Um time que aproveita muito bem as chances de gol, que rouba muito a bola do adversário, que baseia seu jogo nos passes curtos e usa muitas bolas enfiadas pelo meio da defesa adversária. As características podem lembrar o Barcelona, mas estamos falando do Swansea, que ganhou o apelido de “Swanselona”. Um óbvio exagero, mas não deixa de ter as suas semelhanças.

O time subiu para a primeira divisão há duas temporada e, em 2011/12, mostrou um futebol agradável e surpreendeu ao fazer uma boa campanha e permanecer, sem sustos na primeira divisão. Nesta temporada, perdeu o técnico Brendan Rodgers e Joe Allen, dois dos seus principais nomes. Nem parece. Começou com tudo: 5 a 0 no Queens Park Rangers fora de casa e 3 a 0 no West Ham em casa.

O que torna o Swansea um time com um futebol tão agradável? Até porque copiar o Barcelona não é uma fórmula fácil. E nem quer dizer que terá o mesmo sucesso. Mas o que o Swansea apresenta é um futebol que chama a atenção. Alguns números ajudam a mostrar que não é apenas coincidência.

Ter a bola é uma obsessão para o Barcelona. O Swansea trabalha com essa premissa também. Na temporada passada, o time ficou atrás apenas de outras duas equipes em termos de pose de bola: o Arsenal, que teve em média uma posse de bola de 59,6%, e o Manchester City, que teve média de 57,7%. O Swansea teve 57,6%.

No número de passes certos, o Swasea também se destaca. O time ficou apenas atrás do campeão na temporada passada. O Manchester City teve acerto de 85,9% dos passes, enquanto o Swansea teve 85,7%. Mais do que Manchester United (85,3%), Chelsea (85%), Tottenham (84,8%) e Arsenal (84,6%).

Nesta temporada, agora sob o comando de Michael Laudrup, o time segue o mesmo padrão. Após duas rodadas, o time tem posse de bola média de 56%. Fica atrás apenas de quatro times considerados grandes no país: Arsenal (68%), Manchester United (64%), Manchester City (57,5%) e Chelsea (57%). Em número de passes certos, o time é o quarto colocado (atrás de Manchester United, Fulham e Manchester City).

Destaques individuais

A principal virtude do Swansea é o coletivo, mas não quer dizer que não haja destaques individuais. Wayne Routledge é um dos jogadores mais eficientes do time. Já fez três assistências até aqui, dos oito gols marcados. O camisa 15 é um dos jogadores que dá o ritmo ofensivo do time, com passes curtos e objetivos.

Routledge é um destaque, mas não é o único. O atacante Michu, contratado junto ao Rayo Vallecano, foi um sucesso imediato. No seu primeiro jogo oficial pelo clube, contra o QPR na estreia da Premier League, já fez dois gols. Scott Sinclair (que parecia que ia para o Manchester City, mas o negócio está travado) também se destaca, assim como Danny Graham. Todos participam do sistema ofensivo, que usa a velocidade da bola para ser rápido.

Não dá para dizer onde vai chegar o Swansea. Brigar por vagas europeias parece demais mesmo que o time faça essa boa campanha. Apesar disso, não é difícil que apareçam mais bons jogadores como na temporada passada e a campanha seja suficiente para não correr riscos de rebaixamento. E ainda encantar em algumas partidas, como nos dois primeiros jogos. Uma revolução começada por Brendan Rodgers e que segue. Então, vila la Revolución!