Noruega e Austrália têm pesos totalmente distintos na história da Copa do Mundo Feminina. As norueguesas estão entre as grandes potências dos primórdios do torneio, com um título e um vice nos anos 1990, apesar da queda de desempenho nas últimas edições. As australianas, por sua vez, vinham crescente, mas caíram nas quartas de final durante os três Mundiais mais recentes. Quem vencesse o embate em Nice neste sábado conquistaria um resultado emblemático, seja lá quem fosse. Preponderou a tradição das escandinavas. Em partida equilibrada na maior parte do tempo, a Noruega aproveitou seu momento para abrir o placar, mas recuou e cedeu o empate por 1 a 1. A sequência do jogo foi tão dramática quanto eletrizante – com direito a prorrogação, expulsão, duas bolas na trave e milagres da goleira australiana. Apesar da superioridade das europeias, a igualdade levou a definição aos pênaltis. E quis o destino que justamente o maior símbolo das Matildas desperdiçasse sua cobrança. As norueguesas, classificadas, saem mais fortes do duro embate.

Nas quartas de final, o desafio da Noruega tende a aumentar. A equipe enfrentará quem passar de Inglaterra e Camarões, neste domingo, com favoritismo pendendo às inglesas. O próximo compromisso das escandinavas acontece em 27 de junho, quinta-feira, na cidade de Le Havre. Enquanto isso, a Austrália lamenta outra vez a chance jogada fora. Aos 25 anos, Kerr ao menos terá tempo para se reerguer.

As Matildas ficam no quase

A Austrália começou a partida melhor. Foram duas boas chances logo nos primeiros cinco minutos. Kerr quase anotou um lindo tento, ao cortar a marcação e chutar para fora. Logo na sequência, seria a vez de Raso finalizar em cima da goleira, após boa jogada pela direita. O ritmo das Matildas, porém, não se manteve na sequência do primeiro tempo. Era uma partida intensa e equilibrada no meio-campo, sem que as equipes encaixassem seus ataques em profundidade.

Noruega cresce e sai em vantagem

A Noruega cresceu por volta dos 25 minutos, fechando a intermediária e encontrando espaços na defesa da Austrália. Deu alguns avisos, até que o gol saísse aos 32 minutos. Saevik acertou um lançamento perfeito e conectou com Herlovsen, saindo às costas da zaga. Com o caminho livre, a centroavante exibiu uma tranquilidade imensa para concluir às redes. As norueguesas aproveitaram o embalo e continuaram insistindo. Todavia, também passaram sufoco quando a árbitra assinalou um pênalti de Thorisdottir. Após a revisão no monitor, ficou claro que a zagueira havia feito o corte com o ombro e não existia penalidade. Foi o que garantiu a vitória parcial das escandinavas rumo à etapa complementar.

Gol anulado da Austrália

O segundo tempo viu a resposta da Austrália. As Matildas conseguiram jogar mais à frente e arrematavam mais, mesmo com dificuldades para superar a linha de zaga da Noruega. Os tiros se limitavam quase sempre à entrada da área e não eram bons. Quando as australianas conseguiram o empate, aos 13 minutos, o tento de Kerr seria corretamente anulado por impedimento. Já do outro lado, Saevik poderia ter ampliado, mas chutou em cima da goleira Williams. A peleja permanecia aberta. O problema das Matildas era a afobação nos avanços.

Gol olímpico para empatar

A necessidade movia a Austrália. O time precisava avançar ao ataque e seguiu buscando o abafa. O problema era superar a linha defensiva da Noruega, que fazia uma grande atuação. Mesmo o jogo aéreo das Matildas, sua principal arma, não funcionava desta vez. Sam Kerr saía um pouco mais da área e ajudava a armar a equipe, mas seu poder de fogo fazia falta à frente. A persistência, de qualquer maneira, deu resultado. Com as norueguesas recuadas demais, o perigo era constante e o empate veio aos 35, num lance fortuito. Kellond-Knight cobrou escanteio fechado, ninguém tocou na bola e o cruzamento morreu na lateral da rede. Gol olímpico que ressuscitava as Matildas.

