Maurizio Zamparini se tornou, ao longo das últimas décadas, uma das pessoas mais controversas do futebol italiano. O empresário entrou no negócio em 1987, quando salvou o Venezia da falência e conquistou três acessos até colocar o clube na Serie A, durante o final da década seguinte. Contudo, a partir de 2002 é que começa sua relação mais duradoura no Calcio. Naquele ano, o magnata vendeu o Venezia e comprou o Palermo, seu brinquedo nos últimos 16 anos. Não se nega que os rosaneri tiveram sucessos no período, saindo da Serie B para disputar a Copa da Uefa. Ainda assim, o time conviveu com a gangorra entre as duas primeiras divisões a partir de 2013, enquanto a famosa fogueira de técnicos alimentada pelo dirigente ardia mais do que nunca. A era de Zamparini na Sicília, contudo, está prestes a se encerrar. Nesta quinta, foi anunciada oficialmente a venda de 100% das ações do dirigente.

Zamparini já havia ensaiado o seu adeus anteriormente. No primeiro semestre de 2017, ele deixou a presidência do clube nas mãos de Paul Baccaglini, que liderava um consórcio para comprar os rosaneri e prometia transformar a agremiação em uma espécie de “Chelsea da Itália”. O problema é que a equipe não conseguiu se manter na Serie A e, meses depois, Baccaglini deixou o cargo, sem concretizar a aquisição. Zamparini declarou que a oferta era “ridícula” e seguiu tocando o barco. Já nesta temporada, depois que o acesso não foi conquistado, os rumores sobre a venda voltaram a circular na Sicília. Acabaram confirmados nesta semana.

Em nota publicada pelo site oficial do Palermo, o clube declara que Zamparini aceitou a proposta de um investidor e venderá 100% de suas ações. As tratativas devem ser “concluídas positivamente”, conforme o comunicado, embora a assinatura definitiva só tende a se concretizar dentro de alguns dias – cumprindo o que foi chamado de “formalidades necessárias”. O nome do investidor ou a data para a conclusão do negócio não foram especificados. O Palermo contava com os serviços de uma consultoria financeira para encontrar um interessado.

Durante a passagem de Zamparini, o Palermo revelou ou talhou vários jogadores renomados do futebol italiano. A lista de atletas que passaram pelo elenco rosanero inclui Luca Toni, Amauri, Salvatore Sirigu, Federico Balzaretti e Andrea Belotti. Quatro membros da Itália tetracampeã do mundo em 2006 pertenciam à agremiação: Fabio Grosso, Andrea Barzagli, Cristian Zaccardo e Simone Barone. Além disso, os sicilianos souberam pinçar talentos em mercados como a América do Sul e o leste da Europa. Edinson Cavani, Javier Pastore, Paulo Dybala, Abel Franco Vázquez, Kamil Glik e Josip Ilicic ajudaram a sustentar esta fama. Nestes 16 anos nas mãos do cartola, a equipe gerou mais de €400 milhões apenas com a venda de jogadores.

Em compensação, as trocas de técnico também marcaram a passagem de Zamparini pelo Palermo. Foram 45 a partir da temporada 2002/03. Francesco Guidolin (2004/05) e Giuseppe Iachini (2014/15) se tornaram os únicos a passar uma temporada completa no cargo. Já o recorde de trocas aconteceu em 2015/16, quando oito mudanças ocorreram, incluindo os interinos. Diversos comandantes foram e voltaram sob os desmandos do presidente. Em compensação, o desempenho foi satisfatório ao longo do período. Os sicilianos ficaram na elite ao longo de 12 temporadas. Além disso, em cinco oportunidades terminaram na quinta colocação.

Mesmo fora da elite, os novos donos do Palermo encontrarão o clube em boas condições. Os rosaneri lideram a Serie B com 24 pontos, dois a mais que o Pescara, mas um jogo a menos que os principais concorrentes. O elenco também conta com alguns jogadores promissores, que podem render no futuro, mantendo a relevância das categorias de base sicilianas. Resta saber se Zamparini não mudará de ideia no meio do curso, como ocorreu em 2017. Se deixar mesmo a cadeira de presidente, fica a sua marca. Pelo bem ou pelo mal, o cartola fez seu clube virar notícia.