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Pouca gente dá a devida importância, mas o goleiro reserva é uma das figuras mais místicas do futebol brasileiro. Por quê? Ora essa, como assim? Há uma função específica que todo goleiro reserva exerce com vigor e constância: a de chegar na voadora quando acontecem cenas lamentáveis.

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Ninguém se prepara para cenas lamentáveis. Os times não fazem treinamento sobre como agir em situações de briga com os adversários. Mesmo assim, é de conhecimento geral que quando as cenas lamentáveis acontecem (e eventualmente elas irão acontecer), a principal função do goleiro reserva é chegar ARREPIANDO.

E veja, goleiro reserva é uma espécie de profissão. Não são poucos os times que tiveram aquele goleiro reserva folclórico, bom de grupo, que fica ali ocupando o cargo, por assim dizer, por anos. Sérgio no Palmeiras, por exemplo. Ele foi titular por algum tempo, depois tornou-se reserva e assim foi em mais de uma passagem do goleiro pelo Parque Antártica. Ou Bosco, no São Paulo, que ficou anos ocupando o posto de reserva de Rogério Ceni. Ou mesmo Wilson, eterno reserva de Ronaldo no Corinthians dos anos 1990. Dizem que goleiro é um cargo de confiança. Talvez o goleiro reserva também seja.

Basta se lembrar de vezes que você viu cenas lamentáveis. Há um padrão: o goleiro reserva sempre chega rasgando na briga. Depois eles podem até dizer que foram para apartar, que foi para defender o companheiro… Não importa. O fato é que voadora de goleiro reserva é praticamente um fundamento do futebol. Se nem o goleiro reserva defender o time em uma briga, bom, pra que ele serve, não é mesmo?

Lembremos de episódios épicos de cenas lamentáveis. Em 1999, na final do Campeonato Paulista, Palmeiras e Corinthians vinham de jogos de muita rivalidade na Libertadores. Teve embaixadinha de Edílson, confusão, e claro que teve goleiro reserva na confusão: Renato, goleiro reserva do Corinthians, que foi para cima dos palmeirenses.

Em 2010, durante a Libertadores, o Estudiantes venceu por 2 a 1 o Internacional, mas a classificação ficou com o time brasileiro pelo gol fora de casa. Ao final do jogo, uma briga generalizada entre os jogadores. O zagueiro Desábato partiu pra cima do goleiro Abbondanzieri. Entrou em campo então o goleiro reserva Lauro, que desferiu um soco no zagueiro argentino.

Tem goleiro que até se especializa na função treinando artes marciais, como Giovani, reserva do Atlético Mineiro em 2011.

Essa é uma função conhecida por todos, em todos os níveis. Em 2014, em um jogo da segunda divisão gaúcha, o jogo entre Tupi e Internacional de Santa Maria ficou no 0 a 0. Ao final do jogo, o goleiro reserva Baiano, do Tupi, partiu pra cima do lateral Roger Bastos. Virou briga generalizada. O Diário de Santa Maria conta essa história.

Não sabemos quando acontecerão cenas lamentáveis, mas sabemos que o goleiro reserva, seja qual for, estará lá para fazer a sua parte e chegar na voadora.

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