Em um gesto que antecederia incontáveis outros parecidos no futebol ao redor do planeta, Weston McKennie, ainda no Schalke 04, foi o primeiro jogador de alto escalão a prestar homenagem e pedir justiça a George Floyd, homem negro morto pela polícia nos Estados Unidos em maio. Cinco meses mais tarde, McKennie, hoje na Juventus, revisita aquele momento e fala sobre o legado que quer deixar: não ser apenas um grande jogador, mas um grande ser humano.

Em entrevista mostrada em um material da Adidas, McKennie reforçou seu desejo de não limitar sua atuação aos campos de futebol, utilizando sua plataforma para defender aquilo em que acredita.

“Não quero ser conhecido apenas como um grande jogador de futebol. Quero ser conhecido como um grande ser humano, como uma grande pessoa, e é isso que estou começando a tentar fazer: criar meu legado. Essa é a versão de mim que eu amo”, afirmou.

No vídeo da Adidas, McKennie revela ter sido alvo de gritos racistas recentemente – e conta como, ao voltar para casa, nos Estados Unidos, tampouco se sentia seguro ou à vontade. “Neste ano, no começo da temporada, jogamos, e, depois do jogo, os torcedores estavam fazendo sons de macaco para mim. É devastador. Voltei para casa, para Dallas, e tinha medo de dirigir à noite simplesmente porque não sabia o que aconteceria se eu fosse parado. Estou representando um país que possivelmente nem me aceita, só por causa da cor da minha pele.”

Um testemunho de sua personalidade dentro do grupo, McKennie, que tem apenas 22 anos, chegou a vestir a braçadeira de capitão em seu último ano no Schalke 04. Para ele, aquela foi uma oportunidade de assumir a responsabilidade que tinha como alguém com uma plataforma para se expressar.

“Quando vesti a braçadeira de capitão, senti que era um dever e uma responsabilidade: tanto como americano quanto como um negro americano. Senti que precisava conscientizar o exterior. Recebi muito apoio por isso, mas também muito ódio”, relembrou.

“Falavam: ‘Você é um jogador de futebol, não deveria fazer declarações políticas’. E eu só pensava: ‘Não vejo como isso é uma declaração política’. Uma pessoa perdeu sua vida, não vou calar a boca e driblar. Não vou diminuir minhas opiniões só porque as pessoas acreditam que eu deveria apenas jogar futebol.”

Em maio deste ano, durante derrota por 1 a 0 do Schalke 04 para o Werder Bremen, McKennie vestiu uma faixa no braço em que pedia justiça para George Floyd. Mais tarde, no Instagram, escreveu: “É bom poder usar minha plataforma para chamar atenção para um problema que existe há tempo demais! Precisamos nos posicionar por aquilo em que acreditamos, e eu acredito que está na hora de sermos ouvidos”.

Com grande parte de sua carreira ainda por vir, podemos esperar que McKennie se consolide cada vez mais como um jogador com uma voz ativa – com sorte, inspirando as gerações futuras a seguir um caminho parecido.