Você que ainda não aceitou o fim da série “Entidades Místicas do Futebol Brasileiro”, fique ligado na segunda temporada. Agora, falaremos sobre as lendas do futebol europeu. Este texto foi inicialmente enviado na Newsletter da Trivela, na última sexta-feira. Assine agora e não perca nenhuma edição, toda sexta no seu e-mail!

O clube havia contratado um jogador caro, que não correspondeu. Aquele jogador que jogou milhões de libras pela janela e, diante de tamanha expectativa, falhou terrivelmente. Então, e m algum momento de desespero, o técnico olha para o elenco. Tem ali um garoto, que dizem que é muito bom, que treina consistentemente e pode entrar. Ele entra. Joga. Vai bem. O ódio da contratação fracassada, unida à esperança de ver um jogador da base brilhando, levam o jogador a ser valorizado. Logo, o jogador ganha espaço e passa a ser cotado para a seleção inglesa. É o futuro.

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Ele pode ser um grande fazedor de gols na segunda divisão, que ajuda um time tradicional a voltar à Premier League e depois é vendido por dezenas de milhões de libras para algum comprador desesperado por ter perdido seu camisa nove. Claro, não faz jus ao caminhão de dinheiro pago por ele. Deixa o clube grande que pagou um caminhão de dinheiro para rumar a outro menor.

Sofre com lesões, mas de vez em quando marca os gols que fazem os ingleses lembrarem do famoso kick and rush, aquele estilo de futebol britânico dos anos 1970 e 1980 que levantava bolas na área esperando aquele centroavante goleador grandalhão. Alguns o pedem na seleção. “Pelos bons tempos”, dizem uns. “Uma opção diferente”, dizem outros.

Pode ser também um meio-campista que trata bem a bola, tem um bom domínio, bons fundamentos e mostra alguma habilidade. Não é nada excepcional ofensivamente, não é um grande marcador também. É um jogador razoável. Atacando e defendendo. E ainda sofre com lesões que o fazem ficar em campo menos tempo que os goleiros reservas.

É visto como um grande talento, mas joga tão pouco que, na verdade, se criou uma aura de um potencial que parece nunca vingar. A questão é o número de lesões, acreditam alguns. Ele consegue ir para a seleção mesmo quase sem jogar. Entra em campo e dá muitas esperanças aos ingleses. Que, outra vez, veem um fracasso da seleção que pouco consegue fazer internacionalmente. Ali, no centro do gramado, sentado no chão e de cabeça baixa, o talentoso meio-campista já não é um garoto, pouco fez de realmente relevante, mas ainda é tratado como potencialmente um craque. Que não será.

Há também aquele tipo que é um zagueiro que é fisicamente muito forte, fez várias boas temporadas por um time pequeno, brigando contra os grandes na Premier League. E aí, na falta de opções melhores – e precisando compor a cota de britânicos do elenco -, um time grande resolve apostar. Pronto. Suas boas atuações o levam à seleção inglesa e ele logo se torna um pilar do time. É limitado tecnicamente, mas ninguém se importa. Ele é o tipo xerifão. Tudo bem que ele dá umas engrossadas, não consegue sair jogando se pressionado e toma dibres (o certo é DIBRE mesmo) bobos. Nada que um Tony Pulis não possa trabalhar.

Logo a temporada inglesa irá recomeçar. Veremos novos britânicos sendo comprados por valores irreais para suprir a necessidade de ter jogadores do Reino Unido no elenco. Mesmo que eles não valham o que se paga por eles. Mesmo que eles continuem sendo uma decepção na seleção inglesa. Até que surja um novo jogador inglês supervalorizado que tome seu lugar.

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