Você que ainda não aceitou o fim da série “Entidades Místicas do Futebol Brasileiro”, fique ligado na segunda temporada. Agora, falaremos sobre as lendas do futebol europeu, começando com o artilheiro do Holandesão. Este texto foi inicialmente enviado na Newsletter da Trivela, na última sexta-feira. Assine agora e não perca nenhuma edição, toda sexta no seu e-mail!

De repente, ele aparece. Na seleção ou em algum clube grande, contratado por milhões de euros. O nome soa estranho e algumas vezes é complicado de ser escrito. São dois “as” mesmo? Como pronuncia essa vogal, aberta ou fechada? O torcedor também questiona quais as credenciais desse novo rosto do futebol europeu. De onde ele veio? A resposta é sempre a mesma: “ah, ele fez muitos gols na Holanda”. Estamos falando do artilheiro do Holandesão.

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Até o final dos anos noventa, foi um ótimo negócio contratar o jogador que mais gols marcava no Campeonato Holandês. Era grande a chance dele ser Van Basten, artilheiro quatro vezes seguidas, entre 1984 e 1987. Ou Romário, Dennis Bergkamp, Ronaldo e Ruud Van Nistelrooy. Mas, à medida em que a Eredivisie foi perdendo relevância no cenário continental, também decaiu a qualidade dos seus goleadores.

Vamos olhar para o caso do sérvio Mateja Kezman. Em quatro temporadas no PSV, foi artilheiro três vezes da liga nacional, em duas marcando mais de 30 vezes. Ganhou a honra de ser uma das primeiras contratações do Chelsea de José Mourinho. Mas os gols simplesmente secaram. Passou uma única temporada na Inglaterra, com quatro gols e apenas seis jogos como titular pela Premier League. Teve outro ano decepcionante no Atlético de Madrid antes de encontrar alguma estabilidade no Fenerbahçe. Deu outro passo errado ao acertar com o Paris Saint-Germain, pelo qual atuou muito pouco. Encerrou carreira na China.

Depois de Kezman, o homem com a responsabilidade de honrar a tradição de goleadores da Holanda foi Dirk Kuyt (cujo nome nunca decidimos, aqui no Brasil, se pronunciamos como Kûit ou Káiti). Fez seus 29 gols pelo Feyenoord e ganhou um bom contrato com o Liverpool, ao custo de € 18 milhões. Seria injusto dizer que ele foi um fracasso na Inglaterra, porque a torcida dos Reds tem um carinho pelo atacante, mas, com média de 0,25 gols por jogo, teríamos que forçar a barra para chamá-lo de artilheiro.

Quem apostou pesado na nossa entidade mística foi o Real Madrid, que desembolsou módicos € 27 milhões para contratar Klas-Jan Huntelaar, com duas temporadas de 33 tentos no currículo e o sutil apelido de “máquina de gols”. Ficou seis meses na Espanha, antes de ser repassado ao Milan, pelo qual atuou apenas um ano. Encontrou-se no Schalke 04, que exige menos dos seus atacantes do que os dois gigantes europeus.

Nunca poderíamos esquecer do artilheiro do Holandesão tupiniquim, gente como a gente, e aposta do técnico Dunga: Afonso Alves. Ele teve uma temporada, em números, no patamar dos jogadores citados acima (inclusive Van Basten, Romário e companhia). Fez 34 gols pelo Heerenveen e ganhou a merecida chance em uma seleção brasileira que se renovava depois do desastre na Copa do Mundo de 2006. Dunga até o levou à Copa América, mas a carreira internacional do atacante terminou com sete partidas e um único gol marcado, em amistoso. Foi contratado por € 17 milhões pelo Middlesbrough e chegou a anotar uma tripleta no Manchester City. Mas se aposentou sem ter tido nenhum outro grande destaque na carreira.

Entre os últimos artilheiros do Holandesão, temos jogadores até conhecidos do futebol europeu. Bas Dost, artilheiro em 2011/12, teve uma boa temporada pelo Wolfsburg, mas seus gols já rarearam. Wilfried Bony (2012/13) custou € 32 milhões ao Manchester City, depois de um pulinho no Swansea, e está encostado. O mais animador deles é Depay (2014/15), que não é exatamente um centroavante e ainda está no começo da sua carreira pelo Manchester United.

Por isso, fique atento. Quando a única justificativa dada para a nova contratação do seu time for os 30 gols que ele fez na Eredivisie, desconfie. Ser artilheiro do Holandesão não é mais o que um dia já foi. Nós só não podemos descartá-lo totalmente porque, de vez em quando, nossa entidade mística assume a forma de um Luis Suárez.

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