. Já no ataque, o trio titular, formado por Lionel Messi, Luis Suárez e Ousmane Dembélé.

 

Durante os dez primeiros minutos de jogo, o Lyon deu um calor sobre o Barcelona. Que os blaugranas já dominassem a posse de bola, a voracidade dos Gones nas saídas ao ataque causavam problemas. Sobrava agressividade aos anfitriões, que só não abriram o placar por causa de Marc-André ter Stegen. O goleiro ampliou sua lista de milagres pelo Barça, primeiro ao buscar no cantinho o chute de Houssem Aouar, que tinha endereço. Pois faria ainda melhor aos nove minutos. Martin Terrier soltou um míssil de fora da área, rumo ao ângulo. Stegen saltou e deu um leve desvio na bola, que ainda bateu no travessão. O camisa 1 acabaria segurando o rebote.

Após o susto, o Barcelona responderia. A partir de então, os catalães viveriam os seus melhores minutos durante o primeiro tempo. O Lyon não conseguia trancar a intermediária e concedia espaços por ali. Havia liberdade para os blaugranas se imporem no ataque, sobretudo a partir das roubadas de bola. Faltou clarear um pouco mais na hora de bater, com os anfitriões se empenhando para travar. Quando não carimbavam a marcação, os visitantes acabavam errando o alvo. O goleiro Anthony Lopes só teria um pouco mais de trabalho aos 19 minutos, quando Dembélé limpou a marcação e exigiu boa defesa do oponente.

Não era um Barcelona tão lúcido. Mesmo que controlasse o jogo, postado no campo de ataque, os blaugranas estavam pouco inspirados. Erravam demais na definição das jogadas, seja no passe final ou retardando um pouco o momento de finalizar. Por mais que o ímpeto do Lyon tenha diminuído e os espaços até aparecessem, os franceses conseguiam se safar com bloqueios ou interceptações. Não ocorreram tantas oportunidades aos espanhóis, longe de exibir a melhor forma técnica – inclusive Messi. No máximo, os culés seriam um pouco mais incisivos no fim, em chute de Dembélé e em outro de Sergio Busquets, que Jason Denayer desviou. Do outro lado, os Gones voltariam a aparecer pouco antes do intervalo, em linda troca de passes até que Terrier finalizasse mal, por cima do travessão.

Na volta ao segundo tempo, os protagonistas das equipes apareceram. Memphis Depay passou a dar calor na defesa do Barcelona com sua correria. Chutou com muito perigo aos sete minutos, antes de fazer um cruzamento que Ter Stegen conseguiu espalmar. Além disso, Messi também estava mais aceso. Tanto participava da organização quanto tinha mais brechas a finalizar. Depois que Suárez desperdiçou um bom lance, o camisa 10 exigiria uma boa defesa de Lopes. Explorava principalmente o lado esquerdo da área, se aproximando da meta, mesmo que travado.

A partir dos 20 minutos, os treinadores começaram a fazer suas alterações. Philippe Coutinho entrou no lugar de Dembélé e participou bastante, dando opções ao ataque. Aos 30, poderia ter aberto o placar, mas Anthony Lopes mais uma vez evitou o pior à sua equipe, com excelente intervenção. Apesar de alguns bons minutos do Barcelona, em que as finalizações se tornavam mais constantes, o Lyon não demoraria a acertar sua marcação. Os franceses jogavam por uma bola no contra-ataque e até tentaram ganhar velocidade com a entrada de Maxwel Cornet, sem que isso funcionasse. O Barça permaneceu no abafa até o fim. Quando acertou o alvo, Busquets parou em Lopes, se esticando para espalmar a escanteio. Messi até deu um chute perigoso, mas ao lado do gol. Já Luisito Suárez destoava por não acertar absolutamente nada, desperdiçando inclusive a última bola da noite. A definição fica para o Camp Nou.

Ao final, o Lyon demonstrou a sua maturidade. Os grandes resultados desta equipe, quase sempre, vieram por causa da energia de seus jogadores de ataque. Desta vez, os Gones fizeram uma atuação concentrada para corrigir os erros e conceder poucos espaços aos oponentes dentro da área, mesmo pressionados. Não se nega, porém, os deméritos do Barcelona em desperdiçar seu domínio. O encaixe coletivo até aconteceu, mas o que atravancou foi a letargia nas definições e os erros excessivos – com menção sobretudo a Suárez. Se o empate não é exatamente um placar ruim na visita ao Estádio Groupama, ele pode colocar um peso excessivo sobre o Barça, caso os franceses balancem as redes na Catalunha. As circunstâncias, ao menos, prometem um embate aberto ao Camp Nou.


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