O Kashima Antlers é um verdadeiro emblema do Campeonato Japonês. O clube teve papel central na popularização da J-League em seus primeiros anos, estrelado por Zico, Leonardo, Mazinho, Jorginho e outros grandes jogadores. Mais do que isso, tornou-se a principal potência do país. Em 23 anos de liga, o Kashima conquistou a taça oito vezes, cinco a mais do que qualquer outra equipe japonesa. Por isso mesmo, até soa estranho o fato de que esta será a primeira participação dos Antlers no Mundial de Clubes. A chance de recolocar o seu nome internacionalmente, depois do já surpreendente título nacional.

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Desde que o Mundial de Clubes adotou o atual formato, em 2005, o Kashima Antlers havia conquistado a J-League três vezes. O clube de Ibaraki foi tricampeão sob as ordens de Oswaldo de Oliveira, entre 2007 e 2009. Contudo, deu bastante azar no sonho de disputar a competição continental: nos dois primeiros anos, Urawa Red Diamonds e Gamba Osaka conquistaram a Liga dos Campeões da Ásia, tirando a vaga do representante local; já no último, em 2009, o Mundial aconteceu nos Emirados Árabes Unidos.

Assim, o Kashima perdeu uma grande vitrine internacional para o bom time que montou naquele triênio. Além de Oswaldo, outros brasileiros se destacavam: o meia Danilo e o zagueiro Fabão, ambos trazidos do São Paulo, bem como o atacante Marquinhos Cambalhota, artilheiro da equipe nas três temporadas. Já entre os japoneses, figuravam nomes como o lateral Atsuto Uchida, o zagueiro Daiki Iwamasa e o atacante Atsushi Yanagisawa.

Três jogadores daquele elenco, aliás, permanecem em Ibaraki. Três figuras ainda importantes no Kashima atual: o experiente goleiro Hitoshi Sogahata, titular do clube desde 2001; o meia Yasushi Endo, reserva no tricampeonato, mas que ganhou espaço desde então; e o volante Mitsuo Ogasawara, atual capitão dos Antlers e um dos maiores jogadores do time, com duas Copas do Mundo nas costas. O trio ajuda a formar a espinha dorsal do técnico Masatada Ishii, ele também ex-jogador dos Antlers nos anos 1990. A estrela da companhia, entretanto, é o atacante Mu Kanazaki, com passagens por Nuremberg e Portimonense.

O título do Kashima Antlers na J-League 2016 foi completamente surpreendente. O time conquistou o primeiro turno sem muito alarde, enquanto fez campanha medíocre no segundo. Chegou aos mata-matas como azarão. Ainda assim, eliminou o Kawasaki Frontale (time de segunda melhor campanha) antes de derrubar o embalado Urawa Red Diamonds, campeão do segundo turno e que sustentava uma série invicta desde agosto. O Kashima perdeu em Ibaraki, mas conseguiu reverter o quadro em Saitama, frustrando a torcida do Urawa com o triunfo por 2 a 1. A vitória que, enfim, valeu o esperado lugar no Mundial de Clubes.

Pelo momento e pelo elenco, o Kashima não é necessariamente o representante japonês que mais empolga, analisando as últimas edições do Mundial de Clubes. Neste ponto, parece mais difícil de repetir a terceira colocação do Sanfrecce Hiroshima em 2015, igualando o melhor desempenho do país na competição da Fifa – conquistado antes também por Urawa Red Diamonds (2007) e Gamba Osaka (2008). Entretanto, o time de Ibaraki possui uma tradição imensa para fazer as honras da casa. E o desempenho na reta final da J-League demonstra bem a capacidade dos Antlers de ‘coparem’.

O primeiro desafio é relativamente tranquilo, contra o Auckland City – apesar das boas impressões que os neozelandeses deixaram em 2014. Depois, a tabela prevê o Mamelodi Sundowns, também um oponente acessível entre as possibilidades. Até a chance de poder encarar o Atlético Nacional, em uma desejada semifinal. A oportunidade de, enfim, mostrar ao resto do mundo a grandeza do Kashima Antlers. De finalmente experimentar o gosto de defender o Japão no Mundial, mesmo que o potencial já tenha sido maior em outros tempos.