Você que ainda não aceitou o fim da série “Entidades Místicas do Futebol Brasileiro”, fique ligado na segunda temporada. Agora, falaremos sobre as lendas do futebol europeu. Este texto foi inicialmente enviado na Newsletter da Trivela, na última sexta-feira. Assine agora e não perca nenhuma edição, toda sexta no seu e-mail!

Em tempos de redes sociais, ele pinta como um nome observado por gente que acompanha a categoria sub-13 do Barcelona. Sempre se fala na filosofia do clube e se usa vídeos – publicados pelo próprio Barcelona – para mostrar jogadas dos times sub-13 ou sub-15 fazendo jogadas ao estilo tiki-taka. Surge, então, no time B do Barcelona um jogador que se destaca e já é logo pintado como o próximo grande jogador que sairá de La Masia. Aquele, o craque canterano.

Ele é visto como tendo potencial, mas não há espaço no time de cima. Então, ele arrebenta no time B do Barça. A imprensa catalã, ávida por ver jogadores locais brilharem e elogiar a estrutura sempre maravilhosa do clube, já o tratam como um puro sangue catalão, com o DNA do clube. Só que ele não joga. E o empresário, insatisfeito, fica pedindo chances no time de cima. Chances que não vem. A pressão é forte e o clube, então, o negocia para algum time inglês, disposto a pagar pela qualidade das categorias de base blaugranas.

No clube inglês, ele não consegue espaço também. Pinta em um jogo ou outro no banco, mas parece que não convence o técnico que tem toda aquela qualidade de La Masia, cantada em verso e prosa. O craque habilidoso e genial não parece ter vindo. O que se vê em campo, é um ponta, rápido, nem tão habilidoso assim, um tanto fominha e com pinta de craque. Pinta. Porque a bola não chega a esse nível.

Mas ele é de La Masia. É questão de adaptação. É questão do futebol inglês, esse horrível, cheio de correria, intensidade. Não apreciam o jogo bonito, toque de bola. Volta para a Espanha emprestado a algum time de meio da tabela, em busca daquela tão esperada CHANCE. Ou melhor, sequência.

Mas o técnico precisa de resultados, porque o time, no meio da tabela, tomou um sacolejo do Real Madrid em casa. Estamos no meio da temporada, não dá para colocar o moleque só pra ver o que dá. E aí, no fim da temporada, os jogos disputados não são tantos assim e a impressão é que faltaram chances.

O empréstimo vira uma venda. O jogador, agora, terá a chance de se firmar. Antes, afinal, ele não jogava porque estava emprestado, foi uma contratação de oportunidade. Agora não, ele é definitivo, está ali para somar. Começa a temporada no banco. Normal, ele é jovem.

É titular, não convence, falta ritmo, deixe ele jogar, toca nele, o jogo tá difícil, falta sequência, é, ele não tá jogando bem, tá na hora de tirar, moleque mimado, enganação… No final da temporada, ele está em baixa, poucos gols, poucas assistências, muitas reclamações. Os torcedores já começam a achar que não valeu a pena.

Aos 25 anos, ele joga ema algum time pequeno da Espanha, carregando a cada transferência o currículo de ter jogado em seleções de base da Espanha, ser formado na incrível La Masia. Até que um dia aparece jogando no Brasil, fracassa de forma medonha, antes de entrar de vez no ostracismo.

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