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“O técnico está prestigiado”, o dirigente conta ao responder sobre rumores da queda do técnico. Dias depois, a demissão se consuma e o time está abertamente buscando outro treinador. A situação do time é muito ruim. O time está naquela fase que o adversário chuta errado, mas o zagueiro desvia para dentro. Aqueles jogos que até quando o time joga bem perde. O time tem a TARIMBA de rebaixado.

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A situação é complicada, a torcida pressiona, já se ouve o “ô, ô, ô, queremos jogador”. Os dirigentes dão entrevistas falando em como sair da crise. O time já está sem técnico e a pressão é por alguém que resolva o problema. É preciso aquele nome que chegue para resolver o problema. Que não titubeie e seja uma autoridade no vestiário. Aliás, eis aí uma palavra que os dirigentes brasileiros gostam: autoridade. É bom que o treinador tenha autoridade – desde que com os jogadores, não com a direção. Tudo que os cartolas procuram é aquele treinador que dê um choque no elenco. Estamos falando daquele técnico que chega para apagar incêndio: o técnico bombeiro.

Ele chega falando grosso. Tem experiência nessa situação, é conhecido, figurão. Já lidou com diversas situações, de norte a sul do país. Na entrevista coletiva de apresentação, chega falando que acredita que dá para tirar o time dessa situação, que o elenco tem bons jogadores.

Logo nos primeiros jogos, o time sente o impacto. Quase ganha de um time do topo da tabela, mas ficou em um empate honroso. Não melhorou a situação, mas deu um ânimo. Vem a primeira vitória, em um jogo sofrido, com raça. A torcida começa a acreditar. Outras vitórias chegam, também de um jeito sofrido, mas o suficiente para o time acreditar que irá se salvar. De lanterna, o time já está a um ponto de sair da zona do rebaixamento.

Bola na trave, gol sofrido, defesa milagrosa do goleiro, gol de cabeça no final do jogo. Pontinhos sofridos. Finalmente, fora da zona do rebaixamento! O time começa a jogar confiante. Jogadores dão entrevista e chamam o treinador de “pai”. A diretoria fala em renovar o contrato do “professor”. A diretoria sinaliza que “ano que vem será diferente”.

O time titubeia. Toma um gol no final do jogo, quando estava com a vitória na mão. Sente a ameaça do rebaixamento de novo. Na imprensa, a especulação de outro treinador para o ano seguinte já pinta. O time está há três partidas sem vencer. Um jogador falastrão é afastado. O time volta a vencer, se salva do rebaixamento e o técnico é mantido, com tapinhas nas costas pelo “bom trabalho”.

Começa o ano. O time se reforça, mas os resultados demoram a vir. Se fala em paciência. O estadual nem é tão importante assim, alguns torcedores dizem, já roendo as unhas. O time não consegue uma só partida jogando bem. O técnico escala mal, os reforços que ele indicou fracassam. Alguns jogadores reclamam publicamente da reserva. Outro fala que está atuando fora de posição. O treinador se desespera durante os jogos, bradando impropérios à beira do campo.

Vem uma eliminação precoce. Diretores procuram a imprensa para dizer que “ouviram jogadores reclamando do técnico”. A conversa nos programas esportivos é que “há um desgaste” entre jogadores e técnico. Empresários de outros técnicos já dizem que foram procurados pelos dirigentes do clube. “O técnico está prestigiado”, diz um dirigente em entrevista sobre da queda do técnico.