O milagre não aconteceu por pouco

A Austrália chegou a ter um pênalti revisado depois do empate, sem nada a se marcar, e a Noruega parecia ficar nas cordas. Mas as escandinavas voltaram a se levantar e buscaram a vitória na reta final do jogo. Lamentaram um lance inacreditável já nos acréscimos. Graham Hansen fez o cruzamento, Utland não alcançou e a bola bateu na trave da goleira Williams, rolando na pequena área sem que entrasse. As Matildas respiravam aliviadas e ganhavam uma sobrevida na prorrogação.

Williams, fantástica

Os melhores 15 minutos da partida aconteceram durante o primeiro tempo extra. Os times pareciam se livrar das amarras anteriores e partiam ao ataque. A Austrália começou melhor, com duas excelentes chances de Kerr. Já a resposta da Noruega seria superior. Graham Hansen teve um chute desviado que saiu por cima, antes de Risa soltar o petardo e parar em grande defesa de Williams. Já aos oito minutos, a goleira executaria uma das maiores defesas desta Copa. Graham Hansen bateu à queima-roupa e a arqueira espalmou, em lance de pura agilidade. Ia salvando as Matildas.

A Austrália se segura com uma a menos

A situação da Austrália piorou aos 13 minutos. A árbitra mostrou o vermelho direto a Kennedy, ao matar o ataque de Utland, ainda que a decisão tenha soado como exagero. Dominante, a Noruega acertou o travessão antes do intervalo. Williams estava adiantada, Risa mandou da intermediária e só não anotou o golaço porque o travessão impediu. No segundo tempo da prorrogação, o desafio das Matildas era evitar o ímpeto das norueguesas. Conseguiram se fechar bem na defesa e o cansaço também conteve as escandinavas. As oportunidades se tornaram mais escassas. Utland teve a melhor brecha, mas mandou por cima, enquanto as goleiras fizeram intervenções seguras. A decisão por pênaltis seria inescapável.

Kerr isolou: Noruega nas quartas

A primeira cobrança de cada equipe coube às principais jogadoras. Graham Hansen chutou bem para a Noruega. Já Sam Kerr destoou, pegando mal demais na bola e isolando o arremate. Abriu o caminho para a classificação das norueguesas. Depois que Reiten converteu, a goleira Hjelmseth também defendeu o segundo chute das Matildas, de Gielnik. Por mais que Catley tenha convertido o terceiro penal australiano, Mjelde e Engen confirmaram a classificação das escandinavas, perfeitas na marca da cal. Merecida vitória, pela superioridade das escandinavas na maior parte do duelo.

Ficha técnica

Noruega 1×1 Austrália (4×1 nos pênaltis)

Local: Allianz Riviera, em Nice
Árbitra: Riem Hussein (ALE)
Gols: Isabell Herlovsen, aos 31’/1T; Elise Kellond Knight, aos 38’/2T
Cartões amarelos: Risa, Utland, Minde (Noruega)
Cartões vermelhos: Kennedy (Austrália)

Noruega: Ingrid Hjelmseth, Ingrid Moe Wold (Synne Skinnes Hansen), Maria Thorisdottir, Maren Mjelde, Kristine Minde; Karina Saevik (Frida Maanum), Vilde Boe Risa, Ingrid Syrstad Engen, Guro Reiten; Caroline Graham Hansen, Isabell Herlovsen (Lisa-Marie Utland), Técnico: Martin Sjogren.

Austrália: Lydia Williams, Ellie Carpenter (Amy Harrison), Alanna Kennedy, Steph Catley, Elise Kellond-Knight (Clare Polkinghorne); Chloe Logarzo, Emily van Egmond (Karly Roestbakken), Tameka Yallop; Hayley Raso (Emily Gielnik), Sam Kerr, Caitlin Foord. Técnica: Ante Milicic.