Logo na rodada inaugural, a Premier League já reservou o seu primeiro grande jogo. Manchester United e Chelsea prometiam uma partida vital não apenas pelo peso dos clubes envolvidos, mas também pelo momento decisivo que ambos atravessam. De maneiras parecidas, as duas equipes saíram de uma janela de transferências insatisfatória e evocam antigos ídolos ao comando para encabeçar a renovação. No entanto, pelo sim e pelo não, as dúvidas sobre as reais pretensões dos times são substanciais. Assim, o embate em Old Trafford serviria já como uma primeira impressão importante ao que se viverá na temporada. E o United comemora o resultado. Em uma tarde na qual os Red Devils contaram com um bocado de sorte, também foram bem mais eficientes e arrancaram a goleada por 4 a 0. O placar exagera o que foi o confronto. Mesmo assim, os mancunianos recebem de bom grado tamanha motivação.

As escalações já deram mostras do que foi um mercado insuficiente a ambos os clubes. O Manchester United contou com as estreias oficiais de Harry Maguire e Aaron Wan-Bissaka na defesa. Em compensação, do meio para frente a equipe de Ole Gunnar Solskjaer era mais do mesmo, voltando a apostar em jogadores de altos e baixos com o clube. Paul Pogba entrava como referência ao lado de vários jovens, com Anthony Martial encabeçando o ataque. Já o Chelsea, proibido de contratar e ainda perdendo medalhões, realmente veio recheado de garotos. Tammy Abraham e Mason Mount eram alguns dos nomes no 11 inicial de Frank Lampard, longe de lembrar a badalação de outros tempos dos Blues.

A garotada do Chelsea, porém, não sentiu o peso da obrigação. Entrou em Old Trafford disposta a atacar e garantiu um bom início aos visitantes, pressionando na frente. Não seria surpreendente, aliás, se os londrinos abrissem o placar. Abraham ficou a um triz de marcar, com um petardo cruzado que estourou na trave logo aos três minutos. Os Blues eram mais perigosos, por mais que errassem na conclusão das jogadas. Abraham quase completou outra bola na pequena área, enquanto David de Gea segurou com firmeza o arremate de Mount.

O Manchester United estava muito mais restrito à defesa, mas também exibia potencial aos contra-ataques. Sobretudo, porque os Red Devils se aproveitavam da atuação horrível de Kurt Zouma, perdido na zaga do Chelsea. O defensor quasse entregou o ouro aos sete minutos, em bola perdida na entrada da área, mas o chute de Anthony Martial não foi dos melhores. Entretanto, um pênalti bobo cometido pelo próprio Zouma permitiu que o United abrisse a contagem aos 17 minutos. Marcus Rashford assumiu a cobrança e bateu bem, tirando do alcance de Kepa Arrizabalaga.

O gol freou um pouco as pretensões do Chelsea e desorganizou as investidas do time de Frank Lampard. Era uma partida agradável de se assistir, mesmo sem apresentar grande qualidade técnica. Até pelos erros dos times na construção das jogadas, sobravam espaços aos ataques em velocidade e a trocação se tornou intensa. Os mancunianos, ainda assim, sofriam com um meio-campo pouco consistente e com as decisões erradas de seus homens de frente. Não aproveitaram de imediato a exposição dos oponentes.

Quando conseguiu sair um pouco mais, o United teve um gol bem anulado por impedimento, aos 33. Os Blues só retomaram seu bombardeio nos dez minutos finais do primeiro tempo. David de Gea realizou uma ótima defesa em chute cruzado de Ross Barkley e Jorginho foi travado no rebote. Os novos contratados, inclusive, apareciam para manter a vantagem dos Red Devils. Maguire tinha um desempenho sólido na defesa, já indicando sua liderança, enquanto Wan-Bissaka garantia energia pelo lado, apesar de  sobrecarregado. Já aos 39, Emerson invadiu a área e soltou o pé, mas a trave pela segunda vez frustrou os planos dos londrinos.

A partida demorou a se abrir ao Manchester United. E, durante o início do segundo tempo, o Chelsea ainda parecia mais preparado a arrancar o empate. Logo nos primeiros dez minutos, Pedro finalizou com perigo e De Gea voltou a exibir sua melhor forma, ao realizar boa intervenção em outra finalização de Emerson. A entrada de Christian Pulisic aumentava a ofensividade dos londrinos. Todavia, o grande mérito dos Red Devils na meia hora final foi a velocidade de suas transições. Com Pogba regendo a equipe na intermediária, a aceleração máxima dos anfitriões fez estrago em Old Trafford.

O segundo gol, decisivo à vitória, aconteceu aos 19 minutos. Rashford puxou o contragolpe e passou a Jesse Lingard, que abriu com Andreas Pereira na direita. O brasileiro cruzou e Martial foi oportunista para completar na pequena área. E o Chelsea teve qualquer reação impedida dois minutos depois, quando o United já ampliou. Méritos totais a Pogba, com um lançamento soberbo em direção ao ataque. Rashford sobrou nas costas da defesa e mandou na saída de Kepa. Só então é que os mancunianos exibiram uma autoridade condizente ao placar dilatado.

Lampard mandou a campo Olivier Giroud e N’Golo Kanté depois dos tentos. O Chelsea tentava salvar a lavoura, mas sem representar a mesma ameaça à meta de De Gea. O Manchester United preservou a segurança na defesa e aguardava o momento de contra-atacar. O quarto gol, por fim, premiou um dos novatos do elenco. Aposta de Solskjaer após se destacar no Swansea, Daniel James entrou no lugar de Andreas Pereira e precisou de sete minutos para balançar as redes, aos 36. Novamente Pogba realizou a jogada, avançando e entregando a bola para o novato concluir. Ele até se enroscou um pouco, mas fez o suficiente, em chute que ainda desviou nas pernas de Emerson. Depois disso, por mais que os londrinos tenham tentado o gol de honra, prevaleceu a festa em Old Trafford.

O Manchester United certamente tem consciência de que a goleada não coloca o time como favorito ao título. Há muito a se acertar e a se melhorar. O desenho da partida poderia ter sido totalmente diferente, mas não se nega que os Red Devils aproveitaram as circunstâncias. Em um possível confronto direto, já ganham três pontos. O Chelsea, por outro lado, também não precisa esperar necessariamente uma catástrofe depois do chocolate. Mas sabe que o time está enfraquecido e que a saída de David Luiz tende a representar uma perda significativa à zaga, até pela falta de alternativas. A traulitada em Old Trafford faz zunir a cabeça, diante daquele que talvez seja o elenco mais enfraquecido desde a chegada de Roman Abramovich a Londres.

